Calculadora de Pressão Arterial Média (PAM)
A PAM representa a pressão média nas artérias durante um ciclo cardíaco.
Vamos falar sobre aquele valor que, muitas vezes, a gente deixa passar batido no monitor enquanto foca apenas na Sistólica e na Diastólica. Se a pressão sistólica é a força do “soco” do coração e a diastólica é o descanso, a Pressão Arterial Média (PAM) é o que realmente importa para a sobrevivência dos tecidos.
No fim das contas, a PAM é quem garante a perfusão. É ela quem diz se o sangue está conseguindo vencer a resistência dos vasos e chegar lá na ponta, no rim, no cérebro e no coração.
Por que olhar para a PAM?
Diferente da pressão de pico, a PAM representa a pressão constante à qual os órgãos estão submetidos durante todo o ciclo cardíaco. Como a nossa diástole dura o dobro do tempo da sístole, a média não é uma conta aritmética simples, mas sim ponderada.

Para o paciente crítico, em choque ou em pós-operatório, a meta de ouro que a gente busca é quase sempre a PAM $\ge$ 65 mmHg. Abaixo disso, os órgãos começam a “passar fome” de oxigênio, e é aí que a disfunção orgânica começa a bater à porta.
A conta que o monitor faz por você
A fórmula clássica que a gente aprende é:

Onde:
PAD: Pressão Arterial Diastólica
PAS: Pressão Arterial Sistólica
Uma ferramenta para o seu raciocínio clínico
Eu sei que no meio de um atendimento de urgência ou na correria da enfermaria, parar para fazer conta de cabeça é a última coisa que a gente quer. Por isso, para auxiliar na sua tomada de decisão e garantir que a meta de perfusão esteja sendo atingida, disponibilizamos uma calculadora de PAM.
Ela serve como um suporte rápido. Especialmente naqueles casos em que a pressão está “limítrofe” (como um 90/50 mmHg), a calculadora te mostra rapidamente que a PAM está em 63 e que talvez seja hora de abrir o soro ou rever a droga vasoativa.

Quando o sinal de alerta toca? (Foco na PAM)
Geralmente, consideramos um paciente adulto como hemodinamicamente instável quando a PAM cai abaixo de 65 mmHg.
Mas cuidado: esse número não é mágico. Para um paciente que é cronicamente hipertenso, uma PAM de 70 mmHg já pode significar hipoperfusão. Por outro lado, para um jovem atleta, 60 mmHg pode ser o basal. No entanto, na urgência, o “valor dos 65” é o que guia a nossa primeira linha de defesa.
Sinais clínicos que acompanham a PAM baixa:
- Alteração do nível de consciência: O cérebro é o primeiro a reclamar da falta de fluxo (confusão, agitação ou sonolência).
- Oligúria: O rim “fecha a torneira” para poupar volume (débito urinário $< 0,5$ ml/kg/h).
- Marmorização da pele e tempo de enchimento capilar lento: O corpo sacrifica a periferia para tentar salvar o centro.
O que fazemos quando a PAM cai? (Condutas)
O manejo da instabilidade é como uma dança coordenada não tão simples. Não é só “subir a pressão”, é restaurar a vida nos tecidos. As condutas geralmente seguem este fluxo:
- Otimização de Volume (Se houver indicação): A primeira pergunta é: “Falta combustível?”. Se o paciente for responsivo a volume, o início é com cristaloide (soro fisiológico ou Ringer) para tentar elevar a PAM de forma natural.
- Drogas Vasoativas: Se o volume não resolveu ou se o paciente já está claramente congesto, entramos com os vasopressores. A Noradrenalina costuma ser a nossa primeira escolha para “subir” essa PAM e garantir a perfusão coronariana e cerebral.
- Inotrópicos: Caso não haja resposta, a Dobutamina pode entrar em cena para ajudar a ejetar o sangue.
Sempre Buscar a Causa Base: Tratar a pressão sem tratar a causa é como tapar o sol com a peneira. É choque séptico? Cardiogênico? Hipovolêmico? Obstrutivo? A conduta definitiva depende dessa resposta.
Lidar com a instabilidade hemodinâmica exige estômago e técnica. É o momento em que a nossa presença faz toda a diferença entre a recuperação e o desfecho desfavorável. É cansativo, dá frio na barriga, mas é onde a nossa profissão mostra sua força mais bruta.
- (CRO | CRN) O caso da suspensão de dentista em Mato Grosso
- ‘Ousar para mudar os rumos’: a história da Fisioterapia e Terapia Ocupacional no Brasil
- Calculadora da Pressão Arterial Média – PAM
- Pneumonia: Escala CURB-65(calculadora)
- (CFM) Médico pode dividir dias entre paciente particular e de plano
- (COFFITO) Nova carteira profissional para Fisios e TOs
- (COFEN) Instabilidade no Coren-PB: Entre a renúncia e os desafios da gestão
- (CFF) Vacina nacional contra a dengue chega ao SUS
- Anvisa apresenta novos modelos de receituários controlados
- Saúde nos EUA vs. Saúde no Brasil
- (CFF) O debate sobre a quebra de patente do Mounjaro
- (CFBio) Oncobiologia: A biologia ganha seu espaço oficial no cuidado ao câncer
- A conta que a gente esquece de fazer: quanto custa o valor da sua consulta?
- Como lidar com pacientes agressivos sem perder a humanização?
- OMB vs. AMB: O que está por trás da disputa pelos títulos de especialista?
- Calculadora de Gasometria Arterial
- Antibióticos e a nova resolução da enfermagem
- SAMU: Os desafios de constatar um óbito no asfalto
- ENAMED 2025: O que os números dizem sobre a formação médica?
- Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé
- Ambulância no engarrafamento: como agir?
- Feliz 2026 com Café na Copa: Uma Homenagem a Quem Segurou o Plantão
- O elevador e o respeito que a gente merece
- Calculadora de Volume Corrente na Ventilação Mecânica
- Filmes e Séries que Nos Ensinam Sobre Cuidados Paliativos
- Conheça o Primeiro Hospital Público Inteligente do Brasil!
- Guia Rápido de Monitorização Hemodinâmica para o Plantão!
- Os holofotes estão para os ACS e ACE. Entenda.
- Caso Benício Xavier: Uma Análise para Profissionais de Saúde
- Brasil tem primeira viatura do Samu Indígena. Qual a diferença?
























