Dana Evans: A enfermagem real na série The Pitt

Se você é enfermeiro(a) e ainda não começou a ver The Pitt, precisa conhecer a Enfermeira-Chefe Dana Evans. Interpretada com uma força absurda, Dana não é aquela enfermeira “romantizada” de comercial de TV. Ela é a vida como ela é: 30 anos de pronto-socorro, um humor ácido, uma postura de quem já viu de tudo e uma competência que faz até o médico mais experiente baixar o tom para ouvir o que ela tem a dizer. Mas por que a Dana representa tão bem a classe da enfermagem? Dana é a Charge Nurse (Enfermeira Responsável) do PS. Ela é quem garante que a engrenagem gire enquanto o mundo desaba lá fora. Seja organizando um atendimento em massa após um tiroteio ou lidando com pacientes agressivos sem perder a postura, ela mostra que a Enfermagem é o eixo de sustentação de qualquer hospital. Sem a gestão dela, o hospital para. Nascida no próprio hospital onde trabalha, Dana subiu degrau por degrau. Ela já foi chutada, cuspida e agredida, mas permanece lá. A série deixa claro: ela sabe mais do que muitos médicos e não tem medo de dizer isso. Essa autoridade técnica construída na prática é algo que todo enfermeiro com anos de estrada carrega com orgulho. O que torna Dana tão real é o seu cansaço. Em 2026, após sofrer uma agressão física de um paciente no plantão, ela cogita a aposentadoria. Ela tira as fotos da família da mesa, exausta do “moedor de carne” que é o sistema. Mas, como ela mesma diz: “Sou como um cavalo velho de trilha, sempre encontro o caminho de volta para casa”. Essa ambivalência entre o querer parar e o amor visceral pela profissão é a realidade de milhares de nós. O parceiro real: Ned Brower Se a Enfermeira Dana Evans é a alma do PS, o enfermeiro Jesse Van Horn com seu visual punk-rock, tatuagens e piercing no nariz, é a prova viva de que a ficção pode ser fiel à nossa realidade. Isso porque o ator que o interpreta é enfermeiro de verdade. Ned Brower não apenas atua; ele presta consultoria técnica no set. Se um acesso venoso parece real ou se o manejo do monitor está impecável, é o dedo dele ali. E o mais inspirador? Ned Brower ainda trabalha como enfermeiro. Ele mantém seus plantões per diem (por escala livre) entre as gravações. Quando a primeira temporada acabou, ele voltou direto para o PS. Imagine estar num atendimento real e perceber que o enfermeiro que está puncionando sua veia é o astro da série da HBO? Isso já aconteceu com atores famosos que deram entrada no hospital onde ele trabalha! O que Dana nos ensina? Dana Evans nos lembra que a Enfermagem não é sobre “anjos”, mas sobre profissionais altamente qualificados, resilientes e, acima de tudo, humanos. Ela mostra que ter um “hula hoop” (seu círculo de segurança) e trocar o cigarro por chiclete de nicotina são pequenas vitórias de quem tenta sobreviver à pressão sem perder a alma. Ver a Dana na tela é como encontrar uma colega de confiança na troca de plantão. Ela nos lembra que, mesmo quando o sistema falha e o Westbridge fecha mandando todos os pacientes para o “nosso” PS, a gente respira fundo, organiza a equipe e entrega o melhor. Se você está se sentindo exausto hoje, lembre-se da Dana: você é a estrutura que segura esse prédio em pé. Você assiste a série? O que acha da nossa enfermeira? Participe da nossa comunidade nos comentários.

Emergência 53: O SAMU ganha as telas em série

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Se você é daqueles que ainda sente saudades da série Sob Pressão, prepare o coração: vem aí Emergência 53. A nova série que fala do SAMU, original na Globoplay já nasceu fazendo história, sendo a única representante brasileira no prestigioso festival de Berlim, na Alemanha, agora em 2026. Desta vez, o cenário sai de dentro das paredes do hospital e ganha as ruas do Rio de Janeiro. A trama mergulha no cotidiano frenético do SAMU, acompanhando uma unidade de resgate de elite que vive no limite entre a vida, a morte e o trânsito caótico. O SAMU real? O que mais chama a atenção em Emergência 53 é que ela não tenta criar heróis perfeitos. Criada pela mesma equipe de peso de Sob Pressão a série foca em personagens reais: A série promete ser um drama médico de alta intensidade, mas com um tom de reconhecimento a uma instituição que é um dos pilares do SUS. Para nós, que trabalhamos na saúde, ver o SAMU sendo retratado com esse nível de cuidado e realismo é um afago. É ver o cansaço, a adrenalina e aquela satisfação indescritível de conseguir estabilizar um paciente no meio da rua sendo compartilhada com o grande público. Por que ficar de olho? A gente sabe que a realidade do SAMU é muito mais dura do que qualquer série pode mostrar, mas ter esse espelho na TV ajuda a sociedade a entender por que a gente luta tanto por cada segundo. O que você acha? Comente e participe de nossa comunidade. A gente adora uma boa história de hospital (ou de ambulância!). Você tem alguma história para compartilhar conosco?

Você sabia? Ebserh agora se chama HU Brasil. Entenda.

Se você atua em um hospital universitário federal ou acompanha a gestão da saúde, sabe que o nome Ebserh sempre foi um trava-língua para muita gente, principalmente pacientes. Pois nesta semana, foi anunciado o reposicionamento oficial da estatal: a partir de agora toda a rede passa a se chamar HU Brasil. Mais do que uma troca de letras, a mudança tenta traduzir algo que a gente já sente no dia a dia: a força dos nossos Hospitais Universitários como patrimônio nacional. O que muda com a “HU Brasil”? A ideia central do Ministério da Educação e da presidência da estatal é simplificar a comunicação e reforçar a identidade de rede. HU Brasil: um momento de renovação Mudar o nome é um passo simbólico, mas a gente sabe que o desafio continua o mesmo: garantir recursos, valorizar os profissionais e oferecer o melhor atendimento para o paciente do SUS. Que a “HU Brasil” traga consigo não apenas um logo novo, mas um fôlego renovado para a gestão e para quem está na ponta. Afinal, a marca muda, mas a missão de cuidar, ensinar e descobrir permanece inabalável. E aí, o que você achou do novo nome? Ficou mais fácil de falar ou você ainda vai levar um tempo para desapegar da “Ebserh”? ☕Comente abaixo:

Posso dormir no plantão?

dormindo no plantão

Para quem está de fora, pode parecer descaso. Para quem está lá dentro, no terceiro plantão da semana, a gente sabe que o cansaço não é apenas sono, é um risco real para a segurança do paciente. Mas o que diz a regra? Vamos sair do “ouvi dizer” e olhar para o que a lei e os conselhos determinam. O que diz a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) Pela CLT, o plantão de 12 horas (regime 12×36) prevê um intervalo intrajornada de 1 hora para repouso e alimentação. O Parecer CREMEC Nº 11/2021 (Conselho Regional de Medicina do Ceará) Este parecer é um marco importante porque traz o conceito de “Pausa para Descanso Alerta”. A Lei nº 14.602/2023 (Lei do Descanso Digno) Essa é a vitória mais recente para a Enfermagem, mas que serve de norte para toda a equipe multi. Ela determina que as instituições de saúde (públicas e privadas) são obrigadas a oferecer ambientes de repouso dignos. A Realidade vs. A Responsabilidade A lógica deve ser sempre a Segurança do Paciente: A importunação dos vereadores A cena vem se repetindo em vários locais do Brasil: um político, geralmente vereador, chega apontando a câmera para o rosto do médico ou da enfermeira nos horários de descanso, questionando a grande fila de pacientes, o tempo de espera ou a falta de um remédio, como se a culpa fosse de quem está atendendo. O impacto na equipe: Esse tipo de “fiscalização-espetáculo” gera um ambiente de medo e desconfiança. O profissional, que já lida com a pressão da doença, agora precisa lidar com o medo de ser “cancelado” por um vídeo editado sem contexto. O foco errado: Raramente o vídeo mostra a falta de insumos, o aparelho quebrado há meses ou o fato de que há apenas um médico para uma demanda de três. O foco é o “conflito”, porque é isso que gera engajamento em rede social. A quebra do sigilo: Ao gravar dentro de unidades de saúde, muitas vezes expõe-se não apenas o profissional, mas os próprios pacientes em momentos de vulnerabilidade, ferindo preceitos básicos de ética e privacidade. Se você passar por uma situação dessas no seu plantão ou na sua clínica, mantenha a calma. A nossa melhor defesa é a nossa postura técnica, direcionando o político ao gestor da unidade, mantendo a calma e a ética ( pois muitas vezes o que eles querem é o embate para gerar engajamento nas redes), e sempre relate ao seu conselho profissional (eles têm departamentos jurídicos prontos para lidar com o uso político da imagem do profissional). Como funciona o descanso no seu serviço? Existe um ambiente digno ou você ainda precisa improvisar com poltronas quebradas?

Calculadora: Taxa de infusão

Calculadora de Taxa de Infusão Calcule gotas/min e microgotas/min automaticamente. Volume total (mL) Tempo de infusão Calcular Limpar Gotas/min: Microgotas/min: Tempo total: O que é? A taxa de infusão é um cálculo simples para verificar quantas gotas seria necessária para administrar determinado mL em um determinado tempo. Mas, na prática, pode gerar erros, principalmente em ambientes corridos como enfermarias, pronto atendimento e UTI. É justamente para evitar esse tipo de situação que criamos a Calculadora de Taxa de Infusão aqui no Café na Copa. Assim você poderá fazer o cálculo da quantidade de gotas de forma mais fácil. A taxa de infusão determina a velocidade com que um volume de solução deve ser administrado ao paciente ao longo do tempo. Ela pode ser expressa de três formas principais: Esse cálculo é essencial para garantir: ✔ Segurança do paciente✔ Efetividade da terapia✔ Controle hídrico adequado✔ Evitar sobrecarga ou subinfusão Como funciona o cálculo? A lógica é simples: A partir disso, a calculadora transforma automaticamente em: Na prática: Como usar a calculadora? Usar é bem simples (feito pra plantão mesmo): Pronto. Você recebe automaticamente: Se quiser reiniciar, é só clicar em Limpar. Atenção a esses pontos: Mesmo com a calculadora, alguns cuidados são fundamentais: 🔴 Confirme o tipo de equipo (macro vs micro). Nem todo equipo entrega o mesmo volume por gota. Equipo macrogotas. 20 gotas = 1mL Equipo microgotas. 60 microgotas = 1mL Se você calcular em macrogotas e usar microgotas, a infusão pode correr 3x mais lenta (ou o contrário, muito mais rápida). Como dica, sempre olhe o rótulo do equipo e em dúvida faça o teste prático de quantas gotas fazem 1 mL. 🔴 Ajuste conforme prescrição médica, pois a calculadora te dá um valor matemático, mas quem manda é a prescrição clínica. Devido a isso, algumas situações exigem atenção especial, como: Na dúvida, confirme com o médico antes de instalar. 🔴 Em pacientes críticos, prefira bomba de infusão, já que o gotejamento varia a pequenas mudanças de posição do frasco, de pressão, ou movimentação do paciente. 🔴 Reavalie frequentemente (principalmente em pediatria e UTI). ✔ Confira o gotejamento periodicamente✔ Reavalie o acesso venoso✔ Observe sinais clínicos✔ Garanta que o tempo programado está sendo seguido A calculadora não substitui o raciocínio clínico, mas serve como uma ferramenta auxiliar à sua decisão. + FERRAMENTAS CLÍNICAS

Calculadora: Escala de Coma de Glasgow

Escala de Coma de Glasgow Selecione a melhor resposta do paciente 👁️ Abertura Ocular Espontânea (4) Ao comando verbal (3) À dor (2) Nenhuma (1) Não testável 🗣️ Resposta Verbal Orientado (5) Confuso (4) Palavras inapropriadas (3) Sons incompreensíveis (2) Nenhuma (1) Não testável 💪 Resposta Motora Obedece comandos (6) Localiza dor (5) Retirada à dor (4) Flexão anormal (3) Extensão (2) Nenhuma (1) Não testável — Selecione as respostas acima Escala de Coma de Glasgow (ECG): o que é e como interpretar A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é um dos instrumentos mais utilizados no mundo para avaliar o nível de consciência de pacientes com lesão cerebral ou alteração neurológica aguda. A escala foi criada em 1974, na University of Glasgow, pelos neurocirurgiões Graham Teasdale e Bryan Jennett.Desde então, tornou-se uma ferramenta fundamental em emergências, unidades de terapia intensiva, trauma e neurologia, sendo utilizada atualmente em mais de 75 países. O objetivo da escala é fornecer uma forma padronizada, objetiva e reprodutível de avaliar a responsividade do paciente, permitindo comunicação clara entre profissionais e acompanhamento da evolução clínica. Como funciona a Escala de Glasgow A ECG avalia três componentes principais da resposta neurológica: Cada componente recebe uma pontuação específica, e a soma gera um escore total entre 3 e 15 pontos Componente Pontuação Abertura ocular 1 a 4 Resposta verbal 1 a 5 Resposta motora 1 a 6 Pontuação total possível:GCS = 3 a 15 A avaliação deve ser registrada preferencialmente no formato clínico completo, por exemplo: GCS 10 (E3 V4 M3) Pontuação detalhada da escala Abertura ocular (E) Pontuação Resposta 4 Olhos abertos espontaneamente 3 Abre os olhos ao comando verbal 2 Abre os olhos à dor 1 Nenhuma abertura ocular Resposta verbal (V) Pontuação Resposta 5 Orientado 4 Confuso 3 Palavras inapropriadas 2 Sons incompreensíveis 1 Nenhuma resposta verbal Resposta motora (M) Pontuação Resposta 6 Obedece comandos 5 Localiza a dor 4 Retirada à dor 3 Flexão anormal (decorticação) 2 Extensão anormal (descerebração) 1 Nenhuma resposta motora Classificação da gravidade da lesão cerebral A pontuação total da escala permite uma classificação inicial da gravidade da lesão cerebral: Pontuação GCS Gravidade 13 – 15 Lesão cerebral leve 9 – 12 Lesão cerebral moderada 3 – 8 Lesão cerebral grave Pacientes com GCS ≤ 8 geralmente apresentam risco de perda da via aérea e podem necessitar de intubação e manejo intensivo. Como usar a ECG na minha rotina? A Escala de Glasgow é amplamente utilizada para orientar decisões clínicas importantes, como: Avaliações seriadas da ECG são essenciais para detectar deterioração neurológica precoce. Como registrar a ECG no prontuário? Sempre que possível, deve-se registrar: Exemplo: GCS 12 (E3 V4 M5) Isso permite identificar qual função neurológica está alterada, algo que a pontuação total isolada pode ocultar. Componentes não testáveis (NT) Em algumas situações clínicas, um componente da escala não pode ser avaliado, por exemplo: Nesses casos, o componente deve ser registrado como NT (não testável). Exemplo: GCS não calculado (E3 VNT M6) Quando um componente é NT, recomenda-se não utilizar a pontuação total, pois isso pode gerar interpretação equivocada. Aplicação em crianças A ECG pode ser utilizada sem modificações em crianças acima de 5 anos. Em lactentes e crianças menores, adaptações são necessárias porque: Por isso existem versões pediátricas da escala, adaptadas para diferentes fases do desenvolvimento. Limitações da Escala de Glasgow Apesar de sua ampla utilização, a ECG apresenta algumas limitações importantes: Por esse motivo, recomenda-se interpretar os componentes individualmente, e não apenas a pontuação total.

Conflitos na Equipe Hospitalar

Senta aqui um minutinho. Vamos falar sobre algo que todo mundo que faz plantão conhece bem, mas que raramente discutimos com a seriedade que merece: os conflitos na equipe. No calor do pronto-atendimento ou no cansaço da UTI, uma resposta atravessada ou uma divergência de conduta parece apenas “coisa do dia a dia”. Mas a ciência e os dados mostram algo preocupante: 41% dos conflitos relatados têm consequências diretas no cuidado ao paciente. Quando a equipe não se entende, quem paga a conta é quem está deitado na maca. 41% dos conflitos relatados tiveram consequências percebidas para o cuidado ao paciente. Quais os tipos de conflitos mais comuns? O desentendimento entre nós não fica só na copa. Ele se transforma em falhas invisíveis que comprometem a segurança de quem cuidamos: Como os conflitos impactam o cuidado? O que fazer para evitar esses problemas? A gente sabe que trabalhar em hospital é lidar com pressão constante, mas não podemos normalizar o conflito como parte da rotina. Algumas mudanças de postura podem salvar vidas: Cuidar de quem está sofrendo já é pesado demais para que a gente ainda precise carregar o peso de um ambiente de trabalho tóxico. Ser gentil com o colega de equipe é, também, uma forma de cuidar do paciente. Toma seu café. Que o seu próximo plantão seja de trocas ricas, diálogos produtivos e, acima de tudo, de muita união em prol de quem confia a vida nas nossas mãos. Você já sentiu que um desentendimento na equipe prejudicou um atendimento? Como o seu serviço lida com essas tensões? O diálogo é a nossa melhor ferramenta de trabalho, tanto com o paciente quanto com o colega. Vamos conversar sobre como melhorar o clima no hospital!

Calculadora da Pressão Arterial Média – PAM

Calculadora de Pressão Arterial Média (PAM) A PAM representa a pressão média nas artérias durante um ciclo cardíaco. Pressão Sistólica (PAS – mmHg) Pressão Diastólica (PAD – mmHg) Calcular PAM Vamos falar sobre aquele valor que, muitas vezes, a gente deixa passar batido no monitor enquanto foca apenas na Sistólica e na Diastólica. Se a pressão sistólica é a força do “soco” do coração e a diastólica é o descanso, a Pressão Arterial Média (PAM) é o que realmente importa para a sobrevivência dos tecidos. No fim das contas, a PAM é quem garante a perfusão. É ela quem diz se o sangue está conseguindo vencer a resistência dos vasos e chegar lá na ponta, no rim, no cérebro e no coração. Por que olhar para a PAM? Diferente da pressão de pico, a PAM representa a pressão constante à qual os órgãos estão submetidos durante todo o ciclo cardíaco. Como a nossa diástole dura o dobro do tempo da sístole, a média não é uma conta aritmética simples, mas sim ponderada. Para o paciente crítico, em choque ou em pós-operatório, a meta de ouro que a gente busca é quase sempre a PAM $\ge$ 65 mmHg. Abaixo disso, os órgãos começam a “passar fome” de oxigênio, e é aí que a disfunção orgânica começa a bater à porta. A conta que o monitor faz por você A fórmula clássica que a gente aprende é: Onde: PAD: Pressão Arterial Diastólica PAS: Pressão Arterial Sistólica Uma ferramenta para o seu raciocínio clínico Eu sei que no meio de um atendimento de urgência ou na correria da enfermaria, parar para fazer conta de cabeça é a última coisa que a gente quer. Por isso, para auxiliar na sua tomada de decisão e garantir que a meta de perfusão esteja sendo atingida, disponibilizamos uma calculadora de PAM. Ela serve como um suporte rápido. Especialmente naqueles casos em que a pressão está “limítrofe” (como um 90/50 mmHg), a calculadora te mostra rapidamente que a PAM está em 63 e que talvez seja hora de abrir o soro ou rever a droga vasoativa. Quando o sinal de alerta toca? (Foco na PAM) Geralmente, consideramos um paciente adulto como hemodinamicamente instável quando a PAM cai abaixo de 65 mmHg. Mas cuidado: esse número não é mágico. Para um paciente que é cronicamente hipertenso, uma PAM de 70 mmHg já pode significar hipoperfusão. Por outro lado, para um jovem atleta, 60 mmHg pode ser o basal. No entanto, na urgência, o “valor dos 65” é o que guia a nossa primeira linha de defesa. Sinais clínicos que acompanham a PAM baixa: O que fazemos quando a PAM cai? (Condutas) O manejo da instabilidade é como uma dança coordenada não tão simples. Não é só “subir a pressão”, é restaurar a vida nos tecidos. As condutas geralmente seguem este fluxo: Sempre Buscar a Causa Base: Tratar a pressão sem tratar a causa é como tapar o sol com a peneira. É choque séptico? Cardiogênico? Hipovolêmico? Obstrutivo? A conduta definitiva depende dessa resposta. Lidar com a instabilidade hemodinâmica exige estômago e técnica. É o momento em que a nossa presença faz toda a diferença entre a recuperação e o desfecho desfavorável. É cansativo, dá frio na barriga, mas é onde a nossa profissão mostra sua força mais bruta.

Como lidar com pacientes agressivos sem perder a humanização?

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A agitação psicomotora é um dos desafios mais pesados da nossa rotina. É aquele “olho do furacão” onde a gente precisa ser, ao mesmo tempo, técnico, ágil e extremamente calmo, mesmo quando o coração está batendo a mil por hora. Lidar com um paciente agressivo ou em crise não é sobre “quem manda mais”. É sobre segurança: a dele e a nossa. E, acima de tudo, é sobre entender que, por trás daquela violência, existe um sofrimento que transbordou. A conduta para o manejo desse tipo de paciente deve envolver toda a equipe, dos profissionais da saúde à equipe de segurança. O primeiro passo: o ambiente e a palavra Antes de qualquer agulha, vem o nosso comportamento. O manejo não farmacológico é a nossa primeira ferramenta, e talvez a mais difícil de aplicar no cansaço do plantão: O remédio que acalma, mas não apaga Quando a conversa não basta, o manejo farmacológico entra em cena. Mas o objetivo aqui mudou: a gente não busca mais o “nocaute” nos dias atuais. O recurso extremo: a contenção física A contenção física nunca deve ser uma punição ou um ato de “calar” o paciente. Ela é um último recurso, usado apenas quando há risco real para ele ou para a equipe. O objetivo principal é proteger o paciente das pessoas ao redor. Se precisar conter, que seja: A equipe para contenção deve ter pelo menos 05 pessoas, que atuam de forma coordenada. Um dos profissionais, que coordena o grupo, deve se manter visível para o paciente durante todo o período. Este profissional também busca tranquilizar a pessoa agitada e transmitir segurança. As outras quatro pessoas atuam simultaneamente em cada membro do paciente, tendo o cuidado de proteger as articulações contra entorses ou distensões. Os materiais utilizados nas contenções físicas devem ser de tecido largo, não elástico e devem ser resistentes, preferivelmente as faixas específicas de contenção. Devem ser periodicamente verificadas se não estão promovendo garroteamento, edema, ou lesões na pele. Devem ser presas à base da cama, não às grades laterais, para evitar lesões vasculares e nervosas em decorrência de movimentos. Antecipando a tempestade: o que observar? Muitas vezes, a agressividade é o último estágio de um medo ou de uma frustração que não foi acolhida. Se a gente conseguir “ler” os sinais antes, o desfecho pode ser muito mais tranquilo. Então, é bom a gente ficar de olho em: O que a gente pode fazer para desarmar a crise? Referências Diretoria de Serviços de Saúde Mental – DISSAM. Protocolo: Manejo da Agitação Psicomotora Aguda Gaynes BN, Brown C, Lux LJ, et al. Estratégias para reduzir o comportamento agressivo em pacientes psiquiátricos [Internet]. Rockville (MD): Agency for Healthcare Research and Quality (EUA); julho de 2016. (Revisões de Efetividade Comparativa, nº 180.) Introdução. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK379388/