Nova Resolução do COFFITO para Cuidados Paliativos

A Resolução COFFITO nº 660/2026 e nº 661/2026 veio normatizar e reconhecer algo que quem está na beira do leito já sente há muito tempo: o cuidado paliativo e a reabilitação paliativa não são sobre “não ter mais o que fazer”. São sobre fazer tudo o que é humanamente e tecnicamente possível para que o paciente viva com o maior conforto e autonomia até o último momento. Vamos primeiramente entender as resoluções… Resolução COFFITO nº 660/2026 A Resolução COFFITO nº 660/2026 estabelece as diretrizes oficiais para a atuação do fisioterapeuta em Cuidados Paliativos e Reabilitação Paliativa, atualizando as normas da área e revogando a Resolução nº 539/2021. O texto traz uma abordagem transversal, cobrindo desde a prevenção até o suporte de fim de vida em todas as fases da vida (pediátrica, adulta e gerontológica). 1. Conceito de Reabilitação Paliativa A resolução define a Reabilitação Paliativa como uma abordagem interprofissional e holística centrada na manutenção da funcionalidade, prevenção de complicações e adaptação a perdas físicas. Suas quatro frentes de atuação são: 2. Atribuições Clínicas e Diagnóstico O fisioterapeuta passa a ter papel ativo e autônomo na condução das condutas paliativas: 3. Bioética, Distanásia e Diretivas Antecipadas A norma reforça o compromisso deontológico do profissional com a dignidade da pessoa humana: 4. Suporte à Família e Cuidados no Fim de Vida A “unidade de cuidado” engloba a pessoa adoecida, seus familiares e cuidadores: 5. Cenários de Atuação e Teleatendimento A assistência é garantida em todos os níveis de atenção (pública, privada, filantrópica e terceiro setor): 6. Níveis de Qualificação Profissional Categoria Requisitos Escopo de Atuação Generalista Cursos de formação ou graduação com conteúdo de paliativismo na matriz curricular. Identificação de elegibilidade, avaliação cinético-funcional (CBDF), manejo de sintomas físicos e participação no PTS. Especializada Pós-graduação lato sensu ou programas de residência médica/multiprofissional. Manejo de sintomas refratários, casos de alta complexidade, mediação de conflitos, Planejamento Antecipado de Cuidados, gestão e matriciamento de serviços. Resolução COFFITO nº 661/2026 A Resolução COFFITO nº 661/2026 regulamenta e normatiza a prática do Terapeuta Ocupacional em Cuidados Paliativos e Reabilitação Paliativa em todos os pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e em todas as faixas etárias (pediatria, adultos e idosos). 1. Foco na Vida Ocupacional e Autonomia 2. Principais Competências e Atribuições Clínicas 3. Cuidado com Familiares, Cuidadores e Luto 4. Bioética e Prevenção de Obstinação Terapêutica 5. Cenários de Atuação e Teleatendimento 6. Níveis de Qualificação Profissional Categoria Requisitos Escopo de Atuação Generalista Cursos de formação teórico-prática ou conteúdos integrados na grade da graduação. Avaliação terapêutico-ocupacional, prescrição de Tecnologia Assistiva básica, suporte a AVDs, manejo do sofrimento ocupacional e atuação interprofissional. Especializada Pós-graduação lato sensu ou programas de residência com carga horária de Paliativismo. Casos de alta complexidade, manejo de sofrimento de difícil controle, notícias difíceis, prognósticos reservados, gestão e matriciamento de serviços. Reabilitação Paliativa A Reabilitação Paliativa é uma abordagem interprofissional e holística que integra os princípios da reabilitação e do autocuidado aos cuidados paliativos, voltada para pessoas com doenças graves que ameaçam a continuidade da vida, além de seus familiares e cuidadores. Diferente da reabilitação convencional a Reabilitação Paliativa busca promover a qualidade de vida, o alívio de sintomas e a manutenção da funcionalidade, permitindo que a pessoa viva da forma mais ativa, independente e com a maior dignidade possível até a finitude. As 4 Fases de Atuação A reabilitação paliativa não se limita à fase final de vida; ela oscila e se adapta continuadamente de acordo com a progressão da doença e a capacidade do paciente: Principais Objetivos e Pilares As Resoluções COFFITO nº 660/2026 e 661/2026 regulamentam, respectivamente, a atuação da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional em Cuidados Paliativos e Reabilitação Paliativa. Publicadas simultaneamente, ambas padronizam o suporte técnico, bioético e legal para profissionais que lidam com pacientes em sofrimento grave ou com doenças que ameaçam a continuidade da vida. Visão Geral Comparativa Aspecto Fisioterapia (Resolução 660/2026) Terapia Ocupacional (Resolução 661/2026) Foco de Atuação Manutenção cinético-funcional, suporte ventilatório, alívio de dor, dispneia e fadiga. Desempenho ocupacional, preservação da autonomia, AVDs, rotina e Tecnologia Assistiva. Diagnóstico Uso recomendado da Classificação Brasileira de Diagnósticos Fisioterapêuticos (CBDF). Avaliação funcional das ocupações, papéis sociais e fatores ambientais/biográficos. Suporte à Família Ergonomia no manuseio/posicionamento, suporte na finitude e prevenção de sobrecarga. Intervenções no cotidiano do cuidador, acolhimento no luto e reestruturação de papéis. Pontos de Convergência entre as Normas + Posts…

05 filmes para o dia dos pais

Cuidar da saúde dos outros exige preparo, técnica e muitas horas de dedicação. Mas quando o papel de cuidador se cruza com o de pai, a medicina ganha novos contornos e nos lembra que a empatia, o amor e a presença são os remédios mais poderosos que existem. Se você busca histórias profundas que abordam a saúde e a paternidade sob diferentes ângulos para assistir ao lado dos seus filhos, reunimos 5 produções marcantes: 1. Mãos Talentosas: A História de Ben Carson (Gifted Hands, 2009) 2. O Óleo de Lorenzo (Lorenzo’s Oil, 1992) 3. Querido Menino (Beautiful Boy, 2018) 4. Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper, 2009) 5. Meu Pai (The Father, 2020) + Posts…

5 Fisioterapeutas Respondem: Neymar vai jogar a Copa do Mundo?

Enquanto todo mundo nos programas de TV debate o lado tático ou o extracampo, nós que somos da saúde olhamos para o corpo do atleta. O quadro é o seguinte: o Neymar sofreu uma lesão muscular de grau 2 a nível de panturrilha (não especificada) e já acumula mais de 30 dias longe dos gramados e sem contato com a bola, até agora sem previsão de jogar a Copa do Mundo. Para sair um pouco do achismo e trazer ciência para a conversa, fiz uma enquete rápida com 5 profissionais da fisioterapia, com especialidade na área, para entender, do ponto de vista clínico, o que realmente podemos esperar dele nessa Copa do Mundo de 2026. O resultado? Os especialistas ligaram o sinal de alerta máximo. Olhe só o que eles dizem: Como está a lesão de Neymar? Infográfico: Neymar na Copa – Veredito da Fisio ☕ Café na Copa – Painel Clínico Neymar na Copa: O Veredito da Fisioterapia Resultados de enquete realizada com 05 fisioterapeutas após lesão muscular grau 2 ⏱️ Consegue retornar no 3º jogo da Fase de Grupos? Depende totalmente da evolução clínica 80% (4/5) 4 de 5 especialistas Sim, mas com minutagem controlada 20% (1/5) 1 de 5 especialistas 📈 Nível de desempenho esperado caso retorne Muito limitado (40% a 60% do ideal) 80% (4/5) 4 de 5 especialistas Bom, mas abaixo do ideal (60% a 80%) 20% (1/5) 1 de 5 especialistas ⚠️ Maior preocupação no retorno • Nova lesão (Relesão): 60% (3/5) • Perda de explosão: 40% (2/5) 📋 Conduta de Escalação • Banco (entrar no 2º tempo): 60% (3/5) • Não escalaria: 40% (2/5) • Titular imediato: 0% 🎯 O calcanhar de Aquiles da Reabilitação (Mais difícil recuperar) O ponto de maior atrito técnico apontado foi a confiança para acelerar e mudar de direção (40%), seguido de forma dividida por fatores críticos de performance como potência muscular, resistência e a pura falta de ritmo de jogo. Fonte: Enquete interna / Café na Copa. Dados coletados com profissionais atuantes de Fisioterapia. 1. Ele consegue voltar para o 3º jogo da fase de grupos? A maioria prefere a cautela. 4 dos 5 profissionais responderam que dependerá muito da evolução clínica. Apenas um foi um pouco mais otimista, dizendo que voltará a jogar por um tempo no terceiro jogo. Nenhum aposta em um retorno 100% garantido ou folgado. 2. E o desempenho? O que esperar? Para 4 dos fisioterapeutas, o nível dele deve ser “Muito limitado (entre 40% e 60%)”. O impacto de passar um mês parado em um torneio de altíssima intensidade como a Copa do Mundo, é considerado grande ou enorme por quase a totalidade dos fisioterapeutas entrevistados. 3. Os maiores perigos do retorno (O que tira o sono dos fisioterapeutas) Quando o assunto é uma lesão muscular grau 2, o medo não é só o jogador cansar. O buraco é mais embaixo: 4. Titular: Nem Pensar! Se dependesse desse conselho de fisioterapeutas, o técnico Ancelotti ia ter que segurar o craque no banco. Nenhum deles escalaria o Neymar como titular logo de cara. Três profissionais recomendam que ele entre apenas no segundo tempo para testar o ritmo, e dois foram categóricos: não escalariam de jeito nenhum nesse momento. 5. O maior obstáculo para a recuperação A escolha do ponto mais difícil de restaurar após essa parada se dividiu, mostrando a complexidade da reabilitação: O parecer final Tratar atleta de elite é diferente, a biologia deles responde mais rápido e a estrutura ao redor é de primeiro mundo. Mas músculo tem tempo de cicatrização e readaptação, e o calendário da Copa do Mundo n O consenso dos nossos colegas é claro: a pressa para ter o “camisa 10” em campo pode custar muito caro para o resto do campeonato. Apesar disso estaremos totalmente na torcida pela recuperação plena e esse título para sacramentar toda essa vida vitoriosa desse atleta. A ciência não é exata e pode nos surpreender. Se você estivesse na equipe de reabilitação dele hoje, liberava para o terceiro jogo ou segurava o craque para o mata-mata? Vamos debater essa conduta lá no fórum? ☕⚽

(COFFITO) Eleição do Crefito 21-PB

Se você é fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional e atua na Paraíba, sabe que sempre foram ligados ao CREFITO-1. Mas agora, o cenário mudou: a Paraíba finalmente tem o seu regional próprio, o CREFITO-21. E hoje, dia 13 de abril, é dia de escolher quem vai conduzir os rumos da profissão. Acesse pelo link: https://crefito21.beevoter.com.br/home Para quem ainda está na correria dos atendimentos ou no meio do plantão, aqui vai o lembrete essencial: a eleição está acontecendo de forma online hoje. A votação se dará entre 8h e 20h do dia 13 de abril de 2026. Você já conseguiu registrar seu voto online ou teve alguma dificuldade com a plataforma? Comente abaixo:

Por que profissional da saúde não pode ser MEI?

Se você está pensando em abrir sua clínica, atender em domicílio ou prestar serviços como autônomo, com certeza já passou pela sua cabeça: “Será que posso ser MEI?”. Afinal, o imposto é baixo, a burocracia é mínima e parece a solução perfeita para quem está começando. Mas, para a grande maioria de nós médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, TO’s, dentistas, entre outros; a resposta curta e amarga (como um café sem açúcar) é: Não, profissionais da saúde não podem ser MEI. Mas por que? Vamos entender o porquê disso e quais são as nossas saídas. O que é o MEI? O MEI foi criado em 2008 para tirar da informalidade milhões de brasileiros que trabalhavam por conta própria, mas não tinham acesso a direitos básicos como aposentadoria ou auxílio-doença. Ele foi criado em 2008 para tirar da informalidade milhões de brasileiros que trabalhavam por conta própria, mas não tinham acesso a direitos básicos como aposentadoria ou auxílio-doença. Pense como uma “versão simplificada” de uma empresa. É um modelo jurídico desenhado para quem trabalha sozinho e tem um faturamento mais modesto. Para ser MEI, o profissional precisa se encaixar em algumas regras bem rígidas: Por que o MEI é tão atrativo? O sucesso do MEI vem da sua simplicidade tributária, chamada de SIMEI. Com ela, você paga um valor fixo por mês no boleto do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), onde já está incluído a contribuição do INSS, ICMS (Se for comércio/indústria) ou ISS (Se for prestação de serviços). Mas é tudo perfeito? Apesar de parecer o “paraíso fiscal” dos pequenos negócios, o MEI tem “grades” que limitam o crescimento: Chegamos no ponto: Entendeu até agora? Então, o MEI foi criado para formalizar trabalhadores que não tinham uma regulamentação específica ou que exerciam atividades consideradas “não intelectuais” ou puramente comerciais (como cabeleireiros, mecânicos ou doceiros). Nós entramos em outra categoria: as Profissões Regulamentadas. “Mas eu vi um colega que é MEI…” Cuidado aqui. Alguns profissionais tentam se cadastrar usando atividades correlatas que são permitidas (como “cuidador de idosos” ou “instrutor de cursos”), mas isso pode ser um risco enorme: Se não posso ser MEI, o que eu posso ser? Não desanime. Existem caminhos para pagar menos impostos do que como Pessoa Física (onde o Leão pode levar até 27,5% do seu faturamento). As opções mais comuns são: Qual seria mais vantajoso: MEI ou SIMPLES? Vamos usar o exemplo de um Fisioterapeuta ou Enfermeiro autônomo que atende seus próprios pacientes e consegue fechar o mês com R$ 7.000,00 de faturamento bruto. Cenário MEI (Proibido para Profissões Regulamentadas) Apenas para fins de comparação, se esse profissional ‘pudesse’ ser MEI (lembrando que não pode, conforme vimos antes): Cenário Simples Nacional (Microempresa – ME) Este é o caminho legal e seguro. Aqui, o valor depende de como você organiza seu Pró-labore (o Fator R). Sem o Fator R (Anexo V – 15,5%) Se você não tiver gastos com folha de pagamento ou Pró-labore que somem 28% do faturamento: Com o Fator R (Anexo III – 6%) Aqui você define um Pró-labore de pelo menos R$ 1.960,00 (28% de R$ 7.000). Veja no resumo: Modelo Situação Legal Imposto Estimado Sobra Aproximada MEI ❌ Proibido R$ 76,60 R$ 6.923,40 Simples (sem fator R) ✅ Legal R$ 1.085,00 R$ 5.915,00 Simples ( com fator R) ✅ Legal R$ 635,60 R$ 6.364,40 Baseado em um profissional de saúde autônomo que ganha R$ 7.000,00 mensair brutos. A gente sabe que dói no bolso ver a diferença de impostos entre um MEI e uma Microempresa. Mas estar regularizado é o que garante que você possa emitir notas para convênios, participar de editais públicos e, principalmente, ter a segurança jurídica de que seu exercício profissional está protegido. Nossa profissão é de alto valor agregado e alta responsabilidade. O “custo” de ter uma empresa regularizada é, no fundo, um investimento na sua credibilidade e longevidade na carreira. Quer entender como funciona o SIMPLES mais a fundo? Deixe nos comentários. Siga nosso site. Você já se sentiu frustrado por não poder ser MEI ou já conseguiu se organizar bem como Microempresa? A burocracia faz parte da gestão, mas não precisa ser um bicho de sete cabeças. Vamos trocar dicas sobre contabilidade para profissionais da saúde lá nos comentários? Veja mais…

Qual o caminho para o piso salarial ser aprovado?

A gente ouve falar de “piso salarial aprovado” no rádio, “liminar suspensa” na TV e “votação adiada” nos grupos de WhatsApp. Parece que o caminho para o reconhecimento financeiro é um jogo de tabuleiro onde a gente sempre volta duas casas, não é? Para a gente não se perder nas notícias, trouxemos o caminho oficial que um projeto de piso salarial precisa percorrer em Brasília até chegar ao nosso contracheque. Aprenda conosco. Passo 1. O Ponto de Partida: A Câmara dos Deputados Tudo começa com um PL (Projeto de Lei). Ele nasce na Câmara, proposto por um deputado. Passo 2. O Filtro da Revisão: O Senado Federal O Senado funciona como uma câmara revisora. Os 81 senadores analisam o texto. Passo 3. A Caneta Final: A Presidência da República Aqui, o Presidente tem 15 dias úteis para duas decisões: De onde vem o dinheiro? É aqui que o café esfria e a conversa fica séria. Atualmente, não basta apenas aprovar a lei do piso. O STF (Supremo Tribunal Federal) e a Constituição exigem que se aponte a fonte de custeio. É por isso que, mesmo com a lei sancionada, muitas vezes a aplicação fica “travada” por decisões judiciais até que o orçamento esteja garantido. Aprovar a lei é o primeiro passo; garantir o recurso é a maratona. Entendendo a partir do piso da enfermagem Se a gente quer entender como o piso salarial de outras categorias vai caminhar, precisamos olhar para quem já abriu essa trilha: a Enfermagem. O piso deles já foi aprovado, mas a “novela” para ele chegar ao contracheque ensinou lições valiosas sobre o labirinto de Brasília. O caso da enfermagem foi histórico porque não bastou uma lei comum; eles precisaram “blindar” a decisão para que ela não fosse derrubada por ser considerada inconstitucional. O que aprendemos com isso? Hoje, com o piso da enfermagem já em vigor, a gente olha para trás e vê que aprovar a lei é só metade da batalha. Veja os desafios que ainda servem de alerta para outras áreas: Por que isso serve de referência para você? O caminho da enfermagem mostra que não basta o deputado prometer o voto. É preciso: O caminho é burocrático, lento e, muitas vezes, frustrante. Mas entender esse processo nos dá armas para cobrar as pessoas certas. Não adianta apenas cobrar o hospital; é preciso cobrar o deputado pela fonte de custeio e o governo pela transferência de fundos. Lutar pelo piso é lutar pela dignidade de quem não parou nem um segundo quando o mundo parou. Você sente que a sua categoria está mais perto ou mais longe do piso hoje? Qual etapa do processo você acha que é a mais injusta?

Como não levar o seu trabalho para casa

médica cansada trabalhando em casa

Você termina o plantão ou os atendimentos, se arruma, vai para a sua casa…mas a cabeça ainda fica no hospital.  Na saúde, a gente carrega histórias. No consultório, você leva a angústia daquele diagnóstico difícil; na clínica, leva a frustração de um progresso que não vem; na gestão, leva os números que não fecham. Se não tomarmos cuidado, o nosso lar vira apenas uma extensão do trabalho, e a gente nunca descansa de verdade. Levar o trabalho para casa não é apenas um incômodo. É um processo silencioso que corrói camadas essenciais da sua vida. Seu trabalho piora Sem descanso real, a atenção cai, os erros aumentam e a empatia com os pacientes diminui. Sua saúde se deteriora Insônia, hipertensão, síndrome de Burnout. Seus relacionamentos sofrem Parceiros, filhos e amigos passam a disputar espaço com uma presença que está “lá fora” mas mentalmente ausente. A profissão da saúde carrega um peso simbólico único: há vidas envolvidas. Isso cria um senso de responsabilidade tão intenso que qualquer pausa parece um abandono. Somado a isso, a cultura hospitalar ainda glorifica o excesso: quem dorme pouco é “dedicado”, quem não tira férias é “comprometido”. Barreiras físicas e mentais Não importa se você usa pijama cirúrgico ou roupa social, o segredo é criar “marcos de fronteira”. O que seria isso? Estratégias para cada contexto O direito de ser “você e apenas você” Muitas vezes a nossa identidade profissional é tão forte que a gente esquece que existe o “eu” que gosta de cinema, o “eu” que quer brincar com os filhos, o “eu” que só quer olhar para o teto sem pensar em ninguém. Um profissional de saúde que não se desliga acaba desenvolvendo a “fadiga por compaixão”. A gente fica “seco”, “no automático”, ou seja, perdemos nossa empatia e humanização prejudicando até mesmo a nossa relação com os pacientes e colegas de trabalho. A sua pausa é o que devolve o brilho no olho para o atendimento do dia seguinte. Tire o jaleco, mude a conversa, esqueça o WhatsApp do grupo por algumas horas. O mundo não vai parar se você não estiver disponível por uma noite. Pelo contrário: ele vai ganhar um profissional muito mais equilibrado amanhã. Qual é o seu ritual para esquecer o hospital assim que chega em casa? Você consegue se desligar totalmente ou o celular é o seu maior inimigo? Lembrar que somos humanos antes de profissionais é o primeiro passo para não adoecer. Vamos trocar dicas de como “desligar”

Calculadora: APACHE II

Esta calculadora da APACHE II tem finalidade educacional e de apoio à prática clínica, não substituindo a avaliação do profissional. Calculadora APACHE II Escore de gravidade para pacientes críticos em UTI Temperatura (°C) PAM (mmHg) Freq. Cardíaca Freq. Respiratória PaO2 pH Arterial Sódio Potássio Creatinina Hematócrito Leucócitos Glasgow Idade Calcular Escore — Preencha os dados O APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) é um sistema de escore utilizado em unidades de terapia intensiva (UTI) para avaliar a gravidade clínica de pacientes críticos e estimar o risco de mortalidade hospitalar. Ele foi desenvolvido na década de 1980 como uma forma padronizada de comparar a gravidade da doença entre pacientes internados em terapia intensiva. Desde então, tornou-se uma das ferramentas mais utilizadas em pesquisas clínicas, auditorias de qualidade e avaliação prognóstica em pacientes críticos. O escore é calculado a partir da análise de dados clínicos, laboratoriais e demográficos coletados nas primeiras 24 horas de internação na UTI. Cada variável recebe uma pontuação de acordo com o grau de alteração fisiológica, e a soma desses pontos resulta no escore final. Quais parâmetros são avaliados? O APACHE II considera três grupos principais de variáveis: Variáveis fisiológicas agudas São parâmetros clínicos e laboratoriais que refletem o estado fisiológico do paciente, incluindo: Essas variáveis refletem o grau de disfunção fisiológica aguda. Idade do paciente O escore também incorpora a idade como fator prognóstico, já que pacientes mais idosos apresentam, em média, maior risco de mortalidade em situações críticas. A pontuação aumenta progressivamente a partir dos 45 anos. Condições crônicas pré-existentes O sistema também considera a presença de doenças crônicas graves, como insuficiência cardíaca avançada, doença hepática grave, imunossupressão ou insuficiência respiratória crônica. Essas condições aumentam o risco basal do paciente e influenciam o escore final. Como interpretar o resultado? O resultado final do APACHE II é obtido pela soma de todos os pontos atribuídos às variáveis analisadas. De forma geral: É importante destacar que o APACHE II não deve ser utilizado isoladamente para decisões clínicas individuais, mas sim como uma ferramenta de avaliação prognóstica e estratificação de risco. Para que o APACHE II é utilizado na prática? Na prática clínica e na pesquisa, o escore é utilizado para:

Calculadora: Escala de Coma de Glasgow

Escala de Coma de Glasgow Selecione a melhor resposta do paciente 👁️ Abertura Ocular Espontânea (4) Ao comando verbal (3) À dor (2) Nenhuma (1) Não testável 🗣️ Resposta Verbal Orientado (5) Confuso (4) Palavras inapropriadas (3) Sons incompreensíveis (2) Nenhuma (1) Não testável 💪 Resposta Motora Obedece comandos (6) Localiza dor (5) Retirada à dor (4) Flexão anormal (3) Extensão (2) Nenhuma (1) Não testável — Selecione as respostas acima Escala de Coma de Glasgow (ECG): o que é e como interpretar A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é um dos instrumentos mais utilizados no mundo para avaliar o nível de consciência de pacientes com lesão cerebral ou alteração neurológica aguda. A escala foi criada em 1974, na University of Glasgow, pelos neurocirurgiões Graham Teasdale e Bryan Jennett.Desde então, tornou-se uma ferramenta fundamental em emergências, unidades de terapia intensiva, trauma e neurologia, sendo utilizada atualmente em mais de 75 países. O objetivo da escala é fornecer uma forma padronizada, objetiva e reprodutível de avaliar a responsividade do paciente, permitindo comunicação clara entre profissionais e acompanhamento da evolução clínica. Como funciona a Escala de Glasgow A ECG avalia três componentes principais da resposta neurológica: Cada componente recebe uma pontuação específica, e a soma gera um escore total entre 3 e 15 pontos Componente Pontuação Abertura ocular 1 a 4 Resposta verbal 1 a 5 Resposta motora 1 a 6 Pontuação total possível:GCS = 3 a 15 A avaliação deve ser registrada preferencialmente no formato clínico completo, por exemplo: GCS 10 (E3 V4 M3) Pontuação detalhada da escala Abertura ocular (E) Pontuação Resposta 4 Olhos abertos espontaneamente 3 Abre os olhos ao comando verbal 2 Abre os olhos à dor 1 Nenhuma abertura ocular Resposta verbal (V) Pontuação Resposta 5 Orientado 4 Confuso 3 Palavras inapropriadas 2 Sons incompreensíveis 1 Nenhuma resposta verbal Resposta motora (M) Pontuação Resposta 6 Obedece comandos 5 Localiza a dor 4 Retirada à dor 3 Flexão anormal (decorticação) 2 Extensão anormal (descerebração) 1 Nenhuma resposta motora Classificação da gravidade da lesão cerebral A pontuação total da escala permite uma classificação inicial da gravidade da lesão cerebral: Pontuação GCS Gravidade 13 – 15 Lesão cerebral leve 9 – 12 Lesão cerebral moderada 3 – 8 Lesão cerebral grave Pacientes com GCS ≤ 8 geralmente apresentam risco de perda da via aérea e podem necessitar de intubação e manejo intensivo. Como usar a ECG na minha rotina? A Escala de Glasgow é amplamente utilizada para orientar decisões clínicas importantes, como: Avaliações seriadas da ECG são essenciais para detectar deterioração neurológica precoce. Como registrar a ECG no prontuário? Sempre que possível, deve-se registrar: Exemplo: GCS 12 (E3 V4 M5) Isso permite identificar qual função neurológica está alterada, algo que a pontuação total isolada pode ocultar. Componentes não testáveis (NT) Em algumas situações clínicas, um componente da escala não pode ser avaliado, por exemplo: Nesses casos, o componente deve ser registrado como NT (não testável). Exemplo: GCS não calculado (E3 VNT M6) Quando um componente é NT, recomenda-se não utilizar a pontuação total, pois isso pode gerar interpretação equivocada. Aplicação em crianças A ECG pode ser utilizada sem modificações em crianças acima de 5 anos. Em lactentes e crianças menores, adaptações são necessárias porque: Por isso existem versões pediátricas da escala, adaptadas para diferentes fases do desenvolvimento. Limitações da Escala de Glasgow Apesar de sua ampla utilização, a ECG apresenta algumas limitações importantes: Por esse motivo, recomenda-se interpretar os componentes individualmente, e não apenas a pontuação total.

‘Ousar para mudar os rumos’: a história da Fisioterapia e Terapia Ocupacional no Brasil

Você já parou para pensar que o direito de exercer a Fisioterapia ou a Terapia Ocupacional, com a autonomia que temos hoje, não caiu do céu? Foi conquistado no “grito”, na ciência e, como diz o título do documentário lançado pelo COFFITO, na ousadia. O filme “Ousar para mudar os rumos”, de direção de Matheus Sampaio, foi lançado para celebrar os 50 anos da regulamentação das profissões fisioterapeuta e terapeuta ocupacional no Brasil. Mais do que uma homenagem, ele é um resgate necessário para quem, às vezes se sente cansado no dia a dia do hospital ou da clínica e esquece de onde viemos. Uma linha do tempo feita de lutas O documentário mergulha profundamente no início de tudo. Houve um tempo em que nossas profissões eram vistas apenas como técnicas auxiliares, sem o reconhecimento da nossa capacidade de diagnóstico e decisão clínica. Rostos que construíram o nosso caminho Um dos pontos mais emocionantes do documentário é ver e ouvir aqueles que abriram as portas para nós. O filme conta com a participação de vários nomes importantíssimos na história da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional do Brasil, como Maria do Carmo Nascimento, Oseás Moura, Derivan Brito, Célia Cunha, Geraldo Barbosa, entre outros. São pioneiros e lideranças que dedicaram décadas de vida para que hoje pudéssemos ter um conselho forte e profissões respeitadas. Ver esses ícones compartilhando suas memórias nos faz sentir parte de uma linhagem de cuidado e resistência. É um lembrete de que não estamos sozinhos: somos a continuidade de um esforço coletivo. Ousar para os rumos que virão Mas o filme não olha apenas para o passado. Ele encara os desafios que ainda virão. Por que você precisa assistir? Este não é apenas um filme sobre o passado; é um guia de identidade. Entender as batalhas contra o Ato Médico ou a mobilização atual pelo Piso Salarial dá armas para defender nossa categoria com muito mais propriedade. Por isso, “Ousar para mudar os rumos” é uma obra obrigatória para todo profissional e, especialmente, para todo estudante. Se você está começando agora, precisa conhecer o alicerce onde está pisando. Se já está na estrada há tempo, precisa desse fôlego para lembrar por que escolheu o cuidado.