No corre-corre do hospital ou até na fila do supermercado, a gente carrega o “olhar clínico” como um superpoder, mas será que ele está calibrado? Muitas vezes, a gente espera um sinal dramático, como uma hemiplegia completa, e deixa passar os sutis. Você saberia reconhecer um caso de AVE rapidamente no dia a dia? Esse teste é para nível profissional…
Faça o teste e descubra.
Teste: Confira se você reconhece um AVE no dia a dia
10 Dicas de Ouro para a Identificação Rápida de um AVE
- Priorize o SAMU (ou o Protocolo Interno): Se você suspeita de AVE em ambiente extra-hospitalar, não tente levar o paciente por conta própria. O SAMU já avisa o hospital de referência, criando uma “vaga zero” e agilizando a tomografia. No hospital, acione o “Código Ouro” ou “Protocolo de AVC” imediatamente.
- O “Ictus” é a informação mais valiosa: Descubra o horário exato em que o paciente foi visto bem pela última vez. Sem essa informação, a equipe de neurologia não consegue decidir pela trombólise ou trombectomia.
- Cuidado com os “Mimics” (Simuladores): A hipoglicemia é a grande mestre dos disfarces. Antes de qualquer coisa, peça ou faça um HGT, se tiver disponível. Um açúcar muito baixo pode paralisar um lado do corpo exatamente como um derrame.
- Lembre-se do “BE FAST”: A escala clássica (Cincinnati) foca muito no motor. O acrônimo BE FAST adiciona dois sinais cruciais: B (Balance – Equilíbrio/Tontura súbita) e E (Eyes – Perda de visão ou visão dupla).
- Atenção ao Desvio de Comedura: Às vezes, o paciente não tem uma queda facial óbvia, mas ao pedir para ele mostrar os dentes ou sorrir, você percebe que um dos sulcos nasogenianos (o “bigode chinês”) está apagado.

- A Fala Não é Só “Enrolada”: Observe se há afasia. Às vezes o paciente fala claramente, mas o que ele diz não faz sentido nenhum (afasia de Wernicke), ou ele entende tudo, mas não consegue articular as palavras (afasia de Broca).
- Não ignore a “Pior Cefaleia da Vida”: No AVE Hemorrágico, a dor de cabeça costuma ser súbita e explosiva. Se o paciente relata que nunca sentiu nada igual, trate como emergência máxima, mesmo que não haja fraqueza motora ainda.
- Histórico de “Ameaça” (AIT): Pergunte se o paciente teve sinais que “foram e voltaram” nas últimas 24 horas. O Ataque Isquêmico Transitório é o maior alerta de que um AVE grave pode acontecer a qualquer momento.
- Pupilas e Nível de Consciência: Um paciente que fica sonolento de repente (rebaixamento) associado a uma assimetria de pupilas (anisocoria) pode estar sofrendo um AVE com efeito de massa ou hemorragia grave.
- Acalme a Família para Colher Dados: No desespero, a família esquece detalhes. Acalme-os para saber se o paciente usa anticoagulantes (como Varfarina ou novos anticoagulantes). Essa informação muda totalmente a conduta da equipe médica.
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Escala de Cincinnati: O “Padrão Ouro” da agilidade no atendimento
Se tem uma ferramenta que todo profissional da saúde precisa ter na ponta da língua (seja você enfermeiro, técnico, fisio ou médico) é a Escala de Cincinnati (ou Cincinnati Prehospital Stroke Scale).
Ela foi desenhada para ser simples, rápida e, acima de tudo, eficaz. O objetivo não é dar um diagnóstico definitivo (isso a tomografia faz), mas sim identificar em segundos se aquele paciente tem uma alta probabilidade de estar sofrendo um AVE.

Os 3 Pilares da Escala
A escala avalia três sinais clínicos fundamentais. Basta pedir ao paciente para realizar três comandos simples:
1. Simetria Facial (O Sorriso)
- O que fazer: Peça ao paciente para mostrar os dentes ou sorrir.
- Normal: Ambos os lados do rosto se movem de forma igual.
- Anormal: Um lado do rosto não se move tão bem quanto o outro, ou a boca parece “torta”.
2. Queda do Braço (O Abraço)
- O que fazer: Peça ao paciente para fechar os olhos e manter os dois braços estendidos para a frente, com as palmas voltadas para cima, por 10 segundos.
- Normal: Ambos os braços permanecem na mesma posição ou se movem de forma igual.
- Anormal: Um dos braços cai ou “deriva” para baixo em relação ao outro.
3. Fala Anormal (A Frase)
- O que fazer: Peça ao paciente para repetir uma frase simples e comum (ex: “O céu é azul” ou “O rato roeu a roupa do rei”).
- Normal: O paciente pronuncia as palavras corretamente, sem enrolar a língua.
- Anormal: O paciente arrasta as palavras (fala “mole”), usa palavras erradas ou simplesmente não consegue falar.
O que torna a Escala de Cincinnati tão respeitada é a sua precisão estatística:
- Se apenas 1 desses três sinais estiver presente, a probabilidade de um AVE é de cerca de 72%.
- Se os 3 sinais estiverem presentes, a probabilidade sobe para mais de 85%.
Dica de Ouro: Se o teste der positivo para qualquer um dos sinais, o próximo passo não é esperar para ver se melhora. É acionar o protocolo de emergência, checar o HGT (para excluir hipoglicemia) e anotar o horário exato do início dos sintomas.

Identificar um AVE é um exercício de observação e rapidez. Quando você domina esses sinais, você deixa de ser apenas um espectador da doença e se torna o primeiro elo da corrente de sobrevivência do paciente.
Qual sinal de AVE você acha que é o mais negligenciado pelas equipes na correria do plantão? Tem alguma dica adicional que queira compartilhar conosco? Coloque nos comentários…
Uma resposta para “Você reconheceria uma AVC rapidamente? Faça o teste.”
Legal!
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