repouso médico

Para quem está de fora, pode parecer descaso. Para quem está lá dentro, no terceiro plantão da semana, a gente sabe que o cansaço não é apenas sono, é um risco real para a segurança do paciente. Mas o que diz a regra? Vamos sair do “ouvi dizer” e olhar para o que a lei e os conselhos determinam.

O que diz a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)

Pela CLT, o plantão de 12 horas (regime 12×36) prevê um intervalo intrajornada de 1 hora para repouso e alimentação.

O Parecer CREMEC Nº 11/2021 (Conselho Regional de Medicina do Ceará)

Este parecer é um marco importante porque traz o conceito de “Pausa para Descanso Alerta”.

A Lei nº 14.602/2023 (Lei do Descanso Digno)

Essa é a vitória mais recente para a Enfermagem, mas que serve de norte para toda a equipe multi. Ela determina que as instituições de saúde (públicas e privadas) são obrigadas a oferecer ambientes de repouso dignos.

Repouso deve seguir determinadas condições adequadas pela LEI Nº 14.602, DE 20 DE JUNHO DE 2023.

A Realidade vs. A Responsabilidade

A lógica deve ser sempre a Segurança do Paciente:

  1. O Sistema de Rodízio: A equipe deve se organizar. Enquanto um descansa, o outro vigia. É a “vigilância mútua”.
  2. Abandono de Plantão: Dormir e deixar o setor desassistido, sem ninguém da sua categoria para responder por uma intercorrência, é infração ética grave.
  3. Humanidade: Ninguém é de ferro. Um cochilo programado de 2 horas pode ser a diferença entre um erro de medicação e um atendimento de excelência às 5 da manhã.

A importunação dos vereadores

A cena vem se repetindo em vários locais do Brasil: um político, geralmente vereador, chega apontando a câmera para o rosto do médico ou da enfermeira nos horários de descanso, questionando a grande fila de pacientes, o tempo de espera ou a falta de um remédio, como se a culpa fosse de quem está atendendo.

Políticos “fiscalizam” unidades em troca de likes.

O impacto na equipe: Esse tipo de “fiscalização-espetáculo” gera um ambiente de medo e desconfiança. O profissional, que já lida com a pressão da doença, agora precisa lidar com o medo de ser “cancelado” por um vídeo editado sem contexto.

O foco errado: Raramente o vídeo mostra a falta de insumos, o aparelho quebrado há meses ou o fato de que há apenas um médico para uma demanda de três. O foco é o “conflito”, porque é isso que gera engajamento em rede social.

A quebra do sigilo: Ao gravar dentro de unidades de saúde, muitas vezes expõe-se não apenas o profissional, mas os próprios pacientes em momentos de vulnerabilidade, ferindo preceitos básicos de ética e privacidade.

Se você passar por uma situação dessas no seu plantão ou na sua clínica, mantenha a calma.

A nossa melhor defesa é a nossa postura técnica, direcionando o político ao gestor da unidade, mantendo a calma e a ética ( pois muitas vezes o que eles querem é o embate para gerar engajamento nas redes), e sempre relate ao seu conselho profissional (eles têm departamentos jurídicos prontos para lidar com o uso político da imagem do profissional).


Como funciona o descanso no seu serviço? Existe um ambiente digno ou você ainda precisa improvisar com poltronas quebradas?

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