
Na pequena casa da família Piland, em fevereiro de 2017, o choro da recém-nascida Abigail ecoava pelas paredes. Era o som da vida começando. Rachel, a mãe, acreditava em um parto perfeito e abençoado em casa. O pai, Joshua, via naquelas horas iniciais a confirmação daquilo que pregava: Deus havia sido generoso.
Entretanto havia um detalhe: logo após o nascimento da filha, a parteira percebeu que a menina estava com icterícia, mas no geral saudável.
Mas no dia seguinte, algo mudou.

Fé e Ciência: Entenda a história
Icterícia. Um sintoma comum, geralmente fácil de tratar com fototerapia. Porém foi nesse ponto que a linha entre a fé e a responsabilidade se tornou uma tragédia.
A bilirrubina, substância facilmente monitorada e controlada, subia perigosamente no sangue de Abigail. A cada hora que passava, sem o devido atendimento médico, ela caminhava para um dano cerebral irreversível. Os pais, Joshua e Rachel, optaram por “acreditar na palavra de Deus em vez dos sintomas”.
A parteira retornou à casa, verificando a persistência da icterícia, e imediatamente informou aos pais para procurarem um serviço de emergência.
– Vocês precisam procurar atendimento agora”, orientou ela, com calma.
Rachel respirou fundo. Olhou para a filha. Depois, para o marido.
-“Não”, respondeu. “Abigail está bem. Deus não comete erros.”
E então, no terceiro dia de vida… o silêncio. A bebê estava morta. Mas, em vez de chamar uma ambulância, Joshua e Rachel Piland chamaram amigos. Amigos que vieram não com estetoscópios, mas sim com Bíblias. Chegaram não para levar Abigail ao hospital, mas para tentar “ressuscitá-la”.
Somente nove horas depois da morte, quando a polícia chegou, o casal e os amigos ainda estavam ajoelhados, orando sobre o corpo.
Joshua permaneceu convicto:
– “Eu não teria feito nada diferente.”
– “Se tivesse que escolher entre colocar minha filha nas mãos dos melhores médicos do mundo ou nas mãos de Jesus Cristo, escolheria Jesus.”

Mas Abigail precisaria apenas de fototerapia, de cuidados simples, de uma ida ao hospital. Precisaria da medicina que os pais recusaram.
A autópsia confirmou:
A bebê morreu por excesso de bilirrubina no cérebro. A mesma icterícia que a parteira avisou no primeiro dia.
O tribunal foi categórico: a escolha dos pais não foi fé e sim negligência.
E essa negligência custou uma vida que tinha horas, dias, meses, anos a viver.
Joshua e Rachel foram condenados a 20 a 45 anos de prisão, não por acreditarem em Deus — mas por acreditarem que a fé deveria substituir cuidados médicos básicos.



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