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A agitação psicomotora é um dos desafios mais pesados da nossa rotina. É aquele “olho do furacão” onde a gente precisa ser, ao mesmo tempo, técnico, ágil e extremamente calmo, mesmo quando o coração está batendo a mil por hora.

Lidar com um paciente agressivo ou em crise não é sobre “quem manda mais”. É sobre segurança: a dele e a nossa. E, acima de tudo, é sobre entender que, por trás daquela violência, existe um sofrimento que transbordou.

A conduta para o manejo desse tipo de paciente deve envolver toda a equipe, dos profissionais da saúde à equipe de segurança.

O primeiro passo: o ambiente e a palavra

Antes de qualquer agulha, vem o nosso comportamento. O manejo não farmacológico é a nossa primeira ferramenta, e talvez a mais difícil de aplicar no cansaço do plantão:

O remédio que acalma, mas não apaga

Quando a conversa não basta, o manejo farmacológico entra em cena. Mas o objetivo aqui mudou: a gente não busca mais o “nocaute” nos dias atuais.

O recurso extremo: a contenção física

A contenção física nunca deve ser uma punição ou um ato de “calar” o paciente. Ela é um último recurso, usado apenas quando há risco real para ele ou para a equipe. O objetivo principal é proteger o paciente das pessoas ao redor.

Se precisar conter, que seja:

  • Ético e técnico: Com critérios claros e equipe treinada.
  • Temporário: O paciente deve ser liberado assim que estabilizar, de forma amigável e sem mágoas. É um “estamos fazendo isso para te proteger”, e não “estamos te prendendo”. O ideal é que seja avaliado pela equipe a cada 30 minutos

A equipe para contenção deve ter pelo menos 05 pessoas, que atuam de forma coordenada. Um dos profissionais, que coordena o grupo, deve se manter visível para o paciente durante todo o período. Este profissional também busca tranquilizar a pessoa agitada e transmitir segurança. As outras quatro pessoas atuam simultaneamente em cada membro do paciente, tendo o cuidado de proteger as articulações contra entorses ou distensões.

Os materiais utilizados nas contenções físicas devem ser de tecido largo, não elástico e devem ser resistentes, preferivelmente as faixas específicas de contenção. Devem ser periodicamente verificadas se não estão promovendo garroteamento, edema, ou lesões na pele.

Devem ser presas à base da cama, não às grades laterais, para evitar lesões vasculares e nervosas em decorrência de movimentos.

Antecipando a tempestade: o que observar?

Muitas vezes, a agressividade é o último estágio de um medo ou de uma frustração que não foi acolhida. Se a gente conseguir “ler” os sinais antes, o desfecho pode ser muito mais tranquilo. Então, é bom a gente ficar de olho em:

O que a gente pode fazer para desarmar a crise?

Referências

Diretoria de Serviços de Saúde Mental – DISSAM. Protocolo: Manejo da Agitação Psicomotora Aguda

Gaynes BN, Brown C, Lux LJ, et al. Estratégias para reduzir o comportamento agressivo em pacientes psiquiátricos [Internet]. Rockville (MD): Agency for Healthcare Research and Quality (EUA); julho de 2016. (Revisões de Efetividade Comparativa, nº 180.) Introdução. 
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK379388/