
Nesta segunda-feira (19), o MEC e o Ministério da Saúde divulgaram o balanço do Enamed 2025. Mais do que apenas notas, esses números traçam um mapa de como está o ensino médico no Brasil.
O cenário atual: Luzes e alertas
Ao todo, 351 cursos de medicina passaram pelo exame. O resultado geral traz um alento de certa forma, mas também pontos que pedem nossa atenção:
- A boa notícia: Cerca de 67% das instituições (204 cursos) alcançaram conceitos satisfatórios (de 3 a 5). Isso mostra que muita gente está saindo da graduação com uma base sólida para enfrentar o mundo real.
- O sinal de alerta: Por outro lado, 99 cursos ficaram nas faixas 1 e 2. Isso significa que, nessas instituições, menos de 60% dos alunos tiveram um desempenho considerado adequado.
- Supervisão necessária: O governo já sinalizou que esses cursos com baixo desempenho passarão por supervisão rigorosa. Em alguns casos, haverá suspensão de novas vagas ou de participação no Fies. O objetivo, como disse o ministro, não é punir o aluno, mas garantir que ninguém saia da faculdade sem saber o básico para cuidar de uma vida.
A gente sabe que a faculdade é a nossa base, mas é no hospital, na UPA e no postinho que a teoria ganha rosto e nome. Por isso, a qualidade do ensino não é apenas um número no MEC; é a segurança de quem vai estar ao nosso lado no plantão.

Um muro no final do caminho?
A ideia em estudo pelo CFM é direta: alunos que ficaram nos conceitos 1 e 2 no Enamed não poderiam retirar o seu CRM. Estamos falando de um universo de aproximadamente 13 mil estudantes que, hoje, vivem a incerteza de saber se o diploma será suficiente para começar a trabalhar.
Para o Conselho, a medida é uma forma de garantir que apenas quem demonstra o conhecimento mínimo necessário chegue ao paciente. Por outro lado, para quem está na ponta, sentindo o cansaço acumulado de seis anos, a notícia soa como uma punição individual por falhas que, muitas vezes, são do sistema de ensino.
O que a gente vê nessa discussão é:
- A pressão que aumenta: Já não basta a pressão da residência e dos últimos estágios; agora existe o medo real de ser impedido de exercer a profissão.
- O foco na qualidade: O debate reforça que não basta abrir escolas médicas; é preciso garantir que elas entreguem formação de verdade.
- A angústia de quem espera: São 13 mil colegas que estão agora em um “limbo”, sem saber se o esforço de anos será validado por uma única prova.
Entre a técnica e a pessoa
A gente sabe que a segurança do paciente é inegociável. Queremos bons médicos ao nosso lado no plantão, pessoas que saibam conduzir uma emergência com segurança. Mas aqui no Café na Copa, a gente também olha para quem está atrás do jaleco.
Uma nota 1 ou 2 define toda a trajetória de um aluno? Ou reflete uma faculdade que deixou a desejar na infraestrutura e no ensino? Barrar o registro resolve o problema da qualidade da saúde no Brasil ou apenas isola o sintoma de uma doença maior na educação?
Queremos ouvir quem está vivendo isso na pele:
O que você acha dessa proposta do CFM? É uma medida necessária para a segurança do paciente ou uma injustiça com quem pagou caro (com tempo ou dinheiro) por uma formação que o MEC autorizou?
A copa está aberta para o desabafo. Deixe seu comentário e vamos conversar sobre o futuro da nossa profissão lá no fórum.

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