(CFF) Vacina nacional contra a dengue chega ao SUS

O Governo Federal anunciou o início da vacinação contra a dengue para todos os profissionais de saúde da atenção primária do SUS. O imunizante utilizado será a Butantan-DV, a primeira vacina do mundo em dose única e 100% brasileira, protegendo contra os quatro sorotipos da doença. O Ministério da Saúde já adquiriu 3,9 milhões de doses para garantir que quem está na ponta do atendimento receba essa proteção prioritária. Muitas vezes, a gente se acostuma tanto a ser quem aplica a vacina, quem orienta o paciente e quem combate o foco do mosquito, que esquece que também somos vulneráveis. Ver a chegada de uma tecnologia nossa, pensada para a nossa realidade e em dose única, é um sopro de esperança. Para o farmacêutico, o enfermeiro, o médico e o agente de saúde que vivem o cansaço das epidemias de dengue ano após ano, essa notícia é um reconhecimento de que a sua saúde importa. É o SUS olhando para dentro e protegendo quem sustenta o sistema. No meio de tanta correria, é bom saber que, desta vez, a fila da proteção também é nossa.

Anvisa apresenta novos modelos de receituários controlados

Se você trabalha com prescrição de medicamentos controlados, sabe que a logística dos blocos amarelos (Tipo A) sempre foi um gargalo. A partir de agora o jogo mudou. A ANVISA publicou a RDC 1.000/2025, que marca o fim de uma era: a impressão oficial exclusiva pelo poder público. Agora, a responsabilidade (e a autonomia) de imprimir todos os modelos de receituários controlados passa a ser também dos profissionais e das instituições de saúde. Vamos entender o que isso significa na prática do seu consultório ou hospital, sem complicação. O que muda no seu carimbo a partir de agora? A grande novidade é a liberdade de impressão. Sabe aquela ida à Vigilância Sanitária só para buscar os blocos amarelos? Isso ficou no passado. ⚠️ O que NÃO mudou (Atenção aqui!) A autonomia aumentou, mas o controle continua rigoroso. Não é “imprimir de qualquer jeito”: Olhando para o futuro: O SNCR e a Receita Eletrônica Toda essa mudança faz parte de um plano maior da ANVISA para tornar a prescrição mais segura e rastreável. O SNCR é a plataforma que centraliza tudo isso. Fique atento: Até junho de 2026, a ANVISA promete lançar uma ferramenta dentro deste sistema para a emissão eletrônica de todos os receituários controlados. Isso será o fim definitivo do papel e um salto enorme na nossa segurança jurídica e na conveniência para o paciente. Guia Rápido de Sobrevivência: Um respiro na burocracia A gente sabe o quanto a papelada cansa. Essa mudança é um passo importante para que a gente gaste menos tempo em filas de órgãos públicos e mais tempo focados no que realmente importa: o cuidado com o paciente. Desburocratizar não é apenas facilitar a vida do médico; é garantir que o paciente não fique sem o remédio porque o “bloco acabou na Vigilância”. É humanizar o acesso. Como é a logística de receituários na sua cidade? A Vigilância local costuma ser rápida ou essa mudança vai salvar a sua rotina? Vamos trocar essa figurinha na nossa copa!

Saúde nos EUA vs. Saúde no Brasil

A gente cresce vendo filmes onde os hospitais americanos são impecáveis, tecnológicos e ultrarápidos. Mas, como quem está no “chão de fábrica” da saúde sabe que a realidade tem camadas que o cinema não mostra. Quando olhamos para os EUA comparados ao SUS, a conversa deixa de ser sobre “quem é melhor” e passa a ser sobre “quem consegue cuidar de quem”. Queremos apresentar nesse post uma análise sobre a saúde de forma geral nos EUA e comparar com a nossa saúde aqui no Brasil. Confira: Os EUA são uma referência para nós? Depende do que você está procurando. Se falarmos de tecnologia de ponta, pesquisa científica e tratamentos experimentais, sim, eles são o topo do mundo. Os maiores centros de trauma e as cirurgias mais complexas muitas vezes nascem lá. Mas, se a pergunta for sobre Saúde Pública (o cuidado com a população como um todo), os EUA são frequentemente usados em congressos mundiais como um exemplo de custo ineficiente. Eles gastam muito mais por pessoa do que o Brasil, mas têm indicadores de saúde (como mortalidade infantil em certas regiões) que assustam para um país tão rico. E como fica quem não tem dinheiro? Lá não existe uma “rede única” como a nossa. O atendimento para os mais pobres funciona através de programas específicos: Além disso, ter o hospital é uma coisa, ter o profissional disponível é outra. Nos EUA, acontece um fenômeno triste: Mas e os hospitais de médio/pequeno porte? Essa é uma excelente pergunta. Quando a gente pensa em EUA, logo vem à mente o Grey’s Anatomy, com hospitais gigantescos. Mas os EUA também tem seus Hospitais de Pequeno e Médio Porte, e é aí que a comparação com o nosso SUS fica ainda mais interessante. Nos EUA, o equivalente ao nosso hospital municipal ou àquela UPA maior são os Community Hospitals (Hospitais Comunitários) e, especificamente nas áreas rurais, os Critical Access Hospitals (CAH). Os Critical Access Hospitals são pensados para áreas onde o próximo hospital está muito longe. Eles têm regras bem parecidas com os nossos HPPs (Hospitais de Pequeno Porte): Se entrarmos em um hospital de 20 leitos no interior do Kansas e em um de 20 leitos no interior de Minas Gerais, veremos diferenças gritantes: Mas não se engane: ter uma estrutura melhor não significa que o sistema funciona melhor para a comunidade. Seguros de Vida e Planos de Saúde Diferente do Brasil, onde o plano de saúde é um “extra”, nos EUA ele é a sua única proteção. Os custos médicos americanos continuam subindo, e a dívida hospitalar ainda é a maior causa de falência pessoal por lá. Para a gente que está acostumado a tratar o paciente sem olhar para a conta bancária dele, esses valores parecem surreais. Lá a conta não é uma só. O paciente recebe vários boletos: um do hospital, um do cirurgião, um do anestesista e até um dos exames laboratoriais. Se o anestesista daquela noite estiver “fora da rede” do seguro do paciente, a conta pode triplicar. Depois de tanto falar sobre as contas e hospitais, a gente acaba chegando numa reflexão que é muito comum na nossa copa: o que a gente faz com tudo isso? Não precisamos ser “fãs” de um sistema e “inimigos” do outro. O olhar maduro é saber que podemos aprender com a eficiência deles sem abrir mão da nossa humanidade. Se pudéssemos “importar” algumas coisas da saúde americana sem trazer o modelo de cobrança, o nosso dia a dia seria muito mais leve: Inspirações da Saúde Pública dos EUA (O que podemos “importar”) Outros pontos interessantes que podemos nos inspirar: Cultura de Gestão e Processos: Lá, o fluxo do paciente é desenhado para não haver desperdício de tempo. Tudo é protocolado e medido. Isso diminui a sobrecarga da equipe porque cada um sabe exatamente o seu papel no “engrenagem”. Integração Tecnológica: O prontuário eletrônico deles realmente funciona e “conversa” entre as unidades. O médico da emergência sabe o que o cardiologista prescreveu no consultório há dois meses. Isso é segurança para o paciente e agilidade para nós. Valorização da Educação Continuada: A cultura de estar sempre se atualizando (como o TAE que comentamos antes) e o investimento em pesquisa clínica são referências. Eles entendem que o hospital também é um lugar de produzir ciência, não só de “apagar incêndio”. Manutenção Preventiva: Eles não esperam o ar-condicionado pifar ou o tomógrafo quebrar para agir. Existe um rigor com a infraestrutura que faz com que o ambiente de trabalho seja mais funcional e menos estressante. O que aprender a NÃO fazer igual

(CFF) O debate sobre a quebra de patente do Mounjaro

A Câmara dos Deputados aprovou, com 337 votos favoráveis, o regime de urgência para o projeto de lei que prevê a quebra de patente dos medicamentos Mounjaro e Zepbound (tirzepatida). A medida visa permitir que outros laboratórios produzam o fármaco, reduzindo custos e facilitando a incorporação pelo SUS. Com a urgência, o texto segue direto para votação em plenário, sem passar pelas comissões. A Análise: Para quem está na linha de frente, a “novidade do momento” nas prescrições costuma vir acompanhada de um abismo: o acesso. Ver um movimento que busca baratear uma tecnologia tão eficaz é, em teoria, um alento para quem lida com pacientes que não conseguem arcar com tratamentos de alto custo. No entanto, a quebra de patente do mounjaro é um tema sensível, que mexe com incentivos à pesquisa e com a sustentabilidade da indústria que cria essas moléculas. Vamos conversar? Como você vê essa corrida pela tirzepatida no seu dia a dia? Você sente que a quebra de patente ajudaria a organizar o acesso ou teme que isso mude a segurança do tratamento? Chega mais na nossa Copa. O fórum é o lugar para a gente desabafar sobre as dificuldades do acesso e compartilhar nossas percepções sobre o que realmente muda na vida do paciente.

(CFBio) Oncobiologia: A biologia ganha seu espaço oficial no cuidado ao câncer

O Conselho Federal de Biologia (CFBio) oficializou o nome Oncobiologia para a especialidade de biólogos e biólogas que atuam no campo do câncer. A decisão, aprovada por 70% em consulta pública, abre caminho para a criação de diretrizes de residências multiprofissionais exclusivas para a categoria e provas de título de especialista. A Análise: Quando uma profissão da saúde delimita seu espaço e cria residências próprias, quem ganha é o paciente e toda a equipe. Ver a Oncobiologia ganhar corpo é entender que o cuidado com o câncer não acontece só no leito ou na quimioterapia; ele começa na bancada, na análise genética e no entendimento profundo da célula. Para o biólogo, é um abraço de reconhecimento em uma trajetória que muitas vezes parece solitária entre microscópios. No fim do dia, estamos todos olhando para o mesmo lado, tentando decifrar a vida para protegê-la. Vamos conversar? Como essa especialização em oncobiologia do Biólogo conversa com a sua rotina? Você sente que as fronteiras entre as profissões estão ficando mais claras ou mais misturadas? Chega mais na nossa Copa. O fórum é o lugar onde a gente tira o jaleco e conversa sobre como é trabalhar junto.

A conta que a gente esquece de fazer: quanto custa o valor da sua consulta?

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Você já teve aquela sensação no final do mês, de que trabalhou como um louco, atendeu dezenas de pessoas, mas a conta bancária e o seu nível de cansaço simplesmente não batem? A gente senta, toma um café rápido e volta para o próximo paciente, muitas vezes sem coragem de encarar os números. Com isso nunca sabemos qual valor da consulta seria ideal para a nossa rotina. Falar de dinheiro na saúde ainda é um tabu. Parece que, se cobrarmos o que é justo, estamos sendo “menos humanos”. Mas a verdade é o oposto: um profissional exausto e financeiramente sufocado não consegue oferecer o melhor cuidado. Quanto custa meu atendimento? Para tirar esse peso das suas costas e trazer um pouco de clareza para a sua rotina, criamos a Calculadora de Valor do Atendimento. Ela não é uma regra, nem vai te dizer “o que” cobrar. Pense nela como um espelho. Muitas vezes, a gente subestima o que entrega. O seu atendimento não são apenas os 40 ou 60 minutos em que o paciente está na sua frente. Para aquele momento acontecer, existe: Como calcular o valor da minha consulta? Para que o resultado seja o mais fiel possível à sua realidade, tente preencher cada campo com um olhar generoso sobre o seu próprio esforço: 1. Seus custos fixos: Não é só o aluguel. Coloque aqui tudo o que você gasta para “existir” profissionalmente: CRP/CRM/CREFITO, softwares de prontuário, internet, deslocamento e até aquele curso de atualização. Mesmo se você atende online, seu trabalho tem custo. 2. Sua meta de renda: Esqueça o valor de “sobrevivência”. Pense em quanto você precisa para viver com dignidade, ter lazer, se alimentar bem e fazer uma reserva. Se você não define sua meta, o mercado define por você. 3. Volume de atendimentos: Seja realista. Quantas pessoas você consegue atender por mês sem chegar ao esgotamento? Lembre-se de descontar as faltas e o tempo necessário para respirar entre um paciente e outro. 4. O tempo real do cuidado: Seu atendimento não são apenas os minutos com o paciente na sala. Calcule também o tempo que você gasta escrevendo a evolução, estudando o caso e respondendo mensagens. Se o olho no olho dura 40 minutos, mas o trabalho total leva 60, o número real é 60. 5. Complexidade e responsabilidade: Nem todo atendimento pesa igual. Ajuste o nível de complexidade conforme a carga emocional e o risco envolvido. Reconhecer a complexidade não é ego, é honestidade técnica. Calculadora de Valor do Atendimento Esta ferramenta é apenas uma estimativa educacional para ajudar profissionais da saúde a refletirem sobre o valor mínimo sustentável do seu atendimento. Custos mensais (R$) Meta de renda mensal (R$) Atendimentos por mês Tempo médio por atendimento (min) Complexidade do atendimento BaixaModeradaAlta Calcular valor mínimo 💡 Este valor não define quanto você deve cobrar, mas quanto seu atendimento precisa valer para ser sustentável. Sustentabilidade também é ética Quando a gente não define uma meta de renda a partir do valor da consulta e um limite saudável de atendimentos, o mercado define por nós. E o mercado, geralmente, puxa para baixo. Se a conta não fecha, alguém está pagando a diferença. E na maioria das vezes quem paga é a sua saúde, o seu tempo com a família ou a sua paciência com quem você ama. Cuidar de si para poder cuidar do outro não é egoísmo, é sustentabilidade. Use a calculadora tranquilamente. Caso o resultado mostre que você deveria estar cobrando mais do que cobra hoje, não se culpe: use essa informação como uma bússola para pequenos ajustes futuros. O objetivo é que você possa trabalhar com dignidade, sem precisar se esgotar para pagar as contas básicas. Afinal, a medicina, a fisioterapia, a nutrição, a enfermagem, etc; são paixões, mas também são a nossa fonte de renda. Toma seu café. Olhar para os números pode dar um frio na barriga, mas é o primeiro passo para você voltar a respirar aliviado no final do mês.

Como lidar com pacientes agressivos sem perder a humanização?

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A agitação psicomotora é um dos desafios mais pesados da nossa rotina. É aquele “olho do furacão” onde a gente precisa ser, ao mesmo tempo, técnico, ágil e extremamente calmo, mesmo quando o coração está batendo a mil por hora. Lidar com um paciente agressivo ou em crise não é sobre “quem manda mais”. É sobre segurança: a dele e a nossa. E, acima de tudo, é sobre entender que, por trás daquela violência, existe um sofrimento que transbordou. A conduta para o manejo desse tipo de paciente deve envolver toda a equipe, dos profissionais da saúde à equipe de segurança. O primeiro passo: o ambiente e a palavra Antes de qualquer agulha, vem o nosso comportamento. O manejo não farmacológico é a nossa primeira ferramenta, e talvez a mais difícil de aplicar no cansaço do plantão: O remédio que acalma, mas não apaga Quando a conversa não basta, o manejo farmacológico entra em cena. Mas o objetivo aqui mudou: a gente não busca mais o “nocaute” nos dias atuais. O recurso extremo: a contenção física A contenção física nunca deve ser uma punição ou um ato de “calar” o paciente. Ela é um último recurso, usado apenas quando há risco real para ele ou para a equipe. O objetivo principal é proteger o paciente das pessoas ao redor. Se precisar conter, que seja: A equipe para contenção deve ter pelo menos 05 pessoas, que atuam de forma coordenada. Um dos profissionais, que coordena o grupo, deve se manter visível para o paciente durante todo o período. Este profissional também busca tranquilizar a pessoa agitada e transmitir segurança. As outras quatro pessoas atuam simultaneamente em cada membro do paciente, tendo o cuidado de proteger as articulações contra entorses ou distensões. Os materiais utilizados nas contenções físicas devem ser de tecido largo, não elástico e devem ser resistentes, preferivelmente as faixas específicas de contenção. Devem ser periodicamente verificadas se não estão promovendo garroteamento, edema, ou lesões na pele. Devem ser presas à base da cama, não às grades laterais, para evitar lesões vasculares e nervosas em decorrência de movimentos. Antecipando a tempestade: o que observar? Muitas vezes, a agressividade é o último estágio de um medo ou de uma frustração que não foi acolhida. Se a gente conseguir “ler” os sinais antes, o desfecho pode ser muito mais tranquilo. Então, é bom a gente ficar de olho em: O que a gente pode fazer para desarmar a crise? Referências Diretoria de Serviços de Saúde Mental – DISSAM. Protocolo: Manejo da Agitação Psicomotora Aguda Gaynes BN, Brown C, Lux LJ, et al. Estratégias para reduzir o comportamento agressivo em pacientes psiquiátricos [Internet]. Rockville (MD): Agency for Healthcare Research and Quality (EUA); julho de 2016. (Revisões de Efetividade Comparativa, nº 180.) Introdução. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK379388/

OMB vs. AMB: O que está por trás da disputa pelos títulos de especialista?

Senta aqui, vamos tomar um café e conversar sobre um assunto que está na conversa dos corredores e fazendo os grupos de especialidades médicas pegarem fogo: a criação da Ordem Médica Brasileira (OMB) e a queda de braço judicial com as entidades tradicionais (AMB e CFM). Se você é um dos 250 mil médicos generalistas no Brasil ou está na luta para conseguir o seu RQE, esse tema toca diretamente no seu futuro. Vamos entender o que está acontecendo com a clareza que o momento pede. O cenário: Um funil apertado Atualmente, o caminho para ser reconhecido como especialista no Brasil é um funil estreito. Segundo o Decreto 8.516/2015, só existem duas portas: a Residência Médica (CNRM) ou a Prova de Título da AMB. O problema é que o Brasil tem hoje um contingente imenso de médicos que, por diversos motivos (falta de vagas de residência, provas com baixíssimos índices de aprovação ou barreiras geográficas), permanecem como generalistas, mesmo tendo anos de prática em áreas específicas. É nesse cenário de “gargalo” que a OMB quer surgir. O que propõe a nova Ordem (OMB)? A OMB se diz como uma alternativa baseada no pluralismo e na livre concorrência. O argumento deles é constitucional: a ideia de que nenhuma entidade privada (como a AMB) deveria ter o monopólio de dizer quem é ou não especialista em um país com as dimensões do Brasil. O contra-ataque: AMB e CFM Do outro lado, as entidades tradicionais não ficaram paradas. Para o CFM e a AMB, a criação de títulos fora do eixo oficial é um risco à segurança do paciente e pode gerar uma confusão imensa na população. A disputa já está nos tribunais, com decisões que ora protegem a liberdade de associação da OMB, ora reforçam as prerrogativas da AMB. RQE Atual vs. Proposta da OMB: O que muda na sua rotina? Independente de qual sigla saia vitoriosa dessa disputa, o fato é que a medicina brasileira está mudando. O modelo de exclusividade está sendo questionado e a demanda por transparência e acesso nunca foi tão alta. Seja qual for o seu lado nessa história, lembre-se: o título na parede é importante, mas o que sustenta o seu plantão é o conhecimento que você aplica e o respeito que você dedica ao paciente e aos colegas.

Calculadora de Gasometria Arterial

Calculadora de Gasometria Arterial pH PaCO₂ (mmHg) HCO₃⁻ (mEq/L) Base Excess (BE) PaO₂ (mmHg) SatO₂ (%) Interpretar Gasometria Arterial Ânion Gap / Delta Gap Fórmula de Winter Sódio (Na⁺) Cloro (Cl⁻) Calcular Ânion Gap Sabe aquele som da máquina de gasometria processando a amostra? Para quem está na UTI, na emergência ou no pós-operatório, aqueles segundos de espera parecem uma eternidade. A gasometria arterial é, talvez, um dos exames mais democráticos e viscerais da nossa rotina. O desafio do raciocínio clínico A gente sabe que, no papel, a teoria é linda. Mas, na vida real, a gaso chega no meio de uma intercorrência, com o monitor apitando e a cabeça cheia de outras pendências. É nessa hora que o Anion Gap, a Regra de Winter e as compensações esperadas começam a se misturar na mente cansada. Calcular se uma acidose metabólica está sendo compensada adequadamente ou entender a origem de um distúrbio complexo exige um esforço cognitivo enorme quando estamos há 10 horas de pé. Errar uma conta não é o que a gente quer para o nosso paciente. Uma ferramenta para complementar o seu raciocínio (e não para o lugar dele) Pensando em dar um “respiro” para a nossa rotina, criamos uma Calculadora de Interpretação Rápida de Gasometria. Ela foi desenhada para ser aquele colega que te ajuda a conferir o caminho. Além da interpretação básica, ela já entrega o cálculo do Ânion Gap e a Fórmula de Winter de forma instantânea. Um lembrete importante da nossa copa: A calculadora é uma ferramenta complementar. Ela não substitui o seu olho clínico, a história do paciente ou aquele “feeling” que só quem está à beira do leito desenvolve. Ela serve para validar o seu raciocínio, agilizar as contas chatas e te dar mais segurança para tomar a decisão final. A tecnologia deve servir para tirar o peso burocrático das nossas costas e nos deixar livres para o que realmente importa: o cuidado humano. Que essa ferramenta seja um apoio para que você se sinta mais seguro e menos sobrecarregado no próximo resultado que sair da máquina. A gente não precisa fazer tudo “no braço” para ser um bom profissional. Ser bom profissional é saber usar os recursos disponíveis para oferecer o melhor desfecho possível. Acesse, teste com seus próprios casos e diga o que achou.Isso aqui é construção coletiva da saúde.

Antibióticos e a nova resolução da enfermagem

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A partir de agora, a lista de medicamentos que a enfermagem podem prescrever foi ampliada e inclui antibióticos conhecidos, como a amoxicilina, azitromicina e eritromicina. A mudança veio após a Anvisa e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) atualizarem seus sistemas, autorizando essa indicação. Como era de se esperar, o tema levantou poeira. O Conselho Federal de Medicina (CFM) já se manifestou contra, preocupado com as competências técnicas e a legislação. Mas, antes de a gente entrar nessa “guerra de conselhos”, vamos sentar aqui na copa e conversar sobre o que isso significa no dia a dia. Cofen e CFM A ideia do Cofen é clara: ampliar o acesso. Quem trabalha na Atenção Primária, em programas de saúde da família ou em regiões remotas, sabe como a agilidade faz diferença. Muitas vezes, o enfermeiro já acompanha aquele paciente de perto, conhece o histórico e segue protocolos rigorosos. Por outro lado, o CFM foca na exclusividade do diagnóstico médico e na formação específica para o manejo de certas drogas. Mas, cá entre nós: no leito do hospital ou na salinha do posto, o paciente não quer saber de disputa de títulos. Ele quer alívio, quer cura e quer ser visto. Na vida real, a gente já trabalha de forma mútua. O médico confia no olhar clínico do enfermeiro que está ali 24 horas, e o enfermeiro conta com o diagnóstico preciso do médico para guiar o plano de cuidado. Espaço para todos, foco no paciente A verdade é que a saúde é um território imenso e tem espaço para todo mundo. Quando a gente gasta energia discutindo “quem manda mais”, quem perde é o sistema. O avanço da enfermagem como prescritora em protocolos estabelecidos não precisa ser uma “invasão”, mas sim uma ferramenta para desafogar as filas e fazer a saúde chegar onde ela é mais urgente. Um respiro para quem está no meio disso Se você é enfermeiro e está feliz com a conquista, ou se é médico e está preocupado com os rumos da profissão, respira fundo. As instituições vão debater as leis e os tribunais vão dar a palavra final. Enquanto isso, aqui na realidade prática, o que sustenta o nosso trabalho é a confiança que temos um no outro. Nenhum carimbo é mais forte do que uma equipe que se respeita e trabalha junta. No final do plantão, o que a gente quer é o mesmo: ver o paciente recuperado e saber que fizemos o nosso melhor. Queremos saber a sua opinião sem julgamentos: Como você vê essa ampliação da prescrição pela Enfermagem no seu dia a dia? Você acredita que isso ajuda a agilizar o atendimento ou sente que precisamos de mais debate sobre a formação? Vem participar desse debate no nosso fórum. Vamos conversar com respeito, ouvindo quem está na linha de frente e entende a realidade da ponta.