SAMU: Os desafios de constatar um óbito no asfalto

Esta semana, uma notícia gelou o coração de quem trabalha na ponta: uma médica do SAMU constatou o óbito de uma mulher no asfalto após um atropelamento, mas, na hora de remover o corpo, um socorrista percebeu movimentos torácicos. A paciente foi reanimada e hoje luta pela vida em uma UTI. Para quem está de fora, parece um erro primário. Para quem vive a realidade da rua, esse é um dos maiores pesadelos possíveis. Aqui a gente sabe que o asfalto não é o hospital. Não tem luz perfeita, silêncio ou monitores de última geração. Tem barulho, chuva, curiosos e a pressão de um relógio que corre contra você. A técnica e o caos Constatar um óbito fora do hospital (no APH) é uma responsabilidade imensa e, às vezes, traiçoeira. O protocolo do SAMU possui dois caminhos, mas ambos exigem nervos de aço: Mas por que o erro pode acontecer? Quem já atendeu no meio de uma rodovia sabe: a hipotermia (o corpo frio) e a hipotensão severa (pressão muito baixa) podem esconder os sinais de vida. O pulso fica tão fino que a luva de latex impede o tato. O barulho dos carros e das sirenes impede a ausculta. Roupas grossas ou ferragens de um carro batido dificultam ver se o tórax está subindo. No meio do caos, os nossos sentidos podem ser enganados. Na dúvida, a vida primeiro É por isso que a orientação de ouro no APH é: na dúvida, inicie a reanimação. Fora do ambiente controlado, a tecnologia é limitada. O protocolo existe para nos proteger e proteger o paciente, prevendo que se inicie as manobras e se busque ajuda especializada o quanto antes. Errar para o lado da vida — ou seja, tentar reanimar alguém que talvez já tenha partido — é sempre o caminho mais seguro para a consciência e para a ética. Um recado para quem carrega essa decisão A gente sabe que ninguém sai de casa querendo errar. O peso de uma decisão dessas no meio da rua é algo que poucos entendem. Se você trabalha no SAMU, nos Bombeiros ou no resgate rodoviário, saiba que a sua dedicação em um ambiente tão hostil é gigante. Nós somos humanos, e os nossos sentidos têm limites. Que esse caso sirva de lembrete para a gente nunca baixar a guarda, mas também para acolhermos uns aos outros na dificuldade que é decidir sobre a vida e a morte sob a luz do giroflex. Você que trabalha no APH, já viveu alguma situação onde foi difícil ter certeza se o paciente ainda estava conosco? Como você lida com a pressão de decidir parar (ou não) uma reanimação no meio da rua? Compartilha sua experiência com a gente aqui nos comentários. Ouvir quem vive o mesmo que a gente ajuda a tornar o peso da decisão um pouco mais leve.
ENAMED 2025: O que os números dizem sobre a formação médica?

Nesta segunda-feira (19), o MEC e o Ministério da Saúde divulgaram o balanço do Enamed 2025. Mais do que apenas notas, esses números traçam um mapa de como está o ensino médico no Brasil. O cenário atual: Luzes e alertas Ao todo, 351 cursos de medicina passaram pelo exame. O resultado geral traz um alento de certa forma, mas também pontos que pedem nossa atenção: A gente sabe que a faculdade é a nossa base, mas é no hospital, na UPA e no postinho que a teoria ganha rosto e nome. Por isso, a qualidade do ensino não é apenas um número no MEC; é a segurança de quem vai estar ao nosso lado no plantão. Um muro no final do caminho? A ideia em estudo pelo CFM é direta: alunos que ficaram nos conceitos 1 e 2 no Enamed não poderiam retirar o seu CRM. Estamos falando de um universo de aproximadamente 13 mil estudantes que, hoje, vivem a incerteza de saber se o diploma será suficiente para começar a trabalhar. Para o Conselho, a medida é uma forma de garantir que apenas quem demonstra o conhecimento mínimo necessário chegue ao paciente. Por outro lado, para quem está na ponta, sentindo o cansaço acumulado de seis anos, a notícia soa como uma punição individual por falhas que, muitas vezes, são do sistema de ensino. O que a gente vê nessa discussão é: Entre a técnica e a pessoa A gente sabe que a segurança do paciente é inegociável. Queremos bons médicos ao nosso lado no plantão, pessoas que saibam conduzir uma emergência com segurança. Mas aqui no Café na Copa, a gente também olha para quem está atrás do jaleco. Uma nota 1 ou 2 define toda a trajetória de um aluno? Ou reflete uma faculdade que deixou a desejar na infraestrutura e no ensino? Barrar o registro resolve o problema da qualidade da saúde no Brasil ou apenas isola o sintoma de uma doença maior na educação? Queremos ouvir quem está vivendo isso na pele: O que você acha dessa proposta do CFM? É uma medida necessária para a segurança do paciente ou uma injustiça com quem pagou caro (com tempo ou dinheiro) por uma formação que o MEC autorizou? A copa está aberta para o desabafo. Deixe seu comentário e vamos conversar sobre o futuro da nossa profissão lá no fórum.
Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé

A Anvisa emitiu um alerta importante sobre alguns lotes específicos de fórmulas da Nestlé Brasil. Não é para pânico, mas é para a gente ficar atento e avisar as famílias que acompanhamos. O que está acontecendo? A própria Nestlé identificou que um ingrediente vindo de um fornecedor da Holanda pode estar contaminado com a cereulida, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. Por precaução, a empresa já começou a retirar os produtos das prateleiras de forma voluntária. Se uma criança consome um desses lotes contaminados, ela pode apresentar: Se você estiver na ponta do atendimento e receber uma família com esses sintomas, vale dar aquela checada rápida na lata que eles têm em casa. A proibição não é para todos os produtos da marca, mas atinge as linhas: No Brasil, a proibição atinge apenas alguns lotes das marcas citadas: O que fazer? De acordo com a empresa, quem tiver produtos dos lotes mencionados deve parar de usar o item imediatamente e entrar em contato com o Atendimento ao Consumidor para devolver o produto e receber o reembolso completo. Você pode falar com eles pelo e-mail falecom@nestle.com.br ou pelo telefone 0800 761 2500, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Compartilhe com os seus pacientes.
Ambulância no engarrafamento: como agir?

Você já deve ter visto aquele vídeo que circulou recentemente: um médico, no meio de um engarrafamento caótico, precisando descer da ambulância para bater no vidro dos carros e implorar que abrissem caminho. É uma cena que dói. Dói porque mostra o desespero de quem tem uma vida nas mãos e se vê bloqueado por uma fila de carros à frente. Como motoristas deveriam agir nesses casos? Preparamos um material para que você, profissional de saúde, possa divulgar e ajudar na educação de todos Ambulância no engarrafamento: uma panela de pressão Quem trabalha no SAMU, no Resgate ou nos Bombeiros sabe que a cabine da ambulância se transforma em uma panela de pressão. O som da sirene, que já é alto lá fora, vira um ruído constante que enlouquce os nervos. O condutor precisa ter olhos de águia e paciência de monge. O pessoal lá atrás precisa se equilibrar para puncionar uma veia ou fazer uma massagem cardíaca enquanto o carro balança, freia e tenta desviar do caos. É exaustivo. E quando o trânsito trava de vez, a sensação de impotência é uma das piores que um profissional de saúde pode sentir. O que os motoristas dos carros precisam saber para ajudar? Muitas vezes, as pessoas não saem da frente por maldade, mas por puro pânico ou falta de saber para onde ir. Se você puder passar essa informação adiante, ou se você mesmo estiver dirigindo, aqui está o básico para abrir o caminho: Deixar de dar passagem a veículos de emergência (ambulâncias, bombeiros, polícia) em serviço é considerado uma infração gravíssima pelo Artigo 189 do CTB: Dica Extra: Se você for multado por avançar um radar para dar passagem, guarde evidências (como o horário e a identificação da viatura) para um eventual recurso fundamentado no artigo de prioridade de trânsito. Um “obrigado” para quem pilota essa missão A gente sabe que nem todo mundo vai agradecer. A gente sabe que vai ter motorista que vai fechar a frente de propósito ou pedestre que vai atravessar na hora errada. Mas queria deixar aqui um abraço para você, condutor socorrista, médico e enfermeiro de APH. Vocês são os mestres da improvisação em um cenário que ninguém controla. O trabalho de vocês começa muito antes do hospital, enfrentando o sol, a chuva e o asfalto que não coopera. Se hoje o trânsito foi difícil e você sentiu que o mundo não estava ajudando, calma. Você fez o seu melhor dentro do possível. A vida que você carrega aí atrás sabe que você está lutando por ela. Você que trabalha no APH, qual foi a situação mais difícil que já passou no trânsito? E você, motorista, já sentiu aquela “trava” sem saber para onde ir quando ouviu a sirene? Vamos trocar essas experiências no nosso fórum. Faça seu registro e nos mostre o seu relato.
Feliz 2026 com Café na Copa: Uma Homenagem a Quem Segurou o Plantão

O café esfriou mais uma vez? O plantão foi puxado? A gente sabe. Preparamos uma homenagem a quem segurou o plantão em 2025. Para fechar este ano, não queríamos apenas números ou relatórios. Queríamos algo que falasse a língua de quem vive o hospital, a UBS e a comunidade. Por isso, transformamos nossa rotina em música. A ideia desta letra nasceu daquela pausa de 15 minutos na copa. Já pararam para pensar que aquele lugar é sagrado onde a gente se cuida para poder cuidar do outro? Dê o play e sinta esse abraço em forma de melodia. Para 2026, nosso desejo é o refrão dessa canção: Que o nosso “Café na Copa” continue sendo esse lugar de recomeço. Que, por trás de cada jaleco, a gente nunca esqueça de cuidar de si. E, principalmente, que no próximo ano: Obrigado por estar conosco em cada gole de café e em cada vida tocada. Feliz Ano Novo, com a energia renovada para o que vier!
Calculadora de Volume Corrente na Ventilação Mecânica

Ventilação Mecânica Estatura, peso ideal e volume corrente Sexo Homem Mulher Método de estimativa da estatura Semi-envergadura Altura do joelho Semi-envergadura (cm) Altura do joelho (cm) Idade (anos) Calcular Resultados Estatura estimada: cm Peso ideal: kg 4 mL/kg 6 mL/kg 8 mL/kg Qual é o objetivo da calculadora? O principal objetivo da calculadora é estimar a estatura e o peso ideal do paciente, mesmo quando não é possível medir a altura real, e a partir disso sugerir volumes correntes adequados, baseados em mL/kg de peso ideal. Essa abordagem é especialmente útil em situações comuns na prática: Como a estatura é estimada? A calculadora permite duas formas validadas de estimativa da estatura: O usuário escolhe o método mais adequado para o cenário clínico e informa os dados solicitados. Em muitos cenários clínicos, especialmente em unidades de terapia intensiva, pronto-socorro e enfermarias, não é possível medir a altura real do paciente de forma confiável. No entanto, a estatura é uma variável fundamental, pois está diretamente relacionada ao tamanho pulmonar e, consequentemente, ao ajuste adequado da ventilação mecânica. Por isso, a calculadora utiliza métodos indiretos validados para estimar a estatura, a partir de medidas corporais simples, permitindo maior precisão mesmo em pacientes acamados. A ferramenta oferece duas opções de estimativa: Estimativa pela semi-envergadura do braço Esse método utiliza a medida da semi-envergadura, que corresponde à distância do esterno até a extremidade do dedo médio, com o braço estendido lateralmente. As fórmulas utilizadas são: Mulheres:Estatura (cm) = (1,35 × semi-envergadura em cm) + 60,1 Homens:Estatura (cm) = (1,40 × semi-envergadura em cm) + 57,8 Esse método é especialmente útil quando o paciente não consegue permanecer em posição ortostática ou quando a mobilização é limitada. Estimativa pela altura do joelho A estimativa da estatura pela altura do joelho é amplamente utilizada em pacientes idosos, acamados ou com deformidades posturais. Esse método considera, além da medida do joelho ( com o joelho semifletido a 90º), a idade do paciente, tornando a estimativa mais ajustada à realidade clínica. As fórmulas utilizadas são: Mulheres:Estatura (cm) = [(2,02 × altura do joelho em cm) − (0,04 × idade em anos)] + 64,19 Homens:Estatura (cm) = [(1,83 × altura do joelho em cm) − (0,24 × idade em anos)] + 84,88 A estatura estimada por um desses métodos é então utilizada para o cálculo do peso corporal ideal, que servirá de base para a definição dos volumes correntes na ventilação mecânica. Como o peso ideal é calculado? Após estimar a estatura, a calculadora utiliza fórmulas clássicas para estimar o peso ideal, específicas para homens e mulheres: Homens:Peso ideal (kg) = 50 + 0,91 × (altura em cm − 152,4) Mulheres:Peso ideal (kg) = 45,5 + 0,91 × (altura em cm − 152,4) Essas fórmulas partem de um valor basal e acrescentam um fator proporcional à altura acima de 152,4 cm, refletindo de forma mais adequada o volume pulmonar esperado para cada paciente. O peso ideal obtido é então utilizado como base para o cálculo dos volumes correntes em mL/kg, permitindo uma abordagem mais segura e individualizada da ventilação mecânica. ⚠️ Importante lembrar Esta calculadora é uma ferramenta de apoio à decisão clínica. Ela não substitui a avaliação médica ou fisioterapêutica completa, nem o julgamento clínico baseado no contexto do paciente, mecânica respiratória, gasometria e objetivos terapêuticos. Referências ARDSNET; BROWER, R.G.; MATTHAY, M.A.; MORRIS, A.; SCHOENFELD, D. THOMPSON, B.T.; WHEELER, A. Ventilation with lower tidal volumes as compared with traditional tidal volumes for acute lung injury and the acute respiratory distress syndrome. N Engl J Med. v. 342, n.18, p. 1301–1308, 2000. Daradkeh, Ghazi & Essa, Musthafa & Guizani, Nejib. (2016). Handbook for Nutritional Assessment through Life Cycle. EATON–EVANS, J. NUTRITIONAL ASSESSMENT | Anthropometry*. Encyclopedia of Human Nutrition, p. 311–318, 2005.
O elevador e o respeito que a gente merece

☕ O elevador, o cansaço e o respeito que a gente merece Sabe aquele momento do plantão em que a perna já está pesando, as costas reclamam e a única coisa que você quer é chegar logo ao andar de cima para checar um paciente ou, quem sabe, conseguir aqueles cinco minutos de descanso? Pois é. Agora imagina chegar na porta do elevador e encontrar um aviso dizendo que você, que cuida de todo mundo, não pode entrar. Que o seu lugar é na escada ou na rampa. Um hospital em Brasília tentou fazer exatamente isso: separou quem “podia” e quem “não podia” usar o elevador. Médicos e pacientes de um lado; enfermagem e outros profissionais do outro, de frente para a rampa. A notícia dói porque ela toca numa ferida que a gente conhece bem: a ideia de que existe uma hierarquia de importância dentro do hospital. Entenda o caso A nota de uma rede hospitalar em Brasília, que viralizou nas redes sociais, tinha a intenção declarada de “otimizar o fluxo de pessoas e garantir a segurança”. No entanto, o texto falhou drasticamente ao criar uma regra de uso dos elevadores que se tornou um símbolo de discriminação e desvalorização para grande parte dos profissionais de saúde. O comunicado tentava dividir o uso dos elevadores do hospital em categorias, mas o resultado final foi a segregação entre as classes profissionais. Comunicado Importante — Uso dos Elevadores Visando otimizar o fluxo de pessoas e garantir a segurança e o conforto de todos, informamos as seguintes orientações para o uso dos elevadores no hospital: • Elevadores Sociais: Exclusivo para pacientes e médicos. • Elevador Grande 01: Exclusivo para pacientes internados. • Elevador Grande 02: Exclusivo para terceiros e serviços. Atenção, Colaboradores(as) – A partir desta data, os elevadores devem ser utilizados de forma prioritária e exclusiva para: • Pacientes e seus acompanhantes • Acompanhamento e transporte de pacientes • Carrinhos de nutrição • Time da higiene • Equipe médica Solicitamos que todos os demais colaboradores priorizem o uso das rampas para circulação entre os andares, garantindo melhor fluxo, segurança e agilidade nos processos assistenciais e operacionais. Contamos com a colaboração de todos. A regra central era: se você não é paciente, acompanhante, não está empurrando um carrinho ou não é médico, você deve priorizar o uso das rampas. O Coren-DF (Conselho Regional de Enfermagem) interveio imediatamente, denunciando a prática como abusiva e discriminatória. A medida foi revogada. O Mito da Hierarquia e a Realidade da Interdependência Quem vive o dia a dia da saúde sabe que o hospital não é uma pirâmide com alguém no topo. É uma engrenagem. Quando um hospital tenta proibir o uso do elevador para uma categoria, ele não está apenas “otimizando o fluxo”, como dizia a nota oficial. Ele está dizendo, na prática, que o cansaço de uns importa menos que o de outros. Essa cultura de “doutores” contra “colaboradores” é antiga e, para ser sincero, já passou da hora de ficar no passado. A gente sabe que: Muitas vezes, essas ideias absurdas vêm de gestões que nunca sentiram o peso de um plantão de 12 horas ou de lideranças que ainda enxergam o hospital como um lugar de privilégios, e não de serviço. A Questão do Elevador: Um Símbolo de Desrespeito O ato de proibir a Enfermagem e outras categorias de usar elevadores é um símbolo. É um gesto que tenta impor uma segregação espacial e social, tratando uma categoria vital como “subalterna” e, ainda por cima, ignorando o desgaste físico de quem já está sobrecarregado. O profissional de saúde deve ser valorizado pela sua competência e responsabilidade, e não pelo seu título ou tempo de formação. Em um ambiente hospitalar, o tempo e a energia são recursos preciosos. Obrigá-los a usar escadas é um absurdo logístico e uma agressão à dignidade profissional. A Solução: Uma Cultura de Equidade e Colaboração O caminho para o futuro da saúde está na Equidade e na Colaboração Horizontal: A denúncia do Coren-DF e a fiscalização imediata são passos cruciais para derrubar essa prática abusiva. Mas a mudança real deve vir de dentro, da nossa mentalidade. Aqui na nossa “copa”, a gente quer te ouvir: Você já sentiu que o seu trabalho foi diminuído por regras assim? Já viveu alguma situação onde a hierarquia pesou mais que o bom senso? Clique na imagem abaixo e registre-se:
Conheça o Primeiro Hospital Público Inteligente do Brasil!

O Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a dar um salto tecnológico gigantesco. Foi oficializada a parceria para a implantação do Instituto de Tecnologia de Emergência do Hospital das Clínicas (HC) da USP, que será o primeiro hospital público inteligente do SUS. Este projeto ambicioso foi idealizado pela Professora Ludhmila Hajjar e representa uma revolução na forma como o país trata pacientes graves e tempo-dependentes. O Que é um Hospital Inteligente no SUS? O Instituto de Tecnologia de Emergência é um conceito de hospital centrado na eficiência e segurança do atendimento ao paciente crítico. Ele será a 11ª unidade do Complexo HC e funcionará como um hospital central de assistência, ensino, pesquisa e inovação. Na prática, a “inteligência” do hospital será construída sobre os seguintes aspectos tecnológicos: A Chave é Vencer o Tempo A principal missão desse hospital inteligente é vencer o desafio das situações tempo-dependentes, pois em casos de Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (AVC), trauma ou hemorragia, cada minuto conta. Em um AVC, por exemplo, o tempo para desobstruir uma artéria é crucial para a sobrevida e para reduzir sequelas. A medicina inteligente, por meio de sistemas automatizados e integrados, visa reduzir esse tempo de porta-agulha e de decisão clínica, proporcionando terapias personalizadas e de precisão. Um SUS Conectado Um problema crônico do nosso sistema de saúde é a fragmentação de dados: inúmeros sistemas que não se comunicam entre hospitais ou até mesmo dentro da mesma unidade. A grande inovação do Instituto Tecnológico de Emergência será criar uma linguagem universal para o atendimento de pacientes graves. A ideia é que o novo hospital esteja integrado às outras unidades da rede HC (como InCor e ICESP) e, futuramente, conectado a outras unidades de excelência em uma rede nacional. Essa integração será a base para que o modelo seja replicado em todas as regiões do Brasil. Cooperação Internacional e Investimento Bilionário A implementação desse projeto segue a tendência de países como China, Índia, Estados Unidos e Alemanha, que já investem na transformação da medicina inteligente. O Brasil busca ativamente a transferência de tecnologia, especialmente da China, para avançar no projeto. O Ministério da Saúde assinou um acordo de cooperação técnica para viabilizar o investimento junto ao Banco dos BRICS, na ordem de R$ 1,7 bilhão. Esse valor não apenas financiará o hospital inteligente, mas também uma rede nacional de serviços de alta precisão, incluindo a modernização de UTIs e unidades de excelência em todo o país. Com obras previstas para iniciar até 2026 e término em 2029, o Hospital Inteligente do HC-USP é um marco que sinaliza o compromisso do Estado em utilizar a tecnologia para oferecer um SUS mais eficiente e seguro para o paciente de alta complexidade.
Filmes e Séries que Nos Ensinam Sobre Cuidados Paliativos

No nosso dia a dia, somos treinados para lutar contra a doença e buscar a cura. No entanto, uma das partes mais profundas e humanizadas da nossa profissão em saúde reside nos Cuidados Paliativos (CP), sendo a arte de aliviar o sofrimento, garantir a dignidade e promover a qualidade de vida, mesmo quando a cura não é mais possível. Falando de arte, especialmente o cinema e a TV, tem o poder de nos fazer refletir sobre a finitude e a complexidade da vida. Por isso, preparamos para vocês uma lista de filmes e séries que abordam o tema, mostrando diferentes facetas sobre os cuidados paliativos, tanto da comunicação de más notícias à celebração da vida. Filmes e Séries Essenciais sobre Cuidados Paliativos Aqui estão produções que você pode assistir para aprofundar seu olhar sobre a humanização do cuidado, a autonomia do paciente e o luto: 1. Filmes que abordam a finitude e dignidade 2. Filmes que falam sobre comunicação e enfretamento da partida 3. Filmes que abordam a humanização e empatia Outras Obras que Abordam os Cuidados Paliativos Para aqueles que buscam mais referências a lista é extensa: Assistir a essas produções pode ser um excelente exercício de reflexão sobre a nossa prática. Elas nos ajudam a entender que o paciente em Cuidados Paliativos é uma pessoa integral, que apresenta medos, desejos e histórias que vão muito além dos prontuários e dos exames.
Os holofotes estão para os ACS e ACE. Entenda.

Se existe uma categoria profissional que tem conquistado vitórias históricas e solidificado seu valor na saúde brasileira, são os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate a Endemias (ACE). Esses profissionais, que formam a linha de frente do SUS, estão finalmente recebendo o reconhecimento legislativo que merecem, provando que a base da saúde preventiva é a mais essencial de todas. Com mais de 400 mil agentes espalhados por cada canto do território nacional, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) e o Agente de Combate a Endemias (ACE) não são apenas funcionários do SUS; eles são a conexão essencial entre a comunidade e o sistema de saúde, representando o próprio princípio da equidade. Eles são os únicos profissionais que entram nas casas rotineiramente. Além disso, conhecem a realidade social, a topografia do risco, a dificuldade de acesso das pessoas ao sistema e os tabus culturais de cada família. Essa presença capilar transforma o cuidado. Nos últimos tempos os ACS e ACE vem ganhando destaque nas conquistas alcançadas em benefícios ao seu trabalho. As conquistas alcançadas Enquanto diversas categorias da saúde enfrentam longas batalhas pela valorização, os ACS e ACE têm garantido avanços que servem de modelo para todo o setor da saúde: 1. Piso Salarial Atrelado ao Salário Mínimo 2. Rumo à Aposentadoria Especial (PLP 185/2024) 3. Direitos e Incentivos Adicionais Quem são os ACS e ACE? Agente Comunitário de Saúde (ACS) Agente de Combate a Endemias (ACE) Ambos os profissionais são de nível médio, exigem concurso público e são essenciais na promoção de ações educativas e na integração da comunidade com o serviço público.
