Anvisa apresenta novos modelos de receituários controlados

Se você trabalha com prescrição de medicamentos controlados, sabe que a logística dos blocos amarelos (Tipo A) sempre foi um gargalo. A partir de agora o jogo mudou. A ANVISA publicou a RDC 1.000/2025, que marca o fim de uma era: a impressão oficial exclusiva pelo poder público. Agora, a responsabilidade (e a autonomia) de imprimir todos os modelos de receituários controlados passa a ser também dos profissionais e das instituições de saúde. Vamos entender o que isso significa na prática do seu consultório ou hospital, sem complicação. O que muda no seu carimbo a partir de agora? A grande novidade é a liberdade de impressão. Sabe aquela ida à Vigilância Sanitária só para buscar os blocos amarelos? Isso ficou no passado. ⚠️ O que NÃO mudou (Atenção aqui!) A autonomia aumentou, mas o controle continua rigoroso. Não é “imprimir de qualquer jeito”: Olhando para o futuro: O SNCR e a Receita Eletrônica Toda essa mudança faz parte de um plano maior da ANVISA para tornar a prescrição mais segura e rastreável. O SNCR é a plataforma que centraliza tudo isso. Fique atento: Até junho de 2026, a ANVISA promete lançar uma ferramenta dentro deste sistema para a emissão eletrônica de todos os receituários controlados. Isso será o fim definitivo do papel e um salto enorme na nossa segurança jurídica e na conveniência para o paciente. Guia Rápido de Sobrevivência: Um respiro na burocracia A gente sabe o quanto a papelada cansa. Essa mudança é um passo importante para que a gente gaste menos tempo em filas de órgãos públicos e mais tempo focados no que realmente importa: o cuidado com o paciente. Desburocratizar não é apenas facilitar a vida do médico; é garantir que o paciente não fique sem o remédio porque o “bloco acabou na Vigilância”. É humanizar o acesso. Como é a logística de receituários na sua cidade? A Vigilância local costuma ser rápida ou essa mudança vai salvar a sua rotina? Vamos trocar essa figurinha na nossa copa!

Saúde nos EUA vs. Saúde no Brasil

A gente cresce vendo filmes onde os hospitais americanos são impecáveis, tecnológicos e ultrarápidos. Mas, como quem está no “chão de fábrica” da saúde sabe que a realidade tem camadas que o cinema não mostra. Quando olhamos para os EUA comparados ao SUS, a conversa deixa de ser sobre “quem é melhor” e passa a ser sobre “quem consegue cuidar de quem”. Queremos apresentar nesse post uma análise sobre a saúde de forma geral nos EUA e comparar com a nossa saúde aqui no Brasil. Confira: Os EUA são uma referência para nós? Depende do que você está procurando. Se falarmos de tecnologia de ponta, pesquisa científica e tratamentos experimentais, sim, eles são o topo do mundo. Os maiores centros de trauma e as cirurgias mais complexas muitas vezes nascem lá. Mas, se a pergunta for sobre Saúde Pública (o cuidado com a população como um todo), os EUA são frequentemente usados em congressos mundiais como um exemplo de custo ineficiente. Eles gastam muito mais por pessoa do que o Brasil, mas têm indicadores de saúde (como mortalidade infantil em certas regiões) que assustam para um país tão rico. E como fica quem não tem dinheiro? Lá não existe uma “rede única” como a nossa. O atendimento para os mais pobres funciona através de programas específicos: Além disso, ter o hospital é uma coisa, ter o profissional disponível é outra. Nos EUA, acontece um fenômeno triste: Mas e os hospitais de médio/pequeno porte? Essa é uma excelente pergunta. Quando a gente pensa em EUA, logo vem à mente o Grey’s Anatomy, com hospitais gigantescos. Mas os EUA também tem seus Hospitais de Pequeno e Médio Porte, e é aí que a comparação com o nosso SUS fica ainda mais interessante. Nos EUA, o equivalente ao nosso hospital municipal ou àquela UPA maior são os Community Hospitals (Hospitais Comunitários) e, especificamente nas áreas rurais, os Critical Access Hospitals (CAH). Os Critical Access Hospitals são pensados para áreas onde o próximo hospital está muito longe. Eles têm regras bem parecidas com os nossos HPPs (Hospitais de Pequeno Porte): Se entrarmos em um hospital de 20 leitos no interior do Kansas e em um de 20 leitos no interior de Minas Gerais, veremos diferenças gritantes: Mas não se engane: ter uma estrutura melhor não significa que o sistema funciona melhor para a comunidade. Seguros de Vida e Planos de Saúde Diferente do Brasil, onde o plano de saúde é um “extra”, nos EUA ele é a sua única proteção. Os custos médicos americanos continuam subindo, e a dívida hospitalar ainda é a maior causa de falência pessoal por lá. Para a gente que está acostumado a tratar o paciente sem olhar para a conta bancária dele, esses valores parecem surreais. Lá a conta não é uma só. O paciente recebe vários boletos: um do hospital, um do cirurgião, um do anestesista e até um dos exames laboratoriais. Se o anestesista daquela noite estiver “fora da rede” do seguro do paciente, a conta pode triplicar. Depois de tanto falar sobre as contas e hospitais, a gente acaba chegando numa reflexão que é muito comum na nossa copa: o que a gente faz com tudo isso? Não precisamos ser “fãs” de um sistema e “inimigos” do outro. O olhar maduro é saber que podemos aprender com a eficiência deles sem abrir mão da nossa humanidade. Se pudéssemos “importar” algumas coisas da saúde americana sem trazer o modelo de cobrança, o nosso dia a dia seria muito mais leve: Inspirações da Saúde Pública dos EUA (O que podemos “importar”) Outros pontos interessantes que podemos nos inspirar: Cultura de Gestão e Processos: Lá, o fluxo do paciente é desenhado para não haver desperdício de tempo. Tudo é protocolado e medido. Isso diminui a sobrecarga da equipe porque cada um sabe exatamente o seu papel no “engrenagem”. Integração Tecnológica: O prontuário eletrônico deles realmente funciona e “conversa” entre as unidades. O médico da emergência sabe o que o cardiologista prescreveu no consultório há dois meses. Isso é segurança para o paciente e agilidade para nós. Valorização da Educação Continuada: A cultura de estar sempre se atualizando (como o TAE que comentamos antes) e o investimento em pesquisa clínica são referências. Eles entendem que o hospital também é um lugar de produzir ciência, não só de “apagar incêndio”. Manutenção Preventiva: Eles não esperam o ar-condicionado pifar ou o tomógrafo quebrar para agir. Existe um rigor com a infraestrutura que faz com que o ambiente de trabalho seja mais funcional e menos estressante. O que aprender a NÃO fazer igual

OMB vs. AMB: O que está por trás da disputa pelos títulos de especialista?

Senta aqui, vamos tomar um café e conversar sobre um assunto que está na conversa dos corredores e fazendo os grupos de especialidades médicas pegarem fogo: a criação da Ordem Médica Brasileira (OMB) e a queda de braço judicial com as entidades tradicionais (AMB e CFM). Se você é um dos 250 mil médicos generalistas no Brasil ou está na luta para conseguir o seu RQE, esse tema toca diretamente no seu futuro. Vamos entender o que está acontecendo com a clareza que o momento pede. O cenário: Um funil apertado Atualmente, o caminho para ser reconhecido como especialista no Brasil é um funil estreito. Segundo o Decreto 8.516/2015, só existem duas portas: a Residência Médica (CNRM) ou a Prova de Título da AMB. O problema é que o Brasil tem hoje um contingente imenso de médicos que, por diversos motivos (falta de vagas de residência, provas com baixíssimos índices de aprovação ou barreiras geográficas), permanecem como generalistas, mesmo tendo anos de prática em áreas específicas. É nesse cenário de “gargalo” que a OMB quer surgir. O que propõe a nova Ordem (OMB)? A OMB se diz como uma alternativa baseada no pluralismo e na livre concorrência. O argumento deles é constitucional: a ideia de que nenhuma entidade privada (como a AMB) deveria ter o monopólio de dizer quem é ou não especialista em um país com as dimensões do Brasil. O contra-ataque: AMB e CFM Do outro lado, as entidades tradicionais não ficaram paradas. Para o CFM e a AMB, a criação de títulos fora do eixo oficial é um risco à segurança do paciente e pode gerar uma confusão imensa na população. A disputa já está nos tribunais, com decisões que ora protegem a liberdade de associação da OMB, ora reforçam as prerrogativas da AMB. RQE Atual vs. Proposta da OMB: O que muda na sua rotina? Independente de qual sigla saia vitoriosa dessa disputa, o fato é que a medicina brasileira está mudando. O modelo de exclusividade está sendo questionado e a demanda por transparência e acesso nunca foi tão alta. Seja qual for o seu lado nessa história, lembre-se: o título na parede é importante, mas o que sustenta o seu plantão é o conhecimento que você aplica e o respeito que você dedica ao paciente e aos colegas.

Antibióticos e a nova resolução da enfermagem

enfermagem-antibiotico

A partir de agora, a lista de medicamentos que a enfermagem podem prescrever foi ampliada e inclui antibióticos conhecidos, como a amoxicilina, azitromicina e eritromicina. A mudança veio após a Anvisa e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) atualizarem seus sistemas, autorizando essa indicação. Como era de se esperar, o tema levantou poeira. O Conselho Federal de Medicina (CFM) já se manifestou contra, preocupado com as competências técnicas e a legislação. Mas, antes de a gente entrar nessa “guerra de conselhos”, vamos sentar aqui na copa e conversar sobre o que isso significa no dia a dia. Cofen e CFM A ideia do Cofen é clara: ampliar o acesso. Quem trabalha na Atenção Primária, em programas de saúde da família ou em regiões remotas, sabe como a agilidade faz diferença. Muitas vezes, o enfermeiro já acompanha aquele paciente de perto, conhece o histórico e segue protocolos rigorosos. Por outro lado, o CFM foca na exclusividade do diagnóstico médico e na formação específica para o manejo de certas drogas. Mas, cá entre nós: no leito do hospital ou na salinha do posto, o paciente não quer saber de disputa de títulos. Ele quer alívio, quer cura e quer ser visto. Na vida real, a gente já trabalha de forma mútua. O médico confia no olhar clínico do enfermeiro que está ali 24 horas, e o enfermeiro conta com o diagnóstico preciso do médico para guiar o plano de cuidado. Espaço para todos, foco no paciente A verdade é que a saúde é um território imenso e tem espaço para todo mundo. Quando a gente gasta energia discutindo “quem manda mais”, quem perde é o sistema. O avanço da enfermagem como prescritora em protocolos estabelecidos não precisa ser uma “invasão”, mas sim uma ferramenta para desafogar as filas e fazer a saúde chegar onde ela é mais urgente. Um respiro para quem está no meio disso Se você é enfermeiro e está feliz com a conquista, ou se é médico e está preocupado com os rumos da profissão, respira fundo. As instituições vão debater as leis e os tribunais vão dar a palavra final. Enquanto isso, aqui na realidade prática, o que sustenta o nosso trabalho é a confiança que temos um no outro. Nenhum carimbo é mais forte do que uma equipe que se respeita e trabalha junta. No final do plantão, o que a gente quer é o mesmo: ver o paciente recuperado e saber que fizemos o nosso melhor. Queremos saber a sua opinião sem julgamentos: Como você vê essa ampliação da prescrição pela Enfermagem no seu dia a dia? Você acredita que isso ajuda a agilizar o atendimento ou sente que precisamos de mais debate sobre a formação? Vem participar desse debate no nosso fórum. Vamos conversar com respeito, ouvindo quem está na linha de frente e entende a realidade da ponta.

SAMU: Os desafios de constatar um óbito no asfalto

samu na ambulância

Esta semana, uma notícia gelou o coração de quem trabalha na ponta: uma médica do SAMU constatou o óbito de uma mulher no asfalto após um atropelamento, mas, na hora de remover o corpo, um socorrista percebeu movimentos torácicos. A paciente foi reanimada e hoje luta pela vida em uma UTI. Para quem está de fora, parece um erro primário. Para quem vive a realidade da rua, esse é um dos maiores pesadelos possíveis. Aqui a gente sabe que o asfalto não é o hospital. Não tem luz perfeita, silêncio ou monitores de última geração. Tem barulho, chuva, curiosos e a pressão de um relógio que corre contra você. A técnica e o caos Constatar um óbito fora do hospital (no APH) é uma responsabilidade imensa e, às vezes, traiçoeira. O protocolo do SAMU possui dois caminhos, mas ambos exigem nervos de aço: Mas por que o erro pode acontecer? Quem já atendeu no meio de uma rodovia sabe: a hipotermia (o corpo frio) e a hipotensão severa (pressão muito baixa) podem esconder os sinais de vida. O pulso fica tão fino que a luva de latex impede o tato. O barulho dos carros e das sirenes impede a ausculta. Roupas grossas ou ferragens de um carro batido dificultam ver se o tórax está subindo. No meio do caos, os nossos sentidos podem ser enganados. Na dúvida, a vida primeiro É por isso que a orientação de ouro no APH é: na dúvida, inicie a reanimação. Fora do ambiente controlado, a tecnologia é limitada. O protocolo existe para nos proteger e proteger o paciente, prevendo que se inicie as manobras e se busque ajuda especializada o quanto antes. Errar para o lado da vida — ou seja, tentar reanimar alguém que talvez já tenha partido — é sempre o caminho mais seguro para a consciência e para a ética. Um recado para quem carrega essa decisão A gente sabe que ninguém sai de casa querendo errar. O peso de uma decisão dessas no meio da rua é algo que poucos entendem. Se você trabalha no SAMU, nos Bombeiros ou no resgate rodoviário, saiba que a sua dedicação em um ambiente tão hostil é gigante. Nós somos humanos, e os nossos sentidos têm limites. Que esse caso sirva de lembrete para a gente nunca baixar a guarda, mas também para acolhermos uns aos outros na dificuldade que é decidir sobre a vida e a morte sob a luz do giroflex. Você que trabalha no APH, já viveu alguma situação onde foi difícil ter certeza se o paciente ainda estava conosco? Como você lida com a pressão de decidir parar (ou não) uma reanimação no meio da rua? Compartilha sua experiência com a gente aqui nos comentários. Ouvir quem vive o mesmo que a gente ajuda a tornar o peso da decisão um pouco mais leve.

ENAMED 2025: O que os números dizem sobre a formação médica?

Nesta segunda-feira (19), o MEC e o Ministério da Saúde divulgaram o balanço do Enamed 2025. Mais do que apenas notas, esses números traçam um mapa de como está o ensino médico no Brasil. O cenário atual: Luzes e alertas Ao todo, 351 cursos de medicina passaram pelo exame. O resultado geral traz um alento de certa forma, mas também pontos que pedem nossa atenção: A gente sabe que a faculdade é a nossa base, mas é no hospital, na UPA e no postinho que a teoria ganha rosto e nome. Por isso, a qualidade do ensino não é apenas um número no MEC; é a segurança de quem vai estar ao nosso lado no plantão. Um muro no final do caminho? A ideia em estudo pelo CFM é direta: alunos que ficaram nos conceitos 1 e 2 no Enamed não poderiam retirar o seu CRM. Estamos falando de um universo de aproximadamente 13 mil estudantes que, hoje, vivem a incerteza de saber se o diploma será suficiente para começar a trabalhar. Para o Conselho, a medida é uma forma de garantir que apenas quem demonstra o conhecimento mínimo necessário chegue ao paciente. Por outro lado, para quem está na ponta, sentindo o cansaço acumulado de seis anos, a notícia soa como uma punição individual por falhas que, muitas vezes, são do sistema de ensino. O que a gente vê nessa discussão é: Entre a técnica e a pessoa A gente sabe que a segurança do paciente é inegociável. Queremos bons médicos ao nosso lado no plantão, pessoas que saibam conduzir uma emergência com segurança. Mas aqui no Café na Copa, a gente também olha para quem está atrás do jaleco. Uma nota 1 ou 2 define toda a trajetória de um aluno? Ou reflete uma faculdade que deixou a desejar na infraestrutura e no ensino? Barrar o registro resolve o problema da qualidade da saúde no Brasil ou apenas isola o sintoma de uma doença maior na educação? Queremos ouvir quem está vivendo isso na pele: O que você acha dessa proposta do CFM? É uma medida necessária para a segurança do paciente ou uma injustiça com quem pagou caro (com tempo ou dinheiro) por uma formação que o MEC autorizou? A copa está aberta para o desabafo. Deixe seu comentário e vamos conversar sobre o futuro da nossa profissão lá no fórum.

Guia Rápido de Monitorização Hemodinâmica para o Plantão!

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Sabemos que a realidade do plantão não oferece tempo para longas leituras ou revisões complexas. A monitorização hemodinâmica é um dos pilares fundamentais no cuidado ao paciente crítico. Em um cenário onde segundos fazem a diferença, compreender como avaliar a perfusão, interpretar parâmetros fisiológicos e tomar decisões rápidas e embasadas torna-se essencial para salvar vidas. Pensando nisso, desenvolvemos este e-book sobre Monitorização Hemodinâmica básica, elaborado especialmente para profissionais da saúde que desejam aprimorar sua prática diária. Este material reúne, de forma clara e objetiva, os principais conceitos que norteiam a monitorização hemodinâmica. O conteúdo foi estruturado para ser fácil de entender, visualmente organizado e alinhado às necessidades reais de quem atua em pronto atendimento, unidades de terapia intensiva, emergência, enfermaria ou transporte de pacientes graves. Seja você médico, enfermeiro, fisioterapeuta, estudante ou residente, este e-book vai ampliar sua visão sobre estabilidade e instabilidade hemodinâmica, oferecendo ferramentas para interpretar cada parâmetro de forma integrada e eficiente. Não fique de fora da evolução do conhecimento! Inscreva-se no nosso fórum exclusivo para receber as próximas expansões do conteúdo e aprofundar seu conhecimento na Monitorização Hemodinâmica. Ebook Monitorização Hemodinâmica + Posts…

Caso Benício Xavier: Uma Análise para Profissionais de Saúde

O recente caso do óbito de uma criança de 6 anos (Benício Xavier) por overdose no uso de Adrenalina, resultado de uma sequência de erros que se estendeu da prescrição à beira do leito, é um alerta que precisamos encarar de frente. Não se trata apenas de uma falha individual; é o colapso de um sistema contaminado por pressa, arrogância e falhas administrativas. Vamos compreender a cadeia de eventos para entender por que este tipo de tragédia, infelizmente, ainda acontece em nossos hospitais: A Cadeia de Erros: Falha na Comunicação A fatalidade não foi causada por um erro, mas por múltiplos pontos de falha que se alinharam: O desfecho trágico pode ter sido influenciado por um fator cultural que assola muitos hospitais: a briga de classes e a arrogância profissional. Muitas vezes, quando a Enfermagem (a barreira final de segurança) questiona uma prescrição, ela é tratada com arrogância pela equipe médica, vista como desnecessária ou como “entrando na área alheia”. Esse medo da retaliação ou do constrangimento faz com que o profissional de Enfermagem, especialmente os mais jovens, deixe de fazer perguntas e, literalmente, injete o erro. Adrenalina em Pediatria A Adrenalina (Epinefrina) é classificada como um medicamento de alta vigilância devido ao seu potencial de causar danos graves quando usada incorretamente. O erro na dosagem ou na via de administração (como no caso trágico que discutimos) pode ser fatal. É fundamental que o profissional de saúde domine a diferença entre as duas principais vias de uso em crianças: Adrenalina Endovenosa (EV) – Emergência Sistêmica Esta via é usada para tratar condições sistêmicas de risco de vida, como Parada Cardíaca (assístole ou atividade elétrica sem pulso – AESP), Anafilaxia Grave (choque refratário a outras medidas), Choque Séptico (como vasopressor em casos selecionados), onde é necessário que a medicação atinja a circulação rapidamente para exercer efeito em todo o corpo. Sua concentração é 1:10.000 (ou 0.1 mg/ml). Esta é a concentração mais diluída e segura para uso EV. Já sua dose é extremamente baixa, calculada rigorosamente por peso: 0.01 mg/kg. Repetida a cada 3 a 5 minutos na parada cardíaca. Uma administração errônea pode ser letal. Outros riscos incluem taquicardia severa, arritmias, hipertensão e isquemia miocárdica. Adrenalina Nebulizada – Emergência Respiratória Local Esta via é usada para causar um efeito local na mucosa das vias aéreas superiores, com absorção sistêmica mínima, tendo como principal indicação a Laringotraqueobronquite Aguda, pois causa vasoconstrição da mucosa da laringe, reduzindo o edema e melhorando o fluxo de ar. Sua concentração é de 1:1.000 (ou 1mg/ml). Esta é a concentração 10 vezes maior, destinada apenas à nebulização, sendo administrada em volume fixo, independentemente do peso da criança (Ex: 0.5 ml da solução 1:1.000). Como principal risco acontece o fenômeno de rebote pois o efeito vasoconstritor é temporário. O edema pode retornar assim que o efeito da medicação passar, podendo ser utilizada em intervalos de 20 minutos. Logo, a criança que recebe Adrenalina nebulizada deve ser observada por, no mínimo, 2 a 3 horas após a administração. Resumo doses adrenalina em pediatria: Via Dose Intervalo PCR/RCP IV ou IO 0,01 mg/Kg ( equivalente a 0,1 da solução 1:10.000) a cada 3 a 5 minutos durante RCP Anafilaxia IM 0,01mg/Kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000 5 a 15 minutos, se necessário Choque Anafilático Grave IV ou IO 0,01mg/Kg ( solução 1:10.000) Infusão lenta Broncoespasmo Grave IM ou SC 0,01mg/Kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000 a cada 20 minutos, máximo 3 doses Broncoespasmo Grave Nebulização 0,5ml/Kg (máximo 5 mL) da solução 1:1000 diluída em 5mL de soro (SF) ou pura a cada 20 minutos, se necessário Crupe Grave Nebulização 0,5ml/Kg (máximo 5 mL) da solução 1:1000 diluída em 5mL de soro (SF) ou pura a cada 20 – 30 minutos, conforme gravidade do quadro Push Dose ( bólus diluído) IV Diluição: Retirar 1mL da Adrenalina 1 :10.000 (0,1 mg/mL), e diluir em 09 mL de SF 0,9%, tendo solução final de 0,01mg/mL (10mcg/mL) 0,5 – 2 mcg/Kg (0,05 – 0,2 mL/Kg da solução preparada) a cada 2 a 5 minutos, conforme necessidade Como Evitar a Próxima Tragédia: O Protocolo da Segurança A solução passa pela criação de uma mudança de cultura dentro da equipe: O Cuidado com a Vida exige a humildade de saber que todos somos falíveis. É urgente que transformemos a arrogância em colaboração para que tragédias evitáveis assim nunca mais se repitam. Nossos sentimentos à família e colegas de Benício Xavier de Freitas.

Icterícia neonatal: os pais escolheram a cura pela fé, mas…

berço

Na pequena casa da família Piland, em fevereiro de 2017, o choro da recém-nascida Abigail ecoava pelas paredes. Era o som da vida começando. Rachel, a mãe, acreditava em um parto perfeito e abençoado em casa. O pai, Joshua, via naquelas horas iniciais a confirmação daquilo que pregava: Deus havia sido generoso. Entretanto havia um detalhe: logo após o nascimento da filha, a parteira percebeu que a menina estava com icterícia, mas no geral saudável. Mas no dia seguinte, algo mudou. Fé e Ciência: Entenda a história Icterícia. Um sintoma comum, geralmente fácil de tratar com fototerapia. Porém foi nesse ponto que a linha entre a fé e a responsabilidade se tornou uma tragédia. A bilirrubina, substância facilmente monitorada e controlada, subia perigosamente no sangue de Abigail. A cada hora que passava, sem o devido atendimento médico, ela caminhava para um dano cerebral irreversível. Os pais, Joshua e Rachel, optaram por “acreditar na palavra de Deus em vez dos sintomas”. A parteira retornou à casa, verificando a persistência da icterícia, e imediatamente informou aos pais para procurarem um serviço de emergência. – Vocês precisam procurar atendimento agora”, orientou ela, com calma. Rachel respirou fundo. Olhou para a filha. Depois, para o marido.-“Não”, respondeu. “Abigail está bem. Deus não comete erros.” E então, no terceiro dia de vida… o silêncio. A bebê estava morta. Mas, em vez de chamar uma ambulância, Joshua e Rachel Piland chamaram amigos. Amigos que vieram não com estetoscópios, mas sim com Bíblias. Chegaram não para levar Abigail ao hospital, mas para tentar “ressuscitá-la”. Somente nove horas depois da morte, quando a polícia chegou, o casal e os amigos ainda estavam ajoelhados, orando sobre o corpo. Joshua permaneceu convicto: – “Eu não teria feito nada diferente.”– “Se tivesse que escolher entre colocar minha filha nas mãos dos melhores médicos do mundo ou nas mãos de Jesus Cristo, escolheria Jesus.” Mas Abigail precisaria apenas de fototerapia, de cuidados simples, de uma ida ao hospital. Precisaria da medicina que os pais recusaram. A autópsia confirmou:A bebê morreu por excesso de bilirrubina no cérebro. A mesma icterícia que a parteira avisou no primeiro dia. O tribunal foi categórico: a escolha dos pais não foi fé e sim negligência.E essa negligência custou uma vida que tinha horas, dias, meses, anos a viver. Joshua e Rachel foram condenados a 20 a 45 anos de prisão, não por acreditarem em Deus — mas por acreditarem que a fé deveria substituir cuidados médicos básicos. Veja mais

Testes clínicos ortopédicos. Jogo Gratuito e Online

jogo teste ortopedico

Olá, profissionais e estudantes da saúde! Sabemos que a memorização dos testes clínicos ortopédicos especiais é um dos maiores desafios para provas de residência, concursos e até mesmo para agilizar o raciocínio no consultório. Temos uma excelente novidade: o lançamento do nosso Jogo da Memória dos Testes Clínicos Ortopédicos! Como o Jogo Funciona? O Jogo da Memória é composto por pares de cartas, cobrindo as principais articulações (Ombro, Joelho, Coluna, Quadril, etc.). Um card do jogo é referente ao teste clínico ortopédico e o segundo é o estrutura/diagnóstico associado: Seu Novo Aliado para Provas e Consultório Este jogo não é só diversão. Ele é uma ferramenta de estudo direcionada: