Novo programa do SUS: Padi e a reorganização do atendimento à pessoa idosa

Cuidar dos idosos sempre foi um dos maiores desafios da Atenção Primária à Saúde (APS). Imagine então do idoso que envelhece e perde a mobilidade? Atender o idoso restrito ao leito ou à casa exige mais do que uma consulta rápida: exige olhar multiprofissional, carro na porta e planejamento contínuo. A nova portaria do Ministério da Saúde veio formalizar e financiar esse processo ao criar o Padi (Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa) e atualizar as regras de operação e repasse para as eMulti. Se você atua na APS, entenda em 5 minutos o que muda na sua rotina e na gestão do seu município. 👵 O que é o Padi e quem tem direito? O Padi é um programa que integra a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI). Ele será executado no território pelas eMulti em conjunto com as equipes de Saúde da Família (eSF) e demais equipes vinculadas. Quem é o público-alvo? Pessoas com 60 anos ou mais, restritas ao domicílio, que apresentem: O que a portaria exige para o município rodar o Padi? 🩺 Reorganização das eMulti: Modalidades, Carga Horária e Telessaúde A normativa também redesenhou as regras do jogo para o credenciamento e manutenção das equipes multiprofissionais na APS. 1. As 3 Modalidades e seus valores de custeio mensal regular: Regra de Carga Horária Individual: Mínimo de 10h semanais para médicos e 20h semanais para as demais categorias (fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fonoaudiólogos, etc.). 2. Incentivo para Telessaúde / Atendimento Remoto (TDIC) As eMulti que incorporarem o atendimento remoto mediado por tecnologia (TDIC) receberão: Para os profissionais da saúde… Para quem faz visita domiciliar, um dos maiores desgastes é a logística: ter que ir a pé debaixo de sol forte carregando material, depender de transporte próprio ou esperar “sobrar” um carro da secretaria. A vantagem prática: A portaria vincula o incentivo financeiro do Padi à obrigatoriedade de um veículo cadastrado e disponível. Isso dá respaldo legal para a equipe cobrar da gestão municipal a garantia de transporte adequado para ir a campo. Além disso, o programa estabelece critérios claros de elegibilidade (idosos restritos ao domicílio com declínio funcional/cognitivo sem necessidade de alta tecnologia). Isso protege o profissional, permitindo alinhar as expectativas da família e focar no que é cuidado multiprofissional preventivo e reabilitador, evitando que o serviço seja sobrecarregado com demandas que seriam do SAD (Melhor em Casa) ou da urgência. Para os gestores…o que suspende o repasse financeiro? A portaria é bastante rigorosa com o monitoramento de dados via SCNES e e-SUS APS/Siaps. O dinheiro será suspenso imediatamente ou após curto prazo nos seguintes casos: Lembrando: verba suspensa não tem pagamento retroativo após a regularização. Para quem está em campo… Para quem está na ponta, subindo ladeira com pasta debaixo do braço, avaliando idoso acamado e tentando articular cuidado em equipe, ter diretrizes claras e incentivo financeiro para transporte e estrutura é uma vitória necessária. Garantir que o idoso frágil receba atenção sem precisar ser deslocado precariamente até a UBS é devolver dignidade a quem já construiu tanto. Que os municípios façam a sua parte, credenciem as equipes e coloquem os carros na rua. Cuide de quem cuida. Um bom trabalho a todas as eMulti do Brasil! + Posts…
Projeto Assegura Atendimento Fisioterapêutico ao Idoso pelo SUS

O atendimento fisioterapêutico e terapêutico ocupacional agora ficará garantido sem a necessidade de indicação médica.
