GINA 2026 (Global Initiative for Asthma): Principais pontos no manejo da asma

Todos os anos, a Global Initiative for Asthma (GINA) revisa suas recomendações com base nas evidências mais recentes. A atualização de 2026 não muda completamente a estratégia dos últimos anos, mas traz ajustes importantes que merecem atenção de médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, farmacêuticos e demais profissionais envolvidos no cuidado respiratório da asma. As principais diferenças entre as diretrizes do GINA 2025 e do GINA 2026 refletem um foco maior no manejo de crises, na redução do uso de corticoides orais e na inclusão de novas terapias biológicas e ferramentas de avaliação. O que o GINA 2026 consolida na prática clínica da asma? 1. O diagnóstico continua sendo uma prioridade Um dos principais reforços do GINA 2026 é que o diagnóstico de asma deve ser confirmado sempre que possível por evidência objetiva de limitação variável do fluxo expiratório (exceto pré-escolares ou casos de risco de vida). O documento lembra que iniciar tratamento sem confirmação pode dificultar a validação diagnóstica posteriormente. Na prática: 2. Biomarcadores passam a ter papel cada vez mais relevante Embora o diagnóstico continue sendo clínico associado à demonstração objetiva da limitação variável do fluxo aéreo, o GINA destaca que alguns biomarcadores ajudam na identificação da inflamação tipo 2. Entre eles: Esses marcadores auxiliam principalmente na estratificação de pacientes candidatos às terapias biológicas, embora valores baixos não excluam o diagnóstico de asma. Em pacientes obesos, o diagnóstico deve sempre ser confirmado com testes objetivos (espirometria), pois o excesso de gordura abdominal pode causar dispneia que mimetiza a asma. Além disso, a obesidade altera a relação dos biomarcadores: um FeNO baixo em um adulto obeso pode ser enganoso, levando a um fenótipo incorreto de “asma não eosinofílica”, quando na verdade a inflamação tipo 2 pode estar presente. 3. Fim definitivo da monoterapia com SABA Para adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos, a monoterapia com SABA (como o salbutamol isolado) não é recomendada em nenhuma etapa. O uso do SABA sem corticoide inalatório está associado a maior risco de exacerbações graves, piora da função pulmonar e mortalidade. A inflamação das vias aéreas precisa ser tratada, mesmo em quem tem sintomas esporádicos. Todos os pacientes devem receber alguma estratégia contendo corticosteroide inalatório (ICS), mesmo aqueles com sintomas pouco frequentes. Além disso, permanece a preferência pelo uso de ICS-formoterol como medicação de alívio, sempre que disponível. 4. A preferência contínua pelo Track 1 (Resgate Anti-inflamatório – AIR) O relatório reforça a divisão em duas vias de tratamento para adultos e adolescentes: 5. Ajustes para crianças de 6 a 11 anos Para essa faixa etária, o tratamento também prioriza a proteção anti-inflamatória: 6. A personalização do tratamento ganha ainda mais espaço O novo relatório enfatiza que a escolha terapêutica deve considerar muito mais do que apenas a intensidade dos sintomas. Entre os fatores destacados estão: O conceito de decisão compartilhada continua sendo fortemente incentivado. 7. Asma grave: investigar antes de rotular O GINA reforça um conceito frequentemente negligenciado: Nem todo paciente mal controlado possui asma grave. Antes de classificar um paciente como portador de asma grave, é necessário investigar fatores potencialmente modificáveis, como: Somente após otimização do tratamento e persistência do descontrole é que o paciente pode ser considerado portador de asma grave. Esse conceito evita tanto o uso desnecessário de terapias avançadas quanto o atraso no encaminhamento de quem realmente necessita. 8. Cautela com corticoides orais O relatório reforça o cuidado no uso de corticoides orais (CO). Cada curso de corticoide oral traz riscos cumulativos de efeitos colaterais sistêmicos, devendo a via inalatória ser otimizada ao máximo para evitar exacerbações e minimizar a necessidade de CO. Ajustar condutas, ensinar a técnica correta do inalador e desconstruir o hábito do uso isolado de resgate exige tempo e paciência no atendimento. Mas saber que uma pequena mudança na receita reduz riscos reais e traz mais estabilidade ao dia a dia do paciente torna a jornada da gestão da asma bem mais leve para todos nós. 9. Atualização em Vacinas O relatório de 2026 reforça que as vacinas não apenas previnem doenças graves na população geral, mas protegem especificamente contra exacerbações de asma induzidas por vírus. 10. Obesidade e o Papel dos GLP-1 RA A obesidade é um fator de risco conhecido que torna a asma mais difícil de controlar e altera a resposta aos corticoides inalatórios. A atualização do GINA 2026 reforça uma tendência que já vinha se consolidando: o manejo da asma está cada vez mais individualizado. Mais do que escolher um medicamento, o desafio atual é compreender o perfil de cada paciente, otimizar o tratamento existente e utilizar terapias avançadas de forma criteriosa. Para os profissionais da saúde, isso significa um cuidado mais personalizado, baseado em evidências e centrado no paciente. Fonte: https://ginasthma.org/ + Posts…