ENAMED 2025: O que os números dizem sobre a formação médica?

Nesta segunda-feira (19), o MEC e o Ministério da Saúde divulgaram o balanço do Enamed 2025. Mais do que apenas notas, esses números traçam um mapa de como está o ensino médico no Brasil. O cenário atual: Luzes e alertas Ao todo, 351 cursos de medicina passaram pelo exame. O resultado geral traz um alento de certa forma, mas também pontos que pedem nossa atenção: A gente sabe que a faculdade é a nossa base, mas é no hospital, na UPA e no postinho que a teoria ganha rosto e nome. Por isso, a qualidade do ensino não é apenas um número no MEC; é a segurança de quem vai estar ao nosso lado no plantão. Um muro no final do caminho? A ideia em estudo pelo CFM é direta: alunos que ficaram nos conceitos 1 e 2 no Enamed não poderiam retirar o seu CRM. Estamos falando de um universo de aproximadamente 13 mil estudantes que, hoje, vivem a incerteza de saber se o diploma será suficiente para começar a trabalhar. Para o Conselho, a medida é uma forma de garantir que apenas quem demonstra o conhecimento mínimo necessário chegue ao paciente. Por outro lado, para quem está na ponta, sentindo o cansaço acumulado de seis anos, a notícia soa como uma punição individual por falhas que, muitas vezes, são do sistema de ensino. O que a gente vê nessa discussão é: Entre a técnica e a pessoa A gente sabe que a segurança do paciente é inegociável. Queremos bons médicos ao nosso lado no plantão, pessoas que saibam conduzir uma emergência com segurança. Mas aqui no Café na Copa, a gente também olha para quem está atrás do jaleco. Uma nota 1 ou 2 define toda a trajetória de um aluno? Ou reflete uma faculdade que deixou a desejar na infraestrutura e no ensino? Barrar o registro resolve o problema da qualidade da saúde no Brasil ou apenas isola o sintoma de uma doença maior na educação? Queremos ouvir quem está vivendo isso na pele: O que você acha dessa proposta do CFM? É uma medida necessária para a segurança do paciente ou uma injustiça com quem pagou caro (com tempo ou dinheiro) por uma formação que o MEC autorizou? A copa está aberta para o desabafo. Deixe seu comentário e vamos conversar sobre o futuro da nossa profissão lá no fórum.

Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé

Latas de fórmulas infantis da nestle

A Anvisa emitiu um alerta importante sobre alguns lotes específicos de fórmulas da Nestlé Brasil. Não é para pânico, mas é para a gente ficar atento e avisar as famílias que acompanhamos. O que está acontecendo? A própria Nestlé identificou que um ingrediente vindo de um fornecedor da Holanda pode estar contaminado com a cereulida, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. Por precaução, a empresa já começou a retirar os produtos das prateleiras de forma voluntária. Se uma criança consome um desses lotes contaminados, ela pode apresentar: Se você estiver na ponta do atendimento e receber uma família com esses sintomas, vale dar aquela checada rápida na lata que eles têm em casa. A proibição não é para todos os produtos da marca, mas atinge as linhas: No Brasil, a proibição atinge apenas alguns lotes das marcas citadas: O que fazer? De acordo com a empresa, quem tiver produtos dos lotes mencionados deve parar de usar o item imediatamente e entrar em contato com o Atendimento ao Consumidor para devolver o produto e receber o reembolso completo. Você pode falar com eles pelo e-mail falecom@nestle.com.br ou pelo telefone 0800 761 2500, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Compartilhe com os seus pacientes.

Ambulância no engarrafamento: como agir?

samu 192 preso no transito

Você já deve ter visto aquele vídeo que circulou recentemente: um médico, no meio de um engarrafamento caótico, precisando descer da ambulância para bater no vidro dos carros e implorar que abrissem caminho. É uma cena que dói. Dói porque mostra o desespero de quem tem uma vida nas mãos e se vê bloqueado por uma fila de carros à frente. Como motoristas deveriam agir nesses casos? Preparamos um material para que você, profissional de saúde, possa divulgar e ajudar na educação de todos Ambulância no engarrafamento: uma panela de pressão Quem trabalha no SAMU, no Resgate ou nos Bombeiros sabe que a cabine da ambulância se transforma em uma panela de pressão. O som da sirene, que já é alto lá fora, vira um ruído constante que enlouquce os nervos. O condutor precisa ter olhos de águia e paciência de monge. O pessoal lá atrás precisa se equilibrar para puncionar uma veia ou fazer uma massagem cardíaca enquanto o carro balança, freia e tenta desviar do caos. É exaustivo. E quando o trânsito trava de vez, a sensação de impotência é uma das piores que um profissional de saúde pode sentir. O que os motoristas dos carros precisam saber para ajudar? Muitas vezes, as pessoas não saem da frente por maldade, mas por puro pânico ou falta de saber para onde ir. Se você puder passar essa informação adiante, ou se você mesmo estiver dirigindo, aqui está o básico para abrir o caminho: Deixar de dar passagem a veículos de emergência (ambulâncias, bombeiros, polícia) em serviço é considerado uma infração gravíssima pelo Artigo 189 do CTB:  Dica Extra: Se você for multado por avançar um radar para dar passagem, guarde evidências (como o horário e a identificação da viatura) para um eventual recurso fundamentado no artigo de prioridade de trânsito.  Um “obrigado” para quem pilota essa missão A gente sabe que nem todo mundo vai agradecer. A gente sabe que vai ter motorista que vai fechar a frente de propósito ou pedestre que vai atravessar na hora errada. Mas queria deixar aqui um abraço para você, condutor socorrista, médico e enfermeiro de APH. Vocês são os mestres da improvisação em um cenário que ninguém controla. O trabalho de vocês começa muito antes do hospital, enfrentando o sol, a chuva e o asfalto que não coopera. Se hoje o trânsito foi difícil e você sentiu que o mundo não estava ajudando, calma. Você fez o seu melhor dentro do possível. A vida que você carrega aí atrás sabe que você está lutando por ela. Você que trabalha no APH, qual foi a situação mais difícil que já passou no trânsito? E você, motorista, já sentiu aquela “trava” sem saber para onde ir quando ouviu a sirene? Vamos trocar essas experiências no nosso fórum. Faça seu registro e nos mostre o seu relato.

Feliz 2026 com Café na Copa: Uma Homenagem a Quem Segurou o Plantão

Equipe de saúde desejando Feliz 2026

O café esfriou mais uma vez? O plantão foi puxado? A gente sabe. Preparamos uma homenagem a quem segurou o plantão em 2025. Para fechar este ano, não queríamos apenas números ou relatórios. Queríamos algo que falasse a língua de quem vive o hospital, a UBS e a comunidade. Por isso, transformamos nossa rotina em música. A ideia desta letra nasceu daquela pausa de 15 minutos na copa. Já pararam para pensar que aquele lugar é sagrado onde a gente se cuida para poder cuidar do outro? Dê o play e sinta esse abraço em forma de melodia. Para 2026, nosso desejo é o refrão dessa canção: Que o nosso “Café na Copa” continue sendo esse lugar de recomeço. Que, por trás de cada jaleco, a gente nunca esqueça de cuidar de si. E, principalmente, que no próximo ano: Obrigado por estar conosco em cada gole de café e em cada vida tocada. Feliz Ano Novo, com a energia renovada para o que vier!

O elevador e o respeito que a gente merece

polêmica elevador enfermagem

☕ O elevador, o cansaço e o respeito que a gente merece Sabe aquele momento do plantão em que a perna já está pesando, as costas reclamam e a única coisa que você quer é chegar logo ao andar de cima para checar um paciente ou, quem sabe, conseguir aqueles cinco minutos de descanso? Pois é. Agora imagina chegar na porta do elevador e encontrar um aviso dizendo que você, que cuida de todo mundo, não pode entrar. Que o seu lugar é na escada ou na rampa. Um hospital em Brasília tentou fazer exatamente isso: separou quem “podia” e quem “não podia” usar o elevador. Médicos e pacientes de um lado; enfermagem e outros profissionais do outro, de frente para a rampa. A notícia dói porque ela toca numa ferida que a gente conhece bem: a ideia de que existe uma hierarquia de importância dentro do hospital. Entenda o caso A nota de uma rede hospitalar em Brasília, que viralizou nas redes sociais, tinha a intenção declarada de “otimizar o fluxo de pessoas e garantir a segurança”. No entanto, o texto falhou drasticamente ao criar uma regra de uso dos elevadores que se tornou um símbolo de discriminação e desvalorização para grande parte dos profissionais de saúde. O comunicado tentava dividir o uso dos elevadores do hospital em categorias, mas o resultado final foi a segregação entre as classes profissionais. Comunicado Importante — Uso dos Elevadores Visando otimizar o fluxo de pessoas e garantir a segurança e o conforto de todos, informamos as seguintes orientações para o uso dos elevadores no hospital: • Elevadores Sociais: Exclusivo para pacientes e médicos. • Elevador Grande 01: Exclusivo para pacientes internados. • Elevador Grande 02: Exclusivo para terceiros e serviços. Atenção, Colaboradores(as) – A partir desta data, os elevadores devem ser utilizados de forma prioritária e exclusiva para: • Pacientes e seus acompanhantes • Acompanhamento e transporte de pacientes • Carrinhos de nutrição • Time da higiene • Equipe médica Solicitamos que todos os demais colaboradores priorizem o uso das rampas para circulação entre os andares, garantindo melhor fluxo, segurança e agilidade nos processos assistenciais e operacionais. Contamos com a colaboração de todos. A regra central era: se você não é paciente, acompanhante, não está empurrando um carrinho ou não é médico, você deve priorizar o uso das rampas. O Coren-DF (Conselho Regional de Enfermagem) interveio imediatamente, denunciando a prática como abusiva e discriminatória. A medida foi revogada. O Mito da Hierarquia e a Realidade da Interdependência Quem vive o dia a dia da saúde sabe que o hospital não é uma pirâmide com alguém no topo. É uma engrenagem. Quando um hospital tenta proibir o uso do elevador para uma categoria, ele não está apenas “otimizando o fluxo”, como dizia a nota oficial. Ele está dizendo, na prática, que o cansaço de uns importa menos que o de outros. Essa cultura de “doutores” contra “colaboradores” é antiga e, para ser sincero, já passou da hora de ficar no passado. A gente sabe que: Muitas vezes, essas ideias absurdas vêm de gestões que nunca sentiram o peso de um plantão de 12 horas ou de lideranças que ainda enxergam o hospital como um lugar de privilégios, e não de serviço. A Questão do Elevador: Um Símbolo de Desrespeito O ato de proibir a Enfermagem e outras categorias de usar elevadores é um símbolo. É um gesto que tenta impor uma segregação espacial e social, tratando uma categoria vital como “subalterna” e, ainda por cima, ignorando o desgaste físico de quem já está sobrecarregado. O profissional de saúde deve ser valorizado pela sua competência e responsabilidade, e não pelo seu título ou tempo de formação. Em um ambiente hospitalar, o tempo e a energia são recursos preciosos. Obrigá-los a usar escadas é um absurdo logístico e uma agressão à dignidade profissional. A Solução: Uma Cultura de Equidade e Colaboração O caminho para o futuro da saúde está na Equidade e na Colaboração Horizontal: A denúncia do Coren-DF e a fiscalização imediata são passos cruciais para derrubar essa prática abusiva. Mas a mudança real deve vir de dentro, da nossa mentalidade. Aqui na nossa “copa”, a gente quer te ouvir: Você já sentiu que o seu trabalho foi diminuído por regras assim? Já viveu alguma situação onde a hierarquia pesou mais que o bom senso? Clique na imagem abaixo e registre-se:

Conheça o Primeiro Hospital Público Inteligente do Brasil!

hospital inteligente sus Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a dar um salto tecnológico gigantesco. Foi oficializada a parceria para a implantação do Instituto de Tecnologia de Emergência do Hospital das Clínicas (HC) da USP, que será o primeiro hospital público inteligente do SUS. Este projeto ambicioso foi idealizado pela Professora Ludhmila Hajjar e representa uma revolução na forma como o país trata pacientes graves e tempo-dependentes. O Que é um Hospital Inteligente no SUS? O Instituto de Tecnologia de Emergência é um conceito de hospital centrado na eficiência e segurança do atendimento ao paciente crítico. Ele será a 11ª unidade do Complexo HC e funcionará como um hospital central de assistência, ensino, pesquisa e inovação. Na prática, a “inteligência” do hospital será construída sobre os seguintes aspectos tecnológicos: A Chave é Vencer o Tempo A principal missão desse hospital inteligente é vencer o desafio das situações tempo-dependentes, pois em casos de Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (AVC), trauma ou hemorragia, cada minuto conta. Em um AVC, por exemplo, o tempo para desobstruir uma artéria é crucial para a sobrevida e para reduzir sequelas. A medicina inteligente, por meio de sistemas automatizados e integrados, visa reduzir esse tempo de porta-agulha e de decisão clínica, proporcionando terapias personalizadas e de precisão. Um SUS Conectado Um problema crônico do nosso sistema de saúde é a fragmentação de dados: inúmeros sistemas que não se comunicam entre hospitais ou até mesmo dentro da mesma unidade. A grande inovação do Instituto Tecnológico de Emergência será criar uma linguagem universal para o atendimento de pacientes graves. A ideia é que o novo hospital esteja integrado às outras unidades da rede HC (como InCor e ICESP) e, futuramente, conectado a outras unidades de excelência em uma rede nacional. Essa integração será a base para que o modelo seja replicado em todas as regiões do Brasil. Cooperação Internacional e Investimento Bilionário A implementação desse projeto segue a tendência de países como China, Índia, Estados Unidos e Alemanha, que já investem na transformação da medicina inteligente. O Brasil busca ativamente a transferência de tecnologia, especialmente da China, para avançar no projeto. O Ministério da Saúde assinou um acordo de cooperação técnica para viabilizar o investimento junto ao Banco dos BRICS, na ordem de R$ 1,7 bilhão. Esse valor não apenas financiará o hospital inteligente, mas também uma rede nacional de serviços de alta precisão, incluindo a modernização de UTIs e unidades de excelência em todo o país. Com obras previstas para iniciar até 2026 e término em 2029, o Hospital Inteligente do HC-USP é um marco que sinaliza o compromisso do Estado em utilizar a tecnologia para oferecer um SUS mais eficiente e seguro para o paciente de alta complexidade.

Os holofotes estão para os ACS e ACE. Entenda.

Se existe uma categoria profissional que tem conquistado vitórias históricas e solidificado seu valor na saúde brasileira, são os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate a Endemias (ACE). Esses profissionais, que formam a linha de frente do SUS, estão finalmente recebendo o reconhecimento legislativo que merecem, provando que a base da saúde preventiva é a mais essencial de todas. Com mais de 400 mil agentes espalhados por cada canto do território nacional, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) e o Agente de Combate a Endemias (ACE) não são apenas funcionários do SUS; eles são a conexão essencial entre a comunidade e o sistema de saúde, representando o próprio princípio da equidade. Eles são os únicos profissionais que entram nas casas rotineiramente. Além disso, conhecem a realidade social, a topografia do risco, a dificuldade de acesso das pessoas ao sistema e os tabus culturais de cada família. Essa presença capilar transforma o cuidado. Nos últimos tempos os ACS e ACE vem ganhando destaque nas conquistas alcançadas em benefícios ao seu trabalho. As conquistas alcançadas Enquanto diversas categorias da saúde enfrentam longas batalhas pela valorização, os ACS e ACE têm garantido avanços que servem de modelo para todo o setor da saúde: 1. Piso Salarial Atrelado ao Salário Mínimo 2. Rumo à Aposentadoria Especial (PLP 185/2024) 3. Direitos e Incentivos Adicionais Quem são os ACS e ACE? Agente Comunitário de Saúde (ACS) Agente de Combate a Endemias (ACE) Ambos os profissionais são de nível médio, exigem concurso público e são essenciais na promoção de ações educativas e na integração da comunidade com o serviço público.

Caso Benício Xavier: Uma Análise para Profissionais de Saúde

O recente caso do óbito de uma criança de 6 anos (Benício Xavier) por overdose no uso de Adrenalina, resultado de uma sequência de erros que se estendeu da prescrição à beira do leito, é um alerta que precisamos encarar de frente. Não se trata apenas de uma falha individual; é o colapso de um sistema contaminado por pressa, arrogância e falhas administrativas. Vamos compreender a cadeia de eventos para entender por que este tipo de tragédia, infelizmente, ainda acontece em nossos hospitais: A Cadeia de Erros: Falha na Comunicação A fatalidade não foi causada por um erro, mas por múltiplos pontos de falha que se alinharam: O desfecho trágico pode ter sido influenciado por um fator cultural que assola muitos hospitais: a briga de classes e a arrogância profissional. Muitas vezes, quando a Enfermagem (a barreira final de segurança) questiona uma prescrição, ela é tratada com arrogância pela equipe médica, vista como desnecessária ou como “entrando na área alheia”. Esse medo da retaliação ou do constrangimento faz com que o profissional de Enfermagem, especialmente os mais jovens, deixe de fazer perguntas e, literalmente, injete o erro. Adrenalina em Pediatria A Adrenalina (Epinefrina) é classificada como um medicamento de alta vigilância devido ao seu potencial de causar danos graves quando usada incorretamente. O erro na dosagem ou na via de administração (como no caso trágico que discutimos) pode ser fatal. É fundamental que o profissional de saúde domine a diferença entre as duas principais vias de uso em crianças: Adrenalina Endovenosa (EV) – Emergência Sistêmica Esta via é usada para tratar condições sistêmicas de risco de vida, como Parada Cardíaca (assístole ou atividade elétrica sem pulso – AESP), Anafilaxia Grave (choque refratário a outras medidas), Choque Séptico (como vasopressor em casos selecionados), onde é necessário que a medicação atinja a circulação rapidamente para exercer efeito em todo o corpo. Sua concentração é 1:10.000 (ou 0.1 mg/ml). Esta é a concentração mais diluída e segura para uso EV. Já sua dose é extremamente baixa, calculada rigorosamente por peso: 0.01 mg/kg. Repetida a cada 3 a 5 minutos na parada cardíaca. Uma administração errônea pode ser letal. Outros riscos incluem taquicardia severa, arritmias, hipertensão e isquemia miocárdica. Adrenalina Nebulizada – Emergência Respiratória Local Esta via é usada para causar um efeito local na mucosa das vias aéreas superiores, com absorção sistêmica mínima, tendo como principal indicação a Laringotraqueobronquite Aguda, pois causa vasoconstrição da mucosa da laringe, reduzindo o edema e melhorando o fluxo de ar. Sua concentração é de 1:1.000 (ou 1mg/ml). Esta é a concentração 10 vezes maior, destinada apenas à nebulização, sendo administrada em volume fixo, independentemente do peso da criança (Ex: 0.5 ml da solução 1:1.000). Como principal risco acontece o fenômeno de rebote pois o efeito vasoconstritor é temporário. O edema pode retornar assim que o efeito da medicação passar, podendo ser utilizada em intervalos de 20 minutos. Logo, a criança que recebe Adrenalina nebulizada deve ser observada por, no mínimo, 2 a 3 horas após a administração. Resumo doses adrenalina em pediatria: Via Dose Intervalo PCR/RCP IV ou IO 0,01 mg/Kg ( equivalente a 0,1 da solução 1:10.000) a cada 3 a 5 minutos durante RCP Anafilaxia IM 0,01mg/Kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000 5 a 15 minutos, se necessário Choque Anafilático Grave IV ou IO 0,01mg/Kg ( solução 1:10.000) Infusão lenta Broncoespasmo Grave IM ou SC 0,01mg/Kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000 a cada 20 minutos, máximo 3 doses Broncoespasmo Grave Nebulização 0,5ml/Kg (máximo 5 mL) da solução 1:1000 diluída em 5mL de soro (SF) ou pura a cada 20 minutos, se necessário Crupe Grave Nebulização 0,5ml/Kg (máximo 5 mL) da solução 1:1000 diluída em 5mL de soro (SF) ou pura a cada 20 – 30 minutos, conforme gravidade do quadro Push Dose ( bólus diluído) IV Diluição: Retirar 1mL da Adrenalina 1 :10.000 (0,1 mg/mL), e diluir em 09 mL de SF 0,9%, tendo solução final de 0,01mg/mL (10mcg/mL) 0,5 – 2 mcg/Kg (0,05 – 0,2 mL/Kg da solução preparada) a cada 2 a 5 minutos, conforme necessidade Como Evitar a Próxima Tragédia: O Protocolo da Segurança A solução passa pela criação de uma mudança de cultura dentro da equipe: O Cuidado com a Vida exige a humildade de saber que todos somos falíveis. É urgente que transformemos a arrogância em colaboração para que tragédias evitáveis assim nunca mais se repitam. Nossos sentimentos à família e colegas de Benício Xavier de Freitas.

Brasil tem primeira viatura do Samu Indígena. Qual a diferença?

O Ministério da Saúde do Brasil inaugurou a primeira viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Indígena. A viatura, que começou a funcionar, será utilizada para atendimentos de urgência e emergência. Mas, qual é a diferença para outras unidades já existentes desse serviço? Os Desafios Reais do SAMU Convencional Primeiramente para entender a necessidade de um SAMU especializado, no caso o Samu indígena, a gente precisa olhar para alguns desafios no geral: Vamos entender a diferença: Imagine que você mora em uma comunidade distante, com rios e florestas em vez de ruas e avenidas. Agora, pense em uma emergência médica. Você confia que a ajuda vai chegar a tempo? Que ela estará preparada para lidar não apenas com o problema de saúde, mas também com a cultura e a língua da sua comunidade? Ou melhor, imagine você profissional da saúde que deve ir a uma ocorrência em uma tribo indígena. Você saberá se comunicar da mesma forma que um nativo da tribo? A equipe do SAMU Indígena? Baseado em nossa reflexão o SAMU indígena veio justamente com essa proposta. Ele terá 14 profissionais, sendo cinco(5) técnicos de enfermagem, cinco(5) enfermeiros e quatro(4) condutores-socorristas. Sete(7), 50% da equipe, são profissionais de saúde indígenas que também falam guarani. Os pacientes indígenas serão encaminhados para hospitais de referência da região que também conta com profissionais fluentes em guarani.  Em resumo, ter um SAMU especializado é uma tentativa de reconhecer a diversidade do nosso país e de garantir que todos tenham direito a um atendimento de urgência de qualidade independentemente de onde vivam ou de sua cultura. Além disso, é dar voz e, principalmente, ação a uma causa de equidade em saúde que precisa ser abraçada por todos nós. Veja mais…

Icterícia neonatal: os pais escolheram a cura pela fé, mas…

berço

Na pequena casa da família Piland, em fevereiro de 2017, o choro da recém-nascida Abigail ecoava pelas paredes. Era o som da vida começando. Rachel, a mãe, acreditava em um parto perfeito e abençoado em casa. O pai, Joshua, via naquelas horas iniciais a confirmação daquilo que pregava: Deus havia sido generoso. Entretanto havia um detalhe: logo após o nascimento da filha, a parteira percebeu que a menina estava com icterícia, mas no geral saudável. Mas no dia seguinte, algo mudou. Fé e Ciência: Entenda a história Icterícia. Um sintoma comum, geralmente fácil de tratar com fototerapia. Porém foi nesse ponto que a linha entre a fé e a responsabilidade se tornou uma tragédia. A bilirrubina, substância facilmente monitorada e controlada, subia perigosamente no sangue de Abigail. A cada hora que passava, sem o devido atendimento médico, ela caminhava para um dano cerebral irreversível. Os pais, Joshua e Rachel, optaram por “acreditar na palavra de Deus em vez dos sintomas”. A parteira retornou à casa, verificando a persistência da icterícia, e imediatamente informou aos pais para procurarem um serviço de emergência. – Vocês precisam procurar atendimento agora”, orientou ela, com calma. Rachel respirou fundo. Olhou para a filha. Depois, para o marido.-“Não”, respondeu. “Abigail está bem. Deus não comete erros.” E então, no terceiro dia de vida… o silêncio. A bebê estava morta. Mas, em vez de chamar uma ambulância, Joshua e Rachel Piland chamaram amigos. Amigos que vieram não com estetoscópios, mas sim com Bíblias. Chegaram não para levar Abigail ao hospital, mas para tentar “ressuscitá-la”. Somente nove horas depois da morte, quando a polícia chegou, o casal e os amigos ainda estavam ajoelhados, orando sobre o corpo. Joshua permaneceu convicto: – “Eu não teria feito nada diferente.”– “Se tivesse que escolher entre colocar minha filha nas mãos dos melhores médicos do mundo ou nas mãos de Jesus Cristo, escolheria Jesus.” Mas Abigail precisaria apenas de fototerapia, de cuidados simples, de uma ida ao hospital. Precisaria da medicina que os pais recusaram. A autópsia confirmou:A bebê morreu por excesso de bilirrubina no cérebro. A mesma icterícia que a parteira avisou no primeiro dia. O tribunal foi categórico: a escolha dos pais não foi fé e sim negligência.E essa negligência custou uma vida que tinha horas, dias, meses, anos a viver. Joshua e Rachel foram condenados a 20 a 45 anos de prisão, não por acreditarem em Deus — mas por acreditarem que a fé deveria substituir cuidados médicos básicos. Veja mais