“Emergência 53”: de expectativa à decepção

A expectativa era grande. Afinal, ver o atendimento pré-hospitalar, uma das pontas mais pulsantes e desafiadoras da saúde pública, ganhar espaço na dramaturgia parecia uma oportunidade única de reconhecimento. A promessa era mostrar os bastidores e a complexidade do SAMU. A realidade, no entanto, entregou uma profunda decepção para quem vive essa rotina na pele. Pelo menos nos primeiros episódios, o que era para ser representação virou um retrato caricato e totalmente fora da realidade. Nas redes e nos corredores dos serviços, a indignação é generalizada. Quando a ficção erra a mão: a frustração com “Emergência 53” A série peca gravemente ao expor uma dinâmica marcada por desrespeito constante entre a equipe, xingamentos nos plantões, brigas e um despreparo emocional que não condiz com a postura de quem lida diariamente com a vida e a morte. Além das falhas éticas e relacionais, os erros operacionais e procedimentais saltam aos olhos de qualquer profissional da área. O apagamento de categorias inteiras é talvez uma das omissões mais graves: as Unidades de Suporte Básico (USB) e as motolâncias simplesmente sumiram de cena. Na prática real do SUS, cerca de 70% dos atendimentos são realizados por essas Unidades Básicas. Ao mostrar apenas médicos e enfermeiros, a série invisibiliza a maior parte da força de trabalho que sustenta o APH no Brasil. A frustração fica ainda mais evidente quando comparamos com o impacto recente de produções como The Pitt. A série internacional conseguiu encantar tanto o público leigo quanto a comunidade dos profissionais da saúde justamente por apostar na verossimilhança dos procedimentos e no retrato humano da exaustão, sem precisar apelar para o sensacionalismo. The Pitt provou que a rotina da saúde real já tem drama, tensão e beleza suficientes para prender a atenção de qualquer um. Para quem é de fora, o roteiro pode até parecer movimentado, mas o efeito colateral é nocivo: passa a ideia de que o SAMU é um caos desorganizado. Uma pena. O SAMU real merecia a reprodução da dignidade e precisão técnica que reproduz. Você também sentiu essa diferença ao assistir? A decepção com a representação do SAMU bateu forte no seu plantão? A copa está aberta para conversarmos sobre o assunto. Entre para nossa comunidade em nossas redes sociais. + Posts…
