A conta que a gente esquece de fazer: quanto custa o valor da sua consulta?

Você já teve aquela sensação no final do mês, de que trabalhou como um louco, atendeu dezenas de pessoas, mas a conta bancária e o seu nível de cansaço simplesmente não batem? A gente senta, toma um café rápido e volta para o próximo paciente, muitas vezes sem coragem de encarar os números. Com isso nunca sabemos qual valor da consulta seria ideal para a nossa rotina. Falar de dinheiro na saúde ainda é um tabu. Parece que, se cobrarmos o que é justo, estamos sendo “menos humanos”. Mas a verdade é o oposto: um profissional exausto e financeiramente sufocado não consegue oferecer o melhor cuidado. Quanto custa meu atendimento? Para tirar esse peso das suas costas e trazer um pouco de clareza para a sua rotina, criamos a Calculadora de Valor do Atendimento. Ela não é uma regra, nem vai te dizer “o que” cobrar. Pense nela como um espelho. Muitas vezes, a gente subestima o que entrega. O seu atendimento não são apenas os 40 ou 60 minutos em que o paciente está na sua frente. Para aquele momento acontecer, existe: Como calcular o valor da minha consulta? Para que o resultado seja o mais fiel possível à sua realidade, tente preencher cada campo com um olhar generoso sobre o seu próprio esforço: 1. Seus custos fixos: Não é só o aluguel. Coloque aqui tudo o que você gasta para “existir” profissionalmente: CRP/CRM/CREFITO, softwares de prontuário, internet, deslocamento e até aquele curso de atualização. Mesmo se você atende online, seu trabalho tem custo. 2. Sua meta de renda: Esqueça o valor de “sobrevivência”. Pense em quanto você precisa para viver com dignidade, ter lazer, se alimentar bem e fazer uma reserva. Se você não define sua meta, o mercado define por você. 3. Volume de atendimentos: Seja realista. Quantas pessoas você consegue atender por mês sem chegar ao esgotamento? Lembre-se de descontar as faltas e o tempo necessário para respirar entre um paciente e outro. 4. O tempo real do cuidado: Seu atendimento não são apenas os minutos com o paciente na sala. Calcule também o tempo que você gasta escrevendo a evolução, estudando o caso e respondendo mensagens. Se o olho no olho dura 40 minutos, mas o trabalho total leva 60, o número real é 60. 5. Complexidade e responsabilidade: Nem todo atendimento pesa igual. Ajuste o nível de complexidade conforme a carga emocional e o risco envolvido. Reconhecer a complexidade não é ego, é honestidade técnica. Calculadora de Valor do Atendimento Esta ferramenta é apenas uma estimativa educacional para ajudar profissionais da saúde a refletirem sobre o valor mínimo sustentável do seu atendimento. Custos mensais (R$) Meta de renda mensal (R$) Atendimentos por mês Tempo médio por atendimento (min) Complexidade do atendimento BaixaModeradaAlta Calcular valor mínimo 💡 Este valor não define quanto você deve cobrar, mas quanto seu atendimento precisa valer para ser sustentável. Sustentabilidade também é ética Quando a gente não define uma meta de renda a partir do valor da consulta e um limite saudável de atendimentos, o mercado define por nós. E o mercado, geralmente, puxa para baixo. Se a conta não fecha, alguém está pagando a diferença. E na maioria das vezes quem paga é a sua saúde, o seu tempo com a família ou a sua paciência com quem você ama. Cuidar de si para poder cuidar do outro não é egoísmo, é sustentabilidade. Use a calculadora tranquilamente. Caso o resultado mostre que você deveria estar cobrando mais do que cobra hoje, não se culpe: use essa informação como uma bússola para pequenos ajustes futuros. O objetivo é que você possa trabalhar com dignidade, sem precisar se esgotar para pagar as contas básicas. Afinal, a medicina, a fisioterapia, a nutrição, a enfermagem, etc; são paixões, mas também são a nossa fonte de renda. Toma seu café. Olhar para os números pode dar um frio na barriga, mas é o primeiro passo para você voltar a respirar aliviado no final do mês.
SAMU: Os desafios de constatar um óbito no asfalto

Esta semana, uma notícia gelou o coração de quem trabalha na ponta: uma médica do SAMU constatou o óbito de uma mulher no asfalto após um atropelamento, mas, na hora de remover o corpo, um socorrista percebeu movimentos torácicos. A paciente foi reanimada e hoje luta pela vida em uma UTI. Para quem está de fora, parece um erro primário. Para quem vive a realidade da rua, esse é um dos maiores pesadelos possíveis. Aqui a gente sabe que o asfalto não é o hospital. Não tem luz perfeita, silêncio ou monitores de última geração. Tem barulho, chuva, curiosos e a pressão de um relógio que corre contra você. A técnica e o caos Constatar um óbito fora do hospital (no APH) é uma responsabilidade imensa e, às vezes, traiçoeira. O protocolo do SAMU possui dois caminhos, mas ambos exigem nervos de aço: Mas por que o erro pode acontecer? Quem já atendeu no meio de uma rodovia sabe: a hipotermia (o corpo frio) e a hipotensão severa (pressão muito baixa) podem esconder os sinais de vida. O pulso fica tão fino que a luva de latex impede o tato. O barulho dos carros e das sirenes impede a ausculta. Roupas grossas ou ferragens de um carro batido dificultam ver se o tórax está subindo. No meio do caos, os nossos sentidos podem ser enganados. Na dúvida, a vida primeiro É por isso que a orientação de ouro no APH é: na dúvida, inicie a reanimação. Fora do ambiente controlado, a tecnologia é limitada. O protocolo existe para nos proteger e proteger o paciente, prevendo que se inicie as manobras e se busque ajuda especializada o quanto antes. Errar para o lado da vida — ou seja, tentar reanimar alguém que talvez já tenha partido — é sempre o caminho mais seguro para a consciência e para a ética. Um recado para quem carrega essa decisão A gente sabe que ninguém sai de casa querendo errar. O peso de uma decisão dessas no meio da rua é algo que poucos entendem. Se você trabalha no SAMU, nos Bombeiros ou no resgate rodoviário, saiba que a sua dedicação em um ambiente tão hostil é gigante. Nós somos humanos, e os nossos sentidos têm limites. Que esse caso sirva de lembrete para a gente nunca baixar a guarda, mas também para acolhermos uns aos outros na dificuldade que é decidir sobre a vida e a morte sob a luz do giroflex. Você que trabalha no APH, já viveu alguma situação onde foi difícil ter certeza se o paciente ainda estava conosco? Como você lida com a pressão de decidir parar (ou não) uma reanimação no meio da rua? Compartilha sua experiência com a gente aqui nos comentários. Ouvir quem vive o mesmo que a gente ajuda a tornar o peso da decisão um pouco mais leve.
Calculadora de Volume Corrente na Ventilação Mecânica

Ventilação Mecânica Estatura, peso ideal e volume corrente Sexo Homem Mulher Método de estimativa da estatura Semi-envergadura Altura do joelho Semi-envergadura (cm) Altura do joelho (cm) Idade (anos) Calcular Resultados Estatura estimada: cm Peso ideal: kg 4 mL/kg 6 mL/kg 8 mL/kg Qual é o objetivo da calculadora? O principal objetivo da calculadora é estimar a estatura e o peso ideal do paciente, mesmo quando não é possível medir a altura real, e a partir disso sugerir volumes correntes adequados, baseados em mL/kg de peso ideal. Essa abordagem é especialmente útil em situações comuns na prática: Como a estatura é estimada? A calculadora permite duas formas validadas de estimativa da estatura: O usuário escolhe o método mais adequado para o cenário clínico e informa os dados solicitados. Em muitos cenários clínicos, especialmente em unidades de terapia intensiva, pronto-socorro e enfermarias, não é possível medir a altura real do paciente de forma confiável. No entanto, a estatura é uma variável fundamental, pois está diretamente relacionada ao tamanho pulmonar e, consequentemente, ao ajuste adequado da ventilação mecânica. Por isso, a calculadora utiliza métodos indiretos validados para estimar a estatura, a partir de medidas corporais simples, permitindo maior precisão mesmo em pacientes acamados. A ferramenta oferece duas opções de estimativa: Estimativa pela semi-envergadura do braço Esse método utiliza a medida da semi-envergadura, que corresponde à distância do esterno até a extremidade do dedo médio, com o braço estendido lateralmente. As fórmulas utilizadas são: Mulheres:Estatura (cm) = (1,35 × semi-envergadura em cm) + 60,1 Homens:Estatura (cm) = (1,40 × semi-envergadura em cm) + 57,8 Esse método é especialmente útil quando o paciente não consegue permanecer em posição ortostática ou quando a mobilização é limitada. Estimativa pela altura do joelho A estimativa da estatura pela altura do joelho é amplamente utilizada em pacientes idosos, acamados ou com deformidades posturais. Esse método considera, além da medida do joelho ( com o joelho semifletido a 90º), a idade do paciente, tornando a estimativa mais ajustada à realidade clínica. As fórmulas utilizadas são: Mulheres:Estatura (cm) = [(2,02 × altura do joelho em cm) − (0,04 × idade em anos)] + 64,19 Homens:Estatura (cm) = [(1,83 × altura do joelho em cm) − (0,24 × idade em anos)] + 84,88 A estatura estimada por um desses métodos é então utilizada para o cálculo do peso corporal ideal, que servirá de base para a definição dos volumes correntes na ventilação mecânica. Como o peso ideal é calculado? Após estimar a estatura, a calculadora utiliza fórmulas clássicas para estimar o peso ideal, específicas para homens e mulheres: Homens:Peso ideal (kg) = 50 + 0,91 × (altura em cm − 152,4) Mulheres:Peso ideal (kg) = 45,5 + 0,91 × (altura em cm − 152,4) Essas fórmulas partem de um valor basal e acrescentam um fator proporcional à altura acima de 152,4 cm, refletindo de forma mais adequada o volume pulmonar esperado para cada paciente. O peso ideal obtido é então utilizado como base para o cálculo dos volumes correntes em mL/kg, permitindo uma abordagem mais segura e individualizada da ventilação mecânica. ⚠️ Importante lembrar Esta calculadora é uma ferramenta de apoio à decisão clínica. Ela não substitui a avaliação médica ou fisioterapêutica completa, nem o julgamento clínico baseado no contexto do paciente, mecânica respiratória, gasometria e objetivos terapêuticos. Referências ARDSNET; BROWER, R.G.; MATTHAY, M.A.; MORRIS, A.; SCHOENFELD, D. THOMPSON, B.T.; WHEELER, A. Ventilation with lower tidal volumes as compared with traditional tidal volumes for acute lung injury and the acute respiratory distress syndrome. N Engl J Med. v. 342, n.18, p. 1301–1308, 2000. Daradkeh, Ghazi & Essa, Musthafa & Guizani, Nejib. (2016). Handbook for Nutritional Assessment through Life Cycle. EATON–EVANS, J. NUTRITIONAL ASSESSMENT | Anthropometry*. Encyclopedia of Human Nutrition, p. 311–318, 2005.
🧦 GAME: Qual meia você deve usar no próximo plantão? Descubra com nosso teste!

Se tem uma coisa que todo profissional de saúde sabe é que cada plantão tem sua própria temperatura. Às vezes parece um caos de intercorrências, outras vezes mais parece um dia de spa (ok, quase nunca 😅). Pensando nisso, criamos um teste: “Qual meia você deve usar no próximo plantão hospitalar?” Responda as perguntas e descubra. A ideia é simples: você responde algumas perguntas sobre o que rolou no seu último plantão hospitalar. No final, o jogo calcula sua pontuação e revela qual tipo de meia combina com você. Chegou a hora de comparar os resultados e ver quem realmente tem o “pé frio” do setor. Compare com os seus colegas do plantão para verificar quem é o “pé-frio” e o “pé-quente” da equipe. 🧦 Descubra qual meia usar no próximo plantão Responda de acordo com o que aconteceu no seu último plantão. 1) No último plantão, quantas admissões de pacientes? 2) No último plantão, quantas altas de pacientes? 3) No último plantão, quantas PCRs (paradas cardiorrespiratórias) ocorreram? 4) No último plantão, quantos óbitos ocorreram? 5) No último plantão, quantas intubações foram feitas? 6) No último plantão, quantas extubações foram feitas? 7) No último plantão, quantos pacientes ficaram desorientados/agitados? 8) No último plantão, quantos procedimentos com intercorrências ocorreram? 9) No último plantão, quantas vezes você foi chamado no repouso/copa por intercorrências? 10) No último plantão, houve quantas confusões (com equipe ou familiares)? Descobrir minha meia 🧦 🔄 Jogar de novo
Qual é o seu perfil durante a pausa do café do plantão?

Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas…todos amam um café durante a pausa do plantão?
