(CFM) Médico pode dividir dias entre paciente particular e de plano

O Conselho Federal de Medicina publicou o Parecer nº 1/2026, que reforça a legalidade de o médico organizar sua agenda de forma distinta para atendimentos particulares e por convênios. Na prática, o profissional tem autonomia para estabelecer horários e dias diferentes para cada modalidade, desde que respeite o que foi pactuado nos contratos vigentes com as operadoras de saúde. A medida visa dar mais previsibilidade e eficiência ao fluxo de trabalho no consultório. Quem vive a rotina de consultório sabe o equilíbrio delicado que é manter a sustentabilidade financeira sem abrir mão da qualidade do tempo com o paciente. A organização da agenda não é apenas uma questão de “fluxo de caixa”, mas de saúde mental para o profissional e de respeito para quem espera pelo atendimento. Ter a liberdade de separar esses momentos pode ser o caminho para sair de um modelo baseado puramente em volume e caminhar para um atendimento com mais presença e valor. No entanto, sabemos que no “mundo real” as pressões das operadoras e a demanda represada dos pacientes trazem dilemas éticos diários. O desafio da autonomia é saber usá-la para que o médico se sinta menos sobrecarregado e o paciente, independente da fonte pagadora, sinta que aquele tempo foi dedicado inteiramente a ele. A agenda, afinal, é a ferramenta que organiza o nosso encontro com o outro. Como você equilibra a sua agenda hoje? Você sente que essa autonomia ajuda a diminuir o cansaço do dia a dia ou as pressões externas ainda falam mais alto? Chega mais na nossa Copa. Os comentários é o lugar para a gente falar sobre os desafios da gestão e como proteger o nosso tempo sem perder a essência do cuidado.

A conta que a gente esquece de fazer: quanto custa o valor da sua consulta?

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Você já teve aquela sensação no final do mês, de que trabalhou como um louco, atendeu dezenas de pessoas, mas a conta bancária e o seu nível de cansaço simplesmente não batem? A gente senta, toma um café rápido e volta para o próximo paciente, muitas vezes sem coragem de encarar os números. Com isso nunca sabemos qual valor da consulta seria ideal para a nossa rotina. Falar de dinheiro na saúde ainda é um tabu. Parece que, se cobrarmos o que é justo, estamos sendo “menos humanos”. Mas a verdade é o oposto: um profissional exausto e financeiramente sufocado não consegue oferecer o melhor cuidado. Quanto custa meu atendimento? Para tirar esse peso das suas costas e trazer um pouco de clareza para a sua rotina, criamos a Calculadora de Valor do Atendimento. Ela não é uma regra, nem vai te dizer “o que” cobrar. Pense nela como um espelho. Muitas vezes, a gente subestima o que entrega. O seu atendimento não são apenas os 40 ou 60 minutos em que o paciente está na sua frente. Para aquele momento acontecer, existe: Como calcular o valor da minha consulta? Para que o resultado seja o mais fiel possível à sua realidade, tente preencher cada campo com um olhar generoso sobre o seu próprio esforço: 1. Seus custos fixos: Não é só o aluguel. Coloque aqui tudo o que você gasta para “existir” profissionalmente: CRP/CRM/CREFITO, softwares de prontuário, internet, deslocamento e até aquele curso de atualização. Mesmo se você atende online, seu trabalho tem custo. 2. Sua meta de renda: Esqueça o valor de “sobrevivência”. Pense em quanto você precisa para viver com dignidade, ter lazer, se alimentar bem e fazer uma reserva. Se você não define sua meta, o mercado define por você. 3. Volume de atendimentos: Seja realista. Quantas pessoas você consegue atender por mês sem chegar ao esgotamento? Lembre-se de descontar as faltas e o tempo necessário para respirar entre um paciente e outro. 4. O tempo real do cuidado: Seu atendimento não são apenas os minutos com o paciente na sala. Calcule também o tempo que você gasta escrevendo a evolução, estudando o caso e respondendo mensagens. Se o olho no olho dura 40 minutos, mas o trabalho total leva 60, o número real é 60. 5. Complexidade e responsabilidade: Nem todo atendimento pesa igual. Ajuste o nível de complexidade conforme a carga emocional e o risco envolvido. Reconhecer a complexidade não é ego, é honestidade técnica. Calculadora de Valor do Atendimento Esta ferramenta é apenas uma estimativa educacional para ajudar profissionais da saúde a refletirem sobre o valor mínimo sustentável do seu atendimento. Custos mensais (R$) Meta de renda mensal (R$) Atendimentos por mês Tempo médio por atendimento (min) Complexidade do atendimento BaixaModeradaAlta Calcular valor mínimo 💡 Este valor não define quanto você deve cobrar, mas quanto seu atendimento precisa valer para ser sustentável. Sustentabilidade também é ética Quando a gente não define uma meta de renda a partir do valor da consulta e um limite saudável de atendimentos, o mercado define por nós. E o mercado, geralmente, puxa para baixo. Se a conta não fecha, alguém está pagando a diferença. E na maioria das vezes quem paga é a sua saúde, o seu tempo com a família ou a sua paciência com quem você ama. Cuidar de si para poder cuidar do outro não é egoísmo, é sustentabilidade. Use a calculadora tranquilamente. Caso o resultado mostre que você deveria estar cobrando mais do que cobra hoje, não se culpe: use essa informação como uma bússola para pequenos ajustes futuros. O objetivo é que você possa trabalhar com dignidade, sem precisar se esgotar para pagar as contas básicas. Afinal, a medicina, a fisioterapia, a nutrição, a enfermagem, etc; são paixões, mas também são a nossa fonte de renda. Toma seu café. Olhar para os números pode dar um frio na barriga, mas é o primeiro passo para você voltar a respirar aliviado no final do mês.