Ambulância no engarrafamento: como agir?

Você já deve ter visto aquele vídeo que circulou recentemente: um médico, no meio de um engarrafamento caótico, precisando descer da ambulância para bater no vidro dos carros e implorar que abrissem caminho. É uma cena que dói. Dói porque mostra o desespero de quem tem uma vida nas mãos e se vê bloqueado por uma fila de carros à frente. Como motoristas deveriam agir nesses casos? Preparamos um material para que você, profissional de saúde, possa divulgar e ajudar na educação de todos Ambulância no engarrafamento: uma panela de pressão Quem trabalha no SAMU, no Resgate ou nos Bombeiros sabe que a cabine da ambulância se transforma em uma panela de pressão. O som da sirene, que já é alto lá fora, vira um ruído constante que enlouquce os nervos. O condutor precisa ter olhos de águia e paciência de monge. O pessoal lá atrás precisa se equilibrar para puncionar uma veia ou fazer uma massagem cardíaca enquanto o carro balança, freia e tenta desviar do caos. É exaustivo. E quando o trânsito trava de vez, a sensação de impotência é uma das piores que um profissional de saúde pode sentir. O que os motoristas dos carros precisam saber para ajudar? Muitas vezes, as pessoas não saem da frente por maldade, mas por puro pânico ou falta de saber para onde ir. Se você puder passar essa informação adiante, ou se você mesmo estiver dirigindo, aqui está o básico para abrir o caminho: Deixar de dar passagem a veículos de emergência (ambulâncias, bombeiros, polícia) em serviço é considerado uma infração gravíssima pelo Artigo 189 do CTB: Dica Extra: Se você for multado por avançar um radar para dar passagem, guarde evidências (como o horário e a identificação da viatura) para um eventual recurso fundamentado no artigo de prioridade de trânsito. Um “obrigado” para quem pilota essa missão A gente sabe que nem todo mundo vai agradecer. A gente sabe que vai ter motorista que vai fechar a frente de propósito ou pedestre que vai atravessar na hora errada. Mas queria deixar aqui um abraço para você, condutor socorrista, médico e enfermeiro de APH. Vocês são os mestres da improvisação em um cenário que ninguém controla. O trabalho de vocês começa muito antes do hospital, enfrentando o sol, a chuva e o asfalto que não coopera. Se hoje o trânsito foi difícil e você sentiu que o mundo não estava ajudando, calma. Você fez o seu melhor dentro do possível. A vida que você carrega aí atrás sabe que você está lutando por ela. Você que trabalha no APH, qual foi a situação mais difícil que já passou no trânsito? E você, motorista, já sentiu aquela “trava” sem saber para onde ir quando ouviu a sirene? Vamos trocar essas experiências no nosso fórum. Faça seu registro e nos mostre o seu relato.
Conheça o Primeiro Hospital Público Inteligente do Brasil!

O Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a dar um salto tecnológico gigantesco. Foi oficializada a parceria para a implantação do Instituto de Tecnologia de Emergência do Hospital das Clínicas (HC) da USP, que será o primeiro hospital público inteligente do SUS. Este projeto ambicioso foi idealizado pela Professora Ludhmila Hajjar e representa uma revolução na forma como o país trata pacientes graves e tempo-dependentes. O Que é um Hospital Inteligente no SUS? O Instituto de Tecnologia de Emergência é um conceito de hospital centrado na eficiência e segurança do atendimento ao paciente crítico. Ele será a 11ª unidade do Complexo HC e funcionará como um hospital central de assistência, ensino, pesquisa e inovação. Na prática, a “inteligência” do hospital será construída sobre os seguintes aspectos tecnológicos: A Chave é Vencer o Tempo A principal missão desse hospital inteligente é vencer o desafio das situações tempo-dependentes, pois em casos de Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (AVC), trauma ou hemorragia, cada minuto conta. Em um AVC, por exemplo, o tempo para desobstruir uma artéria é crucial para a sobrevida e para reduzir sequelas. A medicina inteligente, por meio de sistemas automatizados e integrados, visa reduzir esse tempo de porta-agulha e de decisão clínica, proporcionando terapias personalizadas e de precisão. Um SUS Conectado Um problema crônico do nosso sistema de saúde é a fragmentação de dados: inúmeros sistemas que não se comunicam entre hospitais ou até mesmo dentro da mesma unidade. A grande inovação do Instituto Tecnológico de Emergência será criar uma linguagem universal para o atendimento de pacientes graves. A ideia é que o novo hospital esteja integrado às outras unidades da rede HC (como InCor e ICESP) e, futuramente, conectado a outras unidades de excelência em uma rede nacional. Essa integração será a base para que o modelo seja replicado em todas as regiões do Brasil. Cooperação Internacional e Investimento Bilionário A implementação desse projeto segue a tendência de países como China, Índia, Estados Unidos e Alemanha, que já investem na transformação da medicina inteligente. O Brasil busca ativamente a transferência de tecnologia, especialmente da China, para avançar no projeto. O Ministério da Saúde assinou um acordo de cooperação técnica para viabilizar o investimento junto ao Banco dos BRICS, na ordem de R$ 1,7 bilhão. Esse valor não apenas financiará o hospital inteligente, mas também uma rede nacional de serviços de alta precisão, incluindo a modernização de UTIs e unidades de excelência em todo o país. Com obras previstas para iniciar até 2026 e término em 2029, o Hospital Inteligente do HC-USP é um marco que sinaliza o compromisso do Estado em utilizar a tecnologia para oferecer um SUS mais eficiente e seguro para o paciente de alta complexidade.
Guia Rápido de Monitorização Hemodinâmica para o Plantão!

Sabemos que a realidade do plantão não oferece tempo para longas leituras ou revisões complexas. A monitorização hemodinâmica é um dos pilares fundamentais no cuidado ao paciente crítico. Em um cenário onde segundos fazem a diferença, compreender como avaliar a perfusão, interpretar parâmetros fisiológicos e tomar decisões rápidas e embasadas torna-se essencial para salvar vidas. Pensando nisso, desenvolvemos este e-book sobre Monitorização Hemodinâmica básica, elaborado especialmente para profissionais da saúde que desejam aprimorar sua prática diária. Este material reúne, de forma clara e objetiva, os principais conceitos que norteiam a monitorização hemodinâmica. O conteúdo foi estruturado para ser fácil de entender, visualmente organizado e alinhado às necessidades reais de quem atua em pronto atendimento, unidades de terapia intensiva, emergência, enfermaria ou transporte de pacientes graves. Seja você médico, enfermeiro, fisioterapeuta, estudante ou residente, este e-book vai ampliar sua visão sobre estabilidade e instabilidade hemodinâmica, oferecendo ferramentas para interpretar cada parâmetro de forma integrada e eficiente. Não fique de fora da evolução do conhecimento! Inscreva-se no nosso fórum exclusivo para receber as próximas expansões do conteúdo e aprofundar seu conhecimento na Monitorização Hemodinâmica. Ebook Monitorização Hemodinâmica
Caso Benício Xavier: Uma Análise para Profissionais de Saúde

O recente caso do óbito de uma criança de 6 anos (Benício Xavier) por overdose no uso de Adrenalina, resultado de uma sequência de erros que se estendeu da prescrição à beira do leito, é um alerta que precisamos encarar de frente. Não se trata apenas de uma falha individual; é o colapso de um sistema contaminado por pressa, arrogância e falhas administrativas. Vamos compreender a cadeia de eventos para entender por que este tipo de tragédia, infelizmente, ainda acontece em nossos hospitais: A Cadeia de Erros: Falha na Comunicação A fatalidade não foi causada por um erro, mas por múltiplos pontos de falha que se alinharam: O desfecho trágico pode ter sido influenciado por um fator cultural que assola muitos hospitais: a briga de classes e a arrogância profissional. Muitas vezes, quando a Enfermagem (a barreira final de segurança) questiona uma prescrição, ela é tratada com arrogância pela equipe médica, vista como desnecessária ou como “entrando na área alheia”. Esse medo da retaliação ou do constrangimento faz com que o profissional de Enfermagem, especialmente os mais jovens, deixe de fazer perguntas e, literalmente, injete o erro. Adrenalina em Pediatria A Adrenalina (Epinefrina) é classificada como um medicamento de alta vigilância devido ao seu potencial de causar danos graves quando usada incorretamente. O erro na dosagem ou na via de administração (como no caso trágico que discutimos) pode ser fatal. É fundamental que o profissional de saúde domine a diferença entre as duas principais vias de uso em crianças: Adrenalina Endovenosa (EV) – Emergência Sistêmica Esta via é usada para tratar condições sistêmicas de risco de vida, como Parada Cardíaca (assístole ou atividade elétrica sem pulso – AESP), Anafilaxia Grave (choque refratário a outras medidas), Choque Séptico (como vasopressor em casos selecionados), onde é necessário que a medicação atinja a circulação rapidamente para exercer efeito em todo o corpo. Sua concentração é 1:10.000 (ou 0.1 mg/ml). Esta é a concentração mais diluída e segura para uso EV. Já sua dose é extremamente baixa, calculada rigorosamente por peso: 0.01 mg/kg. Repetida a cada 3 a 5 minutos na parada cardíaca. Uma administração errônea pode ser letal. Outros riscos incluem taquicardia severa, arritmias, hipertensão e isquemia miocárdica. Adrenalina Nebulizada – Emergência Respiratória Local Esta via é usada para causar um efeito local na mucosa das vias aéreas superiores, com absorção sistêmica mínima, tendo como principal indicação a Laringotraqueobronquite Aguda, pois causa vasoconstrição da mucosa da laringe, reduzindo o edema e melhorando o fluxo de ar. Sua concentração é de 1:1.000 (ou 1mg/ml). Esta é a concentração 10 vezes maior, destinada apenas à nebulização, sendo administrada em volume fixo, independentemente do peso da criança (Ex: 0.5 ml da solução 1:1.000). Como principal risco acontece o fenômeno de rebote pois o efeito vasoconstritor é temporário. O edema pode retornar assim que o efeito da medicação passar, podendo ser utilizada em intervalos de 20 minutos. Logo, a criança que recebe Adrenalina nebulizada deve ser observada por, no mínimo, 2 a 3 horas após a administração. Resumo doses adrenalina em pediatria: Via Dose Intervalo PCR/RCP IV ou IO 0,01 mg/Kg ( equivalente a 0,1 da solução 1:10.000) a cada 3 a 5 minutos durante RCP Anafilaxia IM 0,01mg/Kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000 5 a 15 minutos, se necessário Choque Anafilático Grave IV ou IO 0,01mg/Kg ( solução 1:10.000) Infusão lenta Broncoespasmo Grave IM ou SC 0,01mg/Kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000 a cada 20 minutos, máximo 3 doses Broncoespasmo Grave Nebulização 0,5ml/Kg (máximo 5 mL) da solução 1:1000 diluída em 5mL de soro (SF) ou pura a cada 20 minutos, se necessário Crupe Grave Nebulização 0,5ml/Kg (máximo 5 mL) da solução 1:1000 diluída em 5mL de soro (SF) ou pura a cada 20 – 30 minutos, conforme gravidade do quadro Push Dose ( bólus diluído) IV Diluição: Retirar 1mL da Adrenalina 1 :10.000 (0,1 mg/mL), e diluir em 09 mL de SF 0,9%, tendo solução final de 0,01mg/mL (10mcg/mL) 0,5 – 2 mcg/Kg (0,05 – 0,2 mL/Kg da solução preparada) a cada 2 a 5 minutos, conforme necessidade Como Evitar a Próxima Tragédia: O Protocolo da Segurança A solução passa pela criação de uma mudança de cultura dentro da equipe: O Cuidado com a Vida exige a humildade de saber que todos somos falíveis. É urgente que transformemos a arrogância em colaboração para que tragédias evitáveis assim nunca mais se repitam. Nossos sentimentos à família e colegas de Benício Xavier de Freitas.
Simulador de Ventilação Mecânica

Um ponto importante para todos profissionais que iniciam o aprendizado sobre ventilação mecânica é colocar na prática todo o conhecimento adquirido na teoria. No ambiente da UTI, a margem para erro é zero, e a pressão para tomar a decisão certa no momento exato é imensa, pois muitos fatores podem influenciar em um processo de ventilação eficaz ao paciente. Por isso uma forma para praticar de forma segura é utilizando simulador. Um simulador é uma ferramenta tecnológica que, como o próprio nome já diz, simulam situações realísticas. Logo, esses dispositivos são fundamentais no processo de aprendizagem em conhecimentos básicos e avançados de ventilação mecânica, a depender de cada modelo de simulador. Indicação de Simulador de Ventilação Mecânica Para começar a praticar agora mesmo, existe uma ferramenta de simulação altamente realista, utilizada por profissionais no mundo todo. Ela reproduz acima de tudo a interface e a lógica de um dos equipamentos de ventilação mais modernos do mercado, permitindo que você ganhe proficiência em diversas modalidades. VenTrainer é um simulador gratuito de ventilação mecânica da Hamilton Medical, uma marca bastante conhecida de produtos médicos. Nesse simulador é possível escolher dentre vários modelos de ventiladores mecânicos, explorar a suas interfaces, além de simular casos para treinar suas habilidades em ventilação mecânica. De fato o que você treina no simulador é exatamente o que você verá na UTI. O download do simulador pode ser feito através do seguinte link: Simulador VentTrainer Hamilton Medical. Colaboração entre Colegas: Qual Simulador Você Usa? Sabemos que cada UTI usa um modelo de ventilador específico—Dräger, Maquet, Philips, entre outros. Para ajudar a comunidade, vamos montar uma biblioteca de recursos! Se você conhece ou usa um simulador de ventilação de outras marcas, por favor, compartilhe o link em nosso tópico no Conversa na Copa! Ao trocar essa informação, garantimos não só o conhecimento compartilhado, mas também que todos os nossos colegas tenham a chance de treinar no modelo de ventilador que eles realmente encontrarão no seu local de trabalho. Participe.
Precisamos falar sobre o profissional do plantão noturno

Precisamos discutir um pouco sobre os profissionais de saúde que trabalham durante os plantões noturnos. Como está a qualidade de vida dessas pessoas ?
