Educato: o mascote que não perdoa erro na Medicina

Se você tem acompanhado as redes sociais nas últimas semanas, provavelmente já se deparou com algum vídeo de estudante de medicina sendo humilhado por um mascote. A plataforma de estudos Educato virou um fenômeno entre estudantes de medicina e residentes, mas o grande motor desse buzz no TikTok e no Instagram não é apenas o banco de questões ou os resumos. É o mascote do aplicativo. Ao contrário das assistências virtuais simpáticas e acolhedoras a que estamos acostumados, o mascote do Educato tem uma linguagem afiada. Se o aluno erra uma questão por desatenção, ou chuta uma resposta considerada absurda para o contexto clínico, o aplicativo não economiza no sarcasmo. A chamada “humilhação misteriosa” virou trend, gerando milhares de vídeos de estudantes caindo na gargalhada (e no desespero) com as patadas virtuais. Um método duvidoso ou apenas familiar? A repercussão levanta uma reflexão interessante sobre como aprendemos na área médica. Por um lado, o choque e o humor funcionam como uma ferramenta potente de memorização: o cérebro dificilmente esquece uma conduta médica errada quando ela vem acompanhada de uma resposta marcante. É a gamificação levada para o lado do deboche. Por outro lado, o fenômeno chama atenção por outro motivo: a familiaridade. Para quem já está no internato ou na residência, o tom do mascote não é exatamente uma novidade. A figura do preceptor rígido, da sabatina à beira do leito e da exposição do erro sempre fizeram parte da cultura tradicional do ensino médico. A diferença é que, na tela do celular, a situação ganha contornos de humor e entretenimento, permitindo que os próprios estudantes riam de um padrão de cobrança que, na vida real, costuma gerar bastante estresse. Essa rotina de rotacionar questões no aplicativo virou febre justamente no momento em que os estudantes intensificam a preparação para duas das avaliações mais decisivas da jornada médica no Brasil: o Enare e o Enamed. O peso da preparação: Enare e Enamed Para entender a corrida às plataformas de questões, vale lembrar o papel desses dois exames na vida de quem está prestes a se formar: Enare (Exame Nacional de Residência) Gerido pela HU Brasil, o Enare é considerado o “Enem da Residência Médica”. Ele unifica os processos seletivos de dezenas de hospitais universitários e instituições de saúde públicas e filantrópicas por todo o país. Com uma única prova, o candidato disputa vagas em diversas especialidades médicas, tornando o exame um dos maiores e mais concorridos do Brasil. Enamed (Exame Nacional da Medicina) Concebido como uma avaliação nacional voltada para os estudantes e formandos de medicina, o Enamed busca aferir o desempenho, a qualidade da formação e as competências clínicas adquiridas ao longo da graduação. A prova serve como um importante indicador do ensino médico no país e exige do aluno domínio técnico afiado sobre as grandes áreas da medicina. O Segredo por Trás dos Vídeos Virais da Educato Afinal, a Educato se tornou a queridinha dos estudantes por ser revolucionária ou existe um “segredo” financeiro por trás desse sucesso massivo? A resposta curta é: ela viraliza porque paga (e muito bem) para que isso aconteça. Por Dentro da “Máquina de Virais” da Educato Ao contrário de outras empresas que gastam milhões com anúncios tradicionais ou grandes influenciadores, a Educato adotou uma estratégia agressiva de marketing chamada Educato Creator Program. O funcionamento dessa engrenagem explica o motivo de haver tantos vídeos sobre ela no TikTok: Isso cria uma ilusão de “conteúdo orgânico”. Para quem está assistindo, parece apenas mais um estudante dando uma dica genuína de estudo, mas, na verdade, é uma peça publicitária altamente orquestrada e paga. Então a Educato é boa ou não? Escondida atrás dessa enorme cortina de fumaça de marketing pago, existe uma ferramenta de verdade. A Educato é um ecossistema de estudos baseado em Inteligência Artificial focado em preparação para exames, competindo diretamente com gigantes como o Quizlet, Anki e ChatGPT. O produto em si tem uma base sólida: Ou seja, o software não é um golpe ou um produto fantasma. É uma plataforma funcional que ajuda na memorização e preparação para provas. Se você está pensando em usar a ferramenta para estudar, vale a pena testar pelos recursos de IA, mas faça isso ignorando o “hype” exagerado dos vídeos. E se você já é usuário e quer fazer uma renda extra em dólares, o programa de criadores deles pode ser uma excelente oportunidade. + Posts…

As bolsas de residência médica e multiprofissional vão aumentar

Se você faz parte de uma residência médica ou multiprofissional em saúde, sabe o quanto a rotina é intensa e o quanto o valor atual da bolsa está defasado. A boa notícia é que o cenário começou a se movimentar em Brasília, trazendo perspectivas reais de reajuste. O Orçamento de 2027: O primeiro passo do governo O Ministério da Saúde deu o primeiro aceno concreto para a categoria ao reservar mais de R$ 800 milhões no Orçamento Federal de 2027 destinados exclusivamente à recomposição das bolsas. Fizemos estimativas a partir de cálculos e o valor pode chegar próximo dos R$ 5.000,00 No Congresso: Projetos buscam quase dobrar o valor atual Enquanto o governo planeja o orçamento, o Congresso Nacional discute propostas bem mais agressivas para fixar um novo piso e garantir gatilhos de correção automática, evitando que o poder de compra volte a congelar no futuro. Conheça os principais Projetos de Lei (PLs) em debate: Esses projetos de lei continuam em tramitação nas comissões da Câmara e do Senado. Isso significa que eles precisam ser votados, aprovados e sancionados para que os valores de R$ 7.500 ou R$ 8.105 virem realidade. O que esperar? O fato de haver uma reserva de mais de R$ 800 milhões no orçamento de 2027 garante que haverá um aumento no início do próximo ano, independentemente da aprovação dos projetos de lei. O grande foco das entidades representativas agora é pressionar o governo para que o percentual oficial chegue o mais próximo possível dos valores propostos pelos parlamentares. Se você quiser acompanhar os desdobramentos de perto, pode ler os detalhes sobre a reserva orçamentária ou checar a tramitação direta do PL 1800/2026 no site do Senado. Acompanhe nosso site para novidades! + Posts …

Canetas Emagrecedoras no SUS: SAIBA TUDO.

A recente sinalização do Ministério da Saúde sobre a incorporação de análogos de GLP-1 (as populares “canetas emagrecedoras”) na rede pública marca um ponto de virada na abordagem da obesidade no Brasil. Para nós, profissionais da saúde, essa medida traz tanto novas ferramentas terapêuticas quanto o desafio de gerenciar expectativas e aplicar critérios de elegibilidade rigorosos na prática clínica. Com a provável alta demanda nos consultórios e ambulatórios, entender o desenho dessa política pública é fundamental para orientar os pacientes de forma realista e baseada em evidências. Então vamos entender como as canetas emagrecedoras serão fornecidas pelo SUS: Critérios de Elegibilidade Diferente do mercado privado, a distribuição no SUS não será universal ou puramente estética. O Ministério da Saúde desenhou uma estratégia focada em custo-efetividade e no manejo de alto risco clínico. O público-alvo inicial está restrito a: O Fluxo de Prescrição O acesso ao medicamento seguirá um protocolo de Diretrizes Terapêuticas (PDT) estrito, exigindo do profissional uma conduta detalhada: A implementação de uma tecnologia de alto custo no SUS exige uma validação rigorosa de sustentabilidade econômica, e o cenário atual divide-se em duas frentes principais. Na primeira, o Ministério da Saúde está conduzindo um projeto-piloto em 2026 (Real-Bari), que consiste em um estudo clínico e de impacto orçamentário para acompanhar 250 pacientes que utilizam a semaglutida. Esse desenho observacional serve especificamente para mensurar a adesão ao tratamento e a redução de desfechos clínicos duros, como o número de internações. Paralelamente, ocorre o trâmite na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde – CONITEC, uma vez que a incorporação definitiva do medicamento e a publicação do Protocolo Clínico oficial ainda dependem do parecer final dessa comissão no SUS. Por essa razão, ainda não há uma dispensação imediata da terapia na rede básica de saúde. Projeto Real-Bari Real-Bari é um projeto-piloto do Ministério da Saúde, iniciado em 26 de junho de 2026 em Porto Alegre (RS), que avalia a distribuição gratuita de canetas emagrecedores à base de semaglutida pelo SUS. Visão Geral do Projeto-Piloto Objetivo Geral: avaliar a efetividade clínica, a segurança e a viabilidade econômica (custo-efetividade) do uso da semaglutida como uma ponte terapêutica para pacientes com obesidade grave que aguardam na fila para a cirurgia bariátrica no SUS. Critérios de Inclusão Para ingressar no protocolo do projeto-piloto, o paciente deve cumprir os seguintes requisitos regulamentares: O Real-Bari foi desenhado sob o formato de um ensaio clínico pragmático. Isso significa que ele foi estruturado para mimetizar exatamente a rotina de atendimento e a prática assistencial do “mundo real” no SUS, e não um ambiente altamente controlado de laboratório. O estudo tem duração total prevista de 2 anos. Você pode ler o estudo completo aqui: https://ensaiosclinicos.gov.br/rg/RBR-6gjvsy3 Quais canetas/medicações que serão disponibilizadas? É importante esclarecer que o Ministério da Saúde ainda não definiu uma lista de marcas comerciais específicas que serão distribuídas nas farmácias do SUS. O foco regulatório e científico do governo está direcionado aos princípios ativos Atualmente os seguintes princípios ativos estão sendo estudados: Semaglutida: É o principal foco da política pública atual e a única substância utilizada oficialmente no projeto-piloto Real-Bari, conduzido pelo Ministério da Saúde. No mercado privado, ela é o princípio ativo de medicamentos consolidados como o Ozempic e o Wegovy. Genéricos e Biológicos (Produção Nacional): Com a recente queda de patentes no mercado brasileiro, o governo planeja viabilizar a sustentabilidade financeira do programa por meio de parcerias de produção local e transferência de tecnologia. Há um contrato firmado entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica EMS para a produção nacional de semaglutida e liraglutida (princípio ativo do Victoza e Saxenda). Parcerias com a Indústria: O anúncio recente feito pelo governo ocorreu durante uma visita ao complexo da Eurofarma, que produz o Poviztra (uma semaglutida biológica desenvolvida em parceria com a Novo Nordisk). Além disso, a Novo Nordisk submeteu uma proposta formal à Conitec oferecendo o Wegovy com desconto expressivo para o sistema público. Para orientar os pacientes Para orientar os pacientes no consultório de forma empática e realista, o profissional de saúde deve gerenciar as expectativas, deixando claro que o medicamento ainda não está disponível nos postos de saúde. Explique que o governo federal anunciou a intenção de oferecer o medicamento e iniciou os estudos técnicos, mas ainda não há uma data de início e nenhuma caneta está sendo distribuída na rede básica de saúde no momento. Também destaque que, quando a distribuição começar, ela será restrita. Deixe claro que o foco do SUS será tratar casos de alta complexidade médica e não o uso estético. Você pode antecipar que os critérios principais deverão incluir: Outro ponto também é reforçar que o acesso não será por meio de uma simples retirada na farmácia popular. O paciente precisará estar em acompanhamento regular na rede pública (SUS), passando por avaliações médicas e multidisciplinares (com nutricionistas e psicólogos) para receber a prescrição oficial dentro dos protocolos do governo. Por fim, aproveite o momento para engajar o paciente nas estratégias que já estão disponíveis no SUS. Reforce a importância de continuar ou iniciar o tratamento focado em mudanças no estilo de vida, reeducação alimentar, atividade física e, se indicado, as opções de medicamentos orais que a rede pública já disponibiliza para o controle do peso e do diabetes. + Posts…

10 Filmes Médicos Baseados em Fatos Reais para Você Assistir

A rotina na área da saúde é intensa. Entre plantões, diagnósticos complexos e a gestão da expectativa de pacientes e familiares, muitas vezes nos falta tempo para nos distanciarmos e refletirmos sobre a nossa própria prática e a evolução da nossa ciência. Por isso, separamos 10 filmes baseados em histórias reais que vão além do entretenimento: eles abordam bioética, empatia, racismo estrutural, saúde mental e a persistência científica perante o desconhecido. São excelentes reflexões sobre o impacto do nosso papel no cuidado humano que servem para alinhar lazer a ganho de conhecimento. Prepare a pipoca para o próximo dia de folga e confira essa seleção: 1. Joy (2024) Este drama britânico narra a jornada obstinada de dez anos de três pioneiros (a enfermeira e embriologista Jean Purdy, o cientista Robert Edwards e o cirurgião Patrick Steptoe) na corrida para desenvolver a fertilização in vitro (FIV), que culminou no nascimento do primeiro “bebê de proveta” do mundo em 1978. Eles enfrentaram uma oposição maciça da igreja, da mídia e do próprio estabelecimento médico da época. Onde assistir: Disponível no catálogo da Netflix Brasil. 2. Mãos Talentosas: A História de Ben Carson (2009) Este filme narra a trajetória de Ben Carson, desde sua infância pobre e desacreditada em Detroit até se tornar o diretor de neurocirurgia pediátrica do Hospital Johns Hopkins. O clímax foca no planejamento e execução da histórica cirurgia de separação de gêmeos siameses unidos pela cabeça. Onde assistir: Disponível por assinatura na Netflix Brasil e no plano básico da Sony One. Também está disponível para aluguel digital na Apple TV e no Amazon Prime Video. 3. Nise: O Coração da Loucura (2016) Representando o cinema nacional, a obra retrata a médica alagoana Nise da Silveira nos anos 1940. Ao reingressar em um hospital psiquiátrico público no Rio de Janeiro, ela se recusa veementemente a adotar as práticas violentas da época, como a lobotomia e o eletrochoque, revolucionando a terapêutica por meio da arteterapia e do afeto. Onde assistir: O filme nacional está disponível no catálogo da Netflix Brasil e frequentemente é exibido na grade do Canal Brasil (disponível via Claro tv+). 4. Um Homem entre Gigantes (2015) O patologista forense Dr. Bennet Omalu descobre uma nova condição neurodegenerativa, a Encefalopatia Traumática Crônica (CTE), ao autopsiar ex-jogadores de futebol americano. Ao publicar seus achados, ele enfrenta uma violenta campanha de negação e descredibilização movida por uma liga multibilionária. Onde assistir: Disponível para assinantes na Netflix Brasil e na Max Brasil, além de opções de aluguel no Amazon Prime Video. 5. Quase Deuses (2004) Na década de 1940, o cirurgião Alfred Blalock estabelece uma parceria com Vivien Thomas, um marceneiro negro que se torna seu técnico de laboratório. Juntos, eles desenvolvem a técnica pioneira de anastomose para salvar os “bebês azuis” (portadores da Tetralogia de Fallot), embora o racismo da época tente apagar o papel de Thomas. Onde assistir: Por ser uma produção original da HBO, está disponível no catálogo de streaming da Max Brasil. 6. Stutz (2022) Dirigido pelo ator Jonah Hill, este documentário experimental subverte a dinâmica tradicional de consultório ao focar na vida e nos métodos de seu psiquiatra de longa data, o Dr. Phil Stutz. O longa expõe o modelo de terapia visual desenvolvido por Stutz (conhecido como “The Tools”) enquanto o próprio médico compartilha suas vulnerabilidades, incluindo o diagnóstico avançado de Parkinson. Onde assistir: Disponível no catálogo da Netflix Brasil. 7. 2 Hearts (2020) O filme entrelaça duas histórias reais paralelas que se conectam em um momento crítico de vida ou morte. De um lado, o herdeiro de uma grande marca de rum que sofre de uma grave doença pulmonar genética crônica; do outro, um jovem universitário saudável. Suas trajetórias se cruzam através de um milagre médico possibilitado pela doação de órgãos. Onde assistir: 8. Um Golpe do Destino (1991) Jack MacKee é um cirurgião brilhante, mas frio, irônico e completamente distante do sofrimento de seus pacientes. Sua perspectiva muda radicalmente quando ele próprio recebe o diagnóstico de um câncer de laringe e se vê obrigado a enfrentar as burocracias, a frieza e o sistema de saúde pelo outro lado do estetoscópio. Onde assistir: Atualmente não está disponível nos catálogos fixos de streaming no Brasil, mas pode ser encontrado em acervos físicos de locadoras culturais, mídias físicas (DVD) ou canais especializados de cinema clássico na TV por assinatura sob consulta de grade. 9. Decisões Extremas (2010) Um executivo de sucesso descobre que seus dois filhos sofrem da Doença de Pompe (uma desordem neuromuscular genética severa). Ele une forças com um cientista focado em pesquisas inovadoras de reposição enzimática e cria uma startup de biotecnologia para acelerar os ensaios clínicos e salvar as crianças antes que a progressão da doença seja letal. Onde assistir: Disponível para aluguel ou compra digital através do Amazon Prime Video e no Google Play Filmes. 10. Semmelweis (2024) Resgata a história de Ignaz Semmelweis, o obstetra húngaro que, na Viena do século XIX, correlacionou a falta de higiene dos médicos que saíam das salas de autópsia direto para os partos com as altíssimas taxas de febre puerperal. Ele instituiu a lavagem compulsória das mãos com cloro, derrubando a mortalidade, mas foi duramente ridicularizado pela elite médica. Onde assistir: Mubi

Cursos EAD na saúde estão próximo do fim

Formar quem cuida de vidas exige presença. O aprendizado em saúde vai além de acumular horas de tela e absorver teoria. Exige toque, escuta ativa, trabalho em equipe, raciocínio clínico sob pressão e a vivência diária no ambiente real de assistência ao paciente. Devido a isso muitas críticas vem sendo dadas ao cursos EAD na área da saúde. Após uma trajetória de uma década de mobilização contínua de entidades representativas, conselhos profissionais e do controle social do SUS, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou a redação final do Projeto de Lei nº 5.414/2016. O texto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para proibir a oferta de cursos de graduação da área da saúde e de educação física na modalidade a distância (EaD). O ensino EAD nos cursos da saúde O Ministério da Educação (MEC) já havia restringido a oferta 100% EaD para os cursos da saúde, exigindo cargas horárias mínimas de atividades práticas e presencial. Essa decisão foi impulsionada principalmente por pressões dos Conselhos Profissionais de Saúde e aprovações de diretrizes que vetam a formação puramente remota, mas ainda se enquadrando no formato semipresencial. Cursos de Graduação com oferta EaD/Semipresencial Estes cursos contam com parte da carga teórica a distância e encontros presenciais obrigatórios em polos e laboratórios para práticas, anatomia e estágios: Cursos Tecnólogos na Área da Saúde (Modalidade EaD/Semipresencial) Cursos de curta duração voltados à gestão, suporte e procedimentos específicos: Cursos com Proibição de ensino EAD A proliferação descontrolada de vagas de EaD na saúde em todo o Brasil acendeu um alerta máximo nos conselhos profissionais. O principal ponto da crítica ao modelo 100% à distância ou com carga presencial irrisória envolve aspectos estruturais sérios: Uma conquista histórica para a segurança do paciente O avanço da proposta representa um marco no combate à expansão desordenada do ensino superior na saúde. A proliferação do EaD sem a devida infraestrutura presencial compromete pontos indispensáveis da formação: Com a conclusão da tramitação na Câmara dos Deputados, a matéria segue para apreciação no Senado Federal. Cuidar de vidas exige presença, responsabilidade e rigor ético. Defender o ensino presencial na saúde é garantir que o profissional do futuro esteja verdadeiramente preparado para acolher e tratar o paciente com a dignidade que ele merece. Você concorda com o ensino EAD ou semipresencial na área da saúde? + posts…

COREN-RJ dá oportunidade para enfermeiros trabalharem…mas de graça. Entenda!

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Um anúncio do Coren-RJ chamou a atenção: o lançamento do Edital do Programa Trainee Coren-RJ 2026. A proposta oficial é criar uma ponte para quem acabou de sair da faculdade ou do curso técnico. São 194 vagas (82 para enfermeiros e 112 para técnicos) espalhadas por hospitais de grande porte no Rio de Janeiro, como o Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ), o Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz) e hospitais da rede privada. A ideia vendida pelo edital é oferecer capacitação prática, supervisão e desenvolvimento de competências na beira do leito para facilitar o primeiro emprego. Na teoria, soa como um alívio para quem tenta ingressar no mercado de trabalho e só esbarra na exigência de “experiência prévia”. Mas o nó dessa história está na entrelinha que importa. O programa Trainee do Coren RJ Os principais detalhes do programa trainee do Coren-RJ é desenvolver competências técnicas e comportamentais, segurança do paciente e ética em cenários reais de saúde, capacitando a teoria a partir de instituições parceiras. As principais instituições envolvidas na capacitação prática dos profissionais são: Hospitais Universitários e Institutos Federais Rede Pública Municipal e Parcerias Sociais Rede Privada (Rede Américas / Dasa) Onde a conta não fecha… O programa se chama trainee, mas não prevê nenhuma remuneração. Na prática, são quase 200 profissionais formados assumindo escalas e rotinas assistenciais em hospitais renomados sem receber um centavo por isso. A crítica não é sobre a busca por aprendizado, mas sobre a estrutura do projeto: Experiência e formação continuada são essenciais, e ninguém duvida da dedicação de quem está começando e quer aprender. Mas cuidar de pessoas exige preparo, tempo e desgaste. Cuidar de quem cuida também passa por reconhecer que o tempo de trabalho e a responsabilidade técnica de um profissional não podem ser pagos apenas com certificados. A ironia institucional do Coren-RJ Ao oferecer 194 profissionais qualificados a custo zero para grandes redes hospitalares, cria-se um desincentivo direto para a contratação formal via CLT ou concurso público. O ponto mais delicado é que a iniciativa parte do próprio Coren. Quando a autarquia criada para proteger o exercício profissional e defender a dignidade da Enfermagem chancela a mão de obra custo zero, a mensagem enviada para o mercado de trabalho é perigosa: a de que a força de trabalho da categoria pode ser obtida de graça, com o carimbo do próprio conselho. O que você acha? Uma boa oportunidade de aprendizado ou uma mão de obra barata ( gratuita )? Entre para nossa comunidade em nossas redes sociais. + Posts…

“Emergência 53”: de expectativa à decepção

A expectativa era grande. Afinal, ver o atendimento pré-hospitalar, uma das pontas mais pulsantes e desafiadoras da saúde pública, ganhar espaço na dramaturgia parecia uma oportunidade única de reconhecimento. A promessa era mostrar os bastidores e a complexidade do SAMU. A realidade, no entanto, entregou uma profunda decepção para quem vive essa rotina na pele. Pelo menos nos primeiros episódios, o que era para ser representação virou um retrato caricato e totalmente fora da realidade. Nas redes e nos corredores dos serviços, a indignação é generalizada. + Posts…

Nova Resolução do COFFITO para Cuidados Paliativos

A Resolução COFFITO nº 660/2026 e nº 661/2026 veio normatizar e reconhecer algo que quem está na beira do leito já sente há muito tempo: o cuidado paliativo e a reabilitação paliativa não são sobre “não ter mais o que fazer”. São sobre fazer tudo o que é humanamente e tecnicamente possível para que o paciente viva com o maior conforto e autonomia até o último momento. Vamos primeiramente entender as resoluções… Resolução COFFITO nº 660/2026 A Resolução COFFITO nº 660/2026 estabelece as diretrizes oficiais para a atuação do fisioterapeuta em Cuidados Paliativos e Reabilitação Paliativa, atualizando as normas da área e revogando a Resolução nº 539/2021. O texto traz uma abordagem transversal, cobrindo desde a prevenção até o suporte de fim de vida em todas as fases da vida (pediátrica, adulta e gerontológica). 1. Conceito de Reabilitação Paliativa A resolução define a Reabilitação Paliativa como uma abordagem interprofissional e holística centrada na manutenção da funcionalidade, prevenção de complicações e adaptação a perdas físicas. Suas quatro frentes de atuação são: 2. Atribuições Clínicas e Diagnóstico O fisioterapeuta passa a ter papel ativo e autônomo na condução das condutas paliativas: 3. Bioética, Distanásia e Diretivas Antecipadas A norma reforça o compromisso deontológico do profissional com a dignidade da pessoa humana: 4. Suporte à Família e Cuidados no Fim de Vida A “unidade de cuidado” engloba a pessoa adoecida, seus familiares e cuidadores: 5. Cenários de Atuação e Teleatendimento A assistência é garantida em todos os níveis de atenção (pública, privada, filantrópica e terceiro setor): 6. Níveis de Qualificação Profissional Categoria Requisitos Escopo de Atuação Generalista Cursos de formação ou graduação com conteúdo de paliativismo na matriz curricular. Identificação de elegibilidade, avaliação cinético-funcional (CBDF), manejo de sintomas físicos e participação no PTS. Especializada Pós-graduação lato sensu ou programas de residência médica/multiprofissional. Manejo de sintomas refratários, casos de alta complexidade, mediação de conflitos, Planejamento Antecipado de Cuidados, gestão e matriciamento de serviços. Resolução COFFITO nº 661/2026 A Resolução COFFITO nº 661/2026 regulamenta e normatiza a prática do Terapeuta Ocupacional em Cuidados Paliativos e Reabilitação Paliativa em todos os pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e em todas as faixas etárias (pediatria, adultos e idosos). 1. Foco na Vida Ocupacional e Autonomia 2. Principais Competências e Atribuições Clínicas 3. Cuidado com Familiares, Cuidadores e Luto 4. Bioética e Prevenção de Obstinação Terapêutica 5. Cenários de Atuação e Teleatendimento 6. Níveis de Qualificação Profissional Categoria Requisitos Escopo de Atuação Generalista Cursos de formação teórico-prática ou conteúdos integrados na grade da graduação. Avaliação terapêutico-ocupacional, prescrição de Tecnologia Assistiva básica, suporte a AVDs, manejo do sofrimento ocupacional e atuação interprofissional. Especializada Pós-graduação lato sensu ou programas de residência com carga horária de Paliativismo. Casos de alta complexidade, manejo de sofrimento de difícil controle, notícias difíceis, prognósticos reservados, gestão e matriciamento de serviços. Reabilitação Paliativa A Reabilitação Paliativa é uma abordagem interprofissional e holística que integra os princípios da reabilitação e do autocuidado aos cuidados paliativos, voltada para pessoas com doenças graves que ameaçam a continuidade da vida, além de seus familiares e cuidadores. Diferente da reabilitação convencional a Reabilitação Paliativa busca promover a qualidade de vida, o alívio de sintomas e a manutenção da funcionalidade, permitindo que a pessoa viva da forma mais ativa, independente e com a maior dignidade possível até a finitude. As 4 Fases de Atuação A reabilitação paliativa não se limita à fase final de vida; ela oscila e se adapta continuadamente de acordo com a progressão da doença e a capacidade do paciente: Principais Objetivos e Pilares As Resoluções COFFITO nº 660/2026 e 661/2026 regulamentam, respectivamente, a atuação da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional em Cuidados Paliativos e Reabilitação Paliativa. Publicadas simultaneamente, ambas padronizam o suporte técnico, bioético e legal para profissionais que lidam com pacientes em sofrimento grave ou com doenças que ameaçam a continuidade da vida. Visão Geral Comparativa Aspecto Fisioterapia (Resolução 660/2026) Terapia Ocupacional (Resolução 661/2026) Foco de Atuação Manutenção cinético-funcional, suporte ventilatório, alívio de dor, dispneia e fadiga. Desempenho ocupacional, preservação da autonomia, AVDs, rotina e Tecnologia Assistiva. Diagnóstico Uso recomendado da Classificação Brasileira de Diagnósticos Fisioterapêuticos (CBDF). Avaliação funcional das ocupações, papéis sociais e fatores ambientais/biográficos. Suporte à Família Ergonomia no manuseio/posicionamento, suporte na finitude e prevenção de sobrecarga. Intervenções no cotidiano do cuidador, acolhimento no luto e reestruturação de papéis. Pontos de Convergência entre as Normas + Posts…

Gerador de Evolução Médica

Criamos um gerador de evolução médica que reúne todos os campos essenciais da avaliação do(a) médico(a) A ideia é simples: menos tempo escrevendo, mais tempo cuidando. Uma pausa a menos na sua rotina na dose certa. Como funciona? Todos os dados estão organizados em blocos simples de preencher, com opções em botões de seleção para os itens mais comuns. Basta marcar as opções e preencher os poucos campos abertos. Somente com um clique, o formulário gera automaticamente o texto da evolução, já formatado e pronto para copiar e colar no prontuário do paciente. Isso pode ser utilizado principalmente em sistemas de evolução que possuem campo aberto. Não precisa preencher todos campos obrigatoriamente, entretanto só irá aparecer na evolução final o que foi preenchido anteriormente. Informação importante: não armazenamos nenhuma informação preenchida. A ideia dessa ferramenta é somente facilitar a escrita da evolução, mantendo o detalhamento necessário. Aproveite e siga nosso instagram @cafenacopa.com.br. + Posts…

“Muito Além do Peso”: um filme obrigatório sobre obesidade infantil

Lançado em 2012 e dirigido por Estela Renner (produzido pela Maria Farinha Filmes e pelo Instituto Alana), o documentário “Muito Além do Peso” continua sendo um marco fundamental para nutricionistas, estudantes e qualquer profissional da saúde, pois aborda de uma forma detalhada a obesidade infantil. Na rotina do consultório ou da clínica, o foco muitas vezes acaba centralizado em cálculos de necessidades energéticas, distribuição de macronutrientes, orientações de cardápio e no acompanhamento da composição corporal. No entanto, quem lida com nutrição e comportamento alimentar precisa olhar além das calorias: é essencial entender o contexto social, econômico e cultural que molda o que entra no prato das famílias. Por que esse filme é obrigatório para área de obesidade infantil? Pontos principais para ficar de olho durante do filme 1. A desconexão entre a criança e a “comida de verdade” Preste atenção nas cenas emblemáticas em que crianças são apresentadas a frutas e vegetais básicos (como batata, tomate ou cenoura) e não conseguem identificá-los visualmente ou pelo nome, mas reconhecem instantaneamente embalagens e mascotes de ultraprocessados. É um retrato marcante do analfabetismo alimentar causado pela industrialização precoce da dieta. 2. A precocidade das DCNTs (Doenças Crônicas Não Transmissíveis) Fique atento aos depoimentos clínicos e exames de crianças muito jovens. O filme documenta casos de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, gordura no fígado (esteatose hepática) e problemas articulares em idades escolares — quadros fisiopatológicos que antigamente eram observados quase exclusivamente em adultos ou idosos. 3. A agressividade do marketing e do design de produto Observe como o documentário expõe o uso de estratégias psicológicas da indústria alimentícia voltadas ao público infantil: brindes colecionáveis, personagens coloridos, sabores hiperpalatáveis (combinação exata de açúcar, gordura e sal) e o apelo emocional que gera o chamado pester power (a cobrança insistingente da criança sobre os pais para a compra do produto). 4. Determinantes sociais e “desertos alimentares” Analise as condições socioeconômicas das famílias retratadas. O filme mostra como a falta de acesso físico e financeiro a alimentos frescos, combinada com rotinas exaustivas de trabalho dos pais, transforma o produto ultraprocessado na opção mais conveniente, barata e acessível na periferia das grandes cidades. 5. A desconstrução da culpabilização individual Um dos aspectos mais importantes para a prática do profissional de saúde é perceber como o filme desloca a responsabilidade do problema: a obesidade infantil deixa de ser vista como um mero “desleixo” ou “falta de vontade” dos pais e passa a ser compreendida como uma questão de saúde pública, regulação de mercado e ambiente socioambiental doente. Anotar esses pontos durante o filme ajuda a transformar a experiência em um excelente ponto de partida para debates sobre orientação nutricional, saúde coletiva e políticas públicas de alimentação. Bom Filme!☕🍿 + Posts…